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Setor terciário sustenta o Amazonas

Comércio e serviços do Estado faturam mais de R$ 142 bilhões e se destacam na arrecadação e empregos

8 de agosto de 2025 às 13:38 Compartilhe

O comércio e os serviços do Amazonas somaram mais de R$ 142,42 bilhões em faturamento no primeiro semestre, segundo dados da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda). As receitas dos dois setores, no entanto, ainda ficaram 1,66% abaixo do registrado no acumuladode janeiro a junho do ano passado (R$144,83 bilhões). Ainda há espaço para crescimento, já que o valor global representa quase metade das vendas brutas registradas por ambos ao longo de 2024 (R$ 300,3 bilhões), e o segundo semestre concentra maior número de datas comemorativas e tradicionalmente é mais forte para o setor terciário.

Os números foram divulga dos pela Fecomércio-AM, nesta terça (5). A Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas destaca também a participação dos setores na arrecadação de tributos e oferta de empregos. O recolhimento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) alcançou R$ 3,65 bilhões nos seis meses iniciais do ano e respondeu por 52,4% do total. Houve crescimento nominal de 4,50% em relação ao mesmo período de 2024, mas a inflação oficial acumulada (+5,35%) pelo IPCA do IBGE sugere retração real.

Ao citar dados do Novo Caged, a entidade salienta ainda que o mercado de trabalho formal do Amazonas também refletiu a força de seus setores. Em maio, ambos alcançaram o “número recorde” de 386.074 empregos formais dentro do estoque estadual de vínculos celetistas, representando 68,4% do bolo. O mês representou 19.282 admissões e 18.019 des ligamentos, com saldo positivo somado de 1.263 novas vagas formais. O maior vigor veio dos serviços (+696), principalmente nas atividades de alojamento e alimentação (+275) e transporte, armazenagem e correios (+255). O comércio ofereceu 567 vagas com destaque absoluto para o varejo (+548).

 Foto: Divulgação/Fecomércio-AM

Números foram divulgados pela Fecomércio-AM, nesta terça (5)

“Momento de contrastes”

No texto mais recente de seu “Panorama Econômico”, publicado em julho, a entidade, que representa mais de 64 mil em presas reunidas em sindicatos patronais, destaca que a economia do Amazonas atravessa um momento de contrastes. A avaliação é que há avanços em “importantes setores” e desempenho positivo na maioria dos indicadores recentes, refletindo resiliência e a capacidade de adaptação das empresas locais. Mas, o entendimento é de que o cenário ainda é de desafios macroeconômicos que exigem atenção para os “motores tradicionais do desenvolvimento regional”, “

No varejo, os números indicam trajetória de expansão. O volume de vendas acumula alta nos comparativos mensal e anual, mantendo crescimento superior a 4% nos últimos 12 meses. No segmento ampliado, em bora tenha havido leve retração pontual em abril, o desempenho anual e nos últimos 12 meses continua positivo, mostrando que o setor permanece dinâmico. Já o setor de serviços, fundamental para a diversificação da matriz econômica do Amazonas, mantém ritmo sólido de crescimento, impulsionado principalmente pelas atividades turísticas, que se beneficiam do fluxo regional e nacional e indicam novas oportunidades para investimentos”, assinalou o texto.

Segundo a Fecomércio-AM, o mercado de trabalho formal confirma o dinamismo, com crescimento constante e saldo positivo de admissões. A estimativa é que a tendência de curto prazo ainda é de expansão, reforçando a importância estratégica dos segmentos para a geração de renda e inclusão social. “O Produto Interno Bruto do Amazonas, por sua vez, mostra crescimento expressivo no primeiro trimestre de 2025, com destaque para a participação do comércio e serviços, que representam mais de 43% da economia estadual”, completou.

O texto reforça que o ambiente macroeconômico ainda exige cautela, refletida na retração real percebida na arrecadação de ICMS em comércio e serviços, a despeito da alta nominal. E lembra que a conjuntura de Selic e IPCA em alta, em um cenário de câmbio volátil pressionam os custos operacionais das empresas limitam o poder de compra das famílias, que já se encontram endividadas de forma significativa. A recomendação é de prudência no planejamento empresarial, já que “o dólar deve encerrar 2025 em patamares superiores, enquanto as taxas de juros tendem a permanecer elevadas no curto prazo”, em um ambiente progressivamente competitivo.

“Diante desse panorama, é fundamental que os empresários do comércio e serviços do Amazonas adotem estratégias de gestão voltadas para eficiência operacional, diversificação de produtos e serviços, e atenção redobrada ao comportamento do consumidor. A análise criteriosa dos custos, a busca por inovação, digitalização dos negócios e fortalecimento de parcerias locais podem fazer a diferença. Mais do que nunca, a adaptação ágil às mudanças e o investimento em qualificação das equipes serão diferenciais para aproveitar as oportunidades e mitigar os riscos do ambiente econômico atual”, frisou.

Segundo semestre

Em texto distribuído por sua assessoria de imprensa, o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, reforça a importância e o papel estratégico do setor terciário para a economia amazonense. “O comércio está presente em todos os lugares, atendendo a população, gerando empregos, movimentando a economia. Esses segmentos são essenciais para o equilíbrio fiscal do Estado e para a qualidade de vida da sociedade”, afiançou. “Comércio e serviços estão na base do nosso desenvolvimento. São dinâmicos, resilientes e fundamentais para a geração de oportunidades em todas as regiões do Estado”, emendou.

Nas entrevistas mais recentes à reportagem, o dirigente reforça ainda que, tradicionalmente, o segundo semestre tende a renovar as esperanças do comércio e dos serviços, mesmo em um ano de dificuldades como o atual. A justificativa está principal mente na sazonalidade, já que a segunda metade do ano concentra as datas comemorativas mais relevantes para o varejo, como o Dia das Crianças e o Natal, o que tende a impulsionar ainda mais as vendas e as contratações nas empresas.

“Como sempre menciono, o segundo semestre é superior ao primeiro, porque temos mais datas comemorativas e termina a chuva, o que favorece as vendas e o mercado de trabalho. A tendência é que haja um incremento no mercado de trabalho no comércio e nos serviços e uma retomada das atividades econômicas. Os setores começam a se livrar dos problemas dos anos anteriores, embora ainda temos a possibilidade de uma estiagem média que pode aumentar custos e comprometer parte desses resultados. Isso nos preocupa, porque nossa responsabilidade de atender a população é muito grande”, arrematou.

Fonte: Jornal do Commercio 06.08.2025 – (Caderno de Economia A5)

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