Imprensa

Notícias

Notícias

Presidente da ACA destaca desafios e caminhos para revitalizar o Centro Histórico de Manaus durante reunião do FORESTUR

Presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, destacou no FORESTUR os desafios e caminhos para revitalizar o Centro Histórico de Manaus.

17 de outubro de 2025 às 12:26 Compartilhe

Na manhã de ontem, 13 de outubro, a Cooperativa Amigos da Amazônia marcou presença na 4ª Reunião Ordinária do Fórum Estadual de Turismo do Amazonas (FORESTUR), realizada no auditório da Amazonastur, em Manaus.
O encontro reuniu importantes representantes do trade turístico e instituições parceiras para discutir pautas estratégicas voltadas ao fortalecimento do turismo no Estado.

A Associação Comercial do Amazonas (ACA) foi representada pelo presidente Bruno Loureiro Pinheiro, que participou como palestrante convidado e apresentou a exposição “Os Desafios e Caminhos para Revitalizar o Centro de Manaus”, dentro do contexto do Programa Centro Seguro, desenvolvido em parceria com o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

Durante sua fala, Bruno Loureiro Pinheiro traçou uma análise histórica sobre o processo de esvaziamento do centro da cidade, iniciado com a implantação da Zona Franca de Manaus. Segundo ele, o rápido avanço do comércio fez com que antigos moradores deixassem a área, transformando residências em lojas de importados.

“Na década de 1990, veio outro golpe: a saída dos órgãos públicos. Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, Prefeitura e Governo do Estado deixaram o Centro, até o tradicional comando da Polícia Militar foi embora. Esse êxodo institucional provocou um esvaziamento profundo”, afirmou.

O presidente lembrou ainda que, em 1991, a abertura das importações no governo Collor alterou radicalmente o comércio, encerrando o período do chamado ‘turismo de compras’, quando pessoas de todo o Brasil vinham a Manaus adquirir produtos e movimentavam hotéis, restaurantes e toda a economia local.

Bruno destacou que, atualmente, o tombamento histórico de grau zero (da Rua Leonardo Malcher para baixo) se tornou um dos principais entraves à revitalização. Embora essencial à preservação do patrimônio, ele acaba impondo barreiras ao investimento privado, já que o custo das reformas é elevado e há escassez de materiais e mão de obra especializada.

“É difícil para o empresário investir quando o retorno é incerto. O payback é longo, e apenas o poder público tem conseguido realizar restauros em larga escala”, observou.

Outro ponto levantado foi o grande número de imóveis abandonados, muitos deles com proprietários conhecidos, mas travados por disputas judiciais ou desinteresse em reformar, alugar ou vender. Bruno defendeu que a Prefeitura utilize instrumentos legais existentes para reintegrar esses imóveis ao uso urbano e comercial.

“Esses prédios se deterioram e se tornam focos de insegurança. Caminhos jurídicos existem falta vontade política e coordenação”, pontuou.

Para o presidente, a revitalização do Centro passa, necessariamente, pelo repovoamento e pela retomada de órgãos públicos e moradias.

“Sem servidores e sem moradores, o coração da cidade perdeu vida, movimento e comércio. Quando o funcionário público volta a trabalhar, e as famílias voltam a morar, o Centro respira de novo: cafés e restaurantes ganham clientes, o comércio se fortalece, as praças voltam a ter crianças”, destacou.

Atualmente, cerca de 20 mil pessoas vivem no Centro, mas o potencial, segundo ele, é de até 70 mil moradores, aproveitando a infraestrutura já existente de energia, esgoto e vias pavimentadas.

Bruno também chamou atenção para os problemas de infraestrutura urbana, como calçadas que precisam de manutenção, acessibilidade, limpeza e pintura. Destacou ainda que as drenagens são antigas, muitas datam do período em que os ingleses atuaram na cidade, e que precisam passar por uma atualização, com um novo projeto de drenagem adequado ao alto volume de chuvas. Mencionou, também, a falta de arborização, observando que diversas árvores caíram ao longo do tempo em razão da deterioração natural e das fortes ventanias, sem que houvesse reposição.

“Precisamos de um plano robusto de revitalização, com metas, recursos e continuidade, construído a várias mãos  poder público, iniciativa privada e sociedade”, afirmou.

Como exemplos positivos, o presidente citou o Largo de São Sebastião, considerado um caso de sucesso de requalificação urbana, e a Rua Ferreira Pena, que vem sendo reocupada pela iniciativa privada.

“O Largo preserva o contexto histórico, tem vida, segurança e turismo ativo. Funciona todos os dias, com bons restaurantes e movimento. Quando o poder público garante segurança, limpeza e iluminação, a cidade responde”, avaliou.

Ao concluir sua palestra, Bruno Loureiro Pinheiro reforçou que o Centro Histórico de Manaus deve ser tratado como patrimônio coletivo, demandando políticas permanentes de Estado e não apenas ações pontuais.

“Temos infraestrutura pronta. Falta planejamento contínuo, integração e vontade política para que o Centro volte a ser o coração pulsante da nossa cidade”, finalizou.
Ele também enfatizou que as soluções reais só serão alcançadas com diálogo e escuta ativa, ouvindo quem vive o Centro todos os dias moradores, comerciantes e trabalhadores que mantêm viva a economia local.

Além da palestra do presidente da ACA, a reunião do FORESTUR também apresentou uma retrospectiva das ações desenvolvidas pelo Fórum, seguiu com a votação para admissão de novos membros, tratou dos protocolos de visita nas Unidades de Conservação, ressaltando a importância do turismo de natureza, e contou com a apresentação do Programa Centro Seguro, iniciativa voltada à segurança e valorização do centro da cidade.

A presença da Cooperativa Amigos da Amazônia reforça seu compromisso com o desenvolvimento sustentável do turismo e com a representação ativa de seus cooperados em espaços estratégicos de discussão e decisão.

E, na visão da Associação Comercial do Amazonas, entidade com 154 anos de história no coração de Manaus, o debate sobre o Centro Histórico é também uma reflexão sobre identidade, pertencimento e futuro.

Essas pautas expressam as vozes de quem realmente vive o Centro  moradores, lojistas, associados, diretores e membros do Conselho Superior da ACA pessoas que abrem as portas todos os dias, conhecem cada rua, cada dificuldade e acreditam que o Centro pode voltar a ter vida, movimento e dignidade.

Comentários

Buscar

Compartilhe

Presidente da ACA destaca desafios e caminhos para revitalizar o Centro Histórico de Manaus durante reunião do FORESTUR

Guia de Associados