
PACU é o nome comum usado para se referir a várias espécies de peixes onívoros de água doce, da família Serrasalmidae, com parentesco próximo às piranhas.
Pacu e Piranha não têm dentes semelhantes, sendo a principal diferença o alinhamento da mandíbula; as Piranhas têm dentes pontiagudos e afiados como navalhas, com uma mordida cruzada anterior pronunciada, enquanto os Pacus têm dentes mais quadrados e retos, com uma mordida cruzada anterior menos acentuada ou uma ligeira sobre mordida.
O Pacu, ao contrário da Piranha, alimenta-se principalmente de matéria vegetal e não de carne ou escamas. Além disso, o pacu pode atingir tamanhos muito maiores do que a piranha, até 1,08 m (3 pés e 6 polegadas). (+ 1 ⁄ 2 pol.) de comprimento total e 40 kg (88 lb) de peso.
Etimologia – Pacu veio do tupi *paku. O nome é escrito com asterisco por ser de existência hipotética, já que não consta em documentos antigos.
Distribuição – A depender da espécie, podem ser encontrados na Bacia Amazônica, no Pantanal e na Bacia do rio da Prata.
Os Pacus são nativos da América do Sul tropical e subtropical. Habitam rios, lagos, planícies de inundação e florestas alagadas nas bacias Amazônica, do Orinoco, do rio São Francisco e do Rio da Prata, além dos rios das Guianas. Nesses ambientes, fazem parte da extremamente diversa ictiofauna neotropical. As preferências de habitat variam significativamente entre as espécies, e várias delas são migratórias.
Como espécies exóticas – Os Pacus foram introduzidos na natureza em diversos locais fora de sua distribuição original, tanto na América do Sul quanto em outros continentes. Em alguns casos, foram soltos para incrementar a pesca local; em outros, foram liberados por aquaristas quando cresceram demais para seus aquários. Essa prática é ilegal em muitos países e fortemente desaconselhada.
Quando conseguem estabelecer populações, podem tornar-se espécies invasoras capazes de prejudicar os ecossistemas locais. Em muitas regiões onde foram observados, porém, dificilmente sobrevivem a longo prazo devido às temperaturas inadequadas.
Entre as grandes espécies de Pacu (Colossoma e Piaractus), a mais adaptada ao frio é Piaractus mesopotamicus, que tolera águas de até 15 °C, embora deixe de se alimentar abaixo de 18 °C.
Estados Unidos – Os pacus estabeleceram populações em Porto Rico, e indivíduos isolados foram capturados em diversos estados norte-americanos. Há registros em Alabama, Arizona, Arkansas, Califórnia, Colorado, Flórida, Geórgia, Havaí, Iowa, Idaho, Illinois, Indiana, Kansas, Kentucky, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Mississippi, Missouri, Nebraska, New
Hampshire, Nova Jérsei, Nova York, Carolina do Norte, Dakota do Norte, Ohio, Oklahoma, Pensilvânia, Carolina do Sul, Texas, Utah, Washington, Wisconsin e Wyoming.
Entre os registros recentes estão: um Pacu capturado no delta da Califórnia, próximo a Stockton, em 2015; dois exemplares no lago St. Clair em 2016; um indivíduo no lago Huron em 2016.
Algumas autoridades ambientais estaduais orientaram aquaristas a sacrificarem pacus grandes cortando-lhes a cabeça antes do descarte. Já a iniciativa norte-americana ‘’Habitattitude’’ recomenda métodos mais humanizados, como entrega a veterinários, lojas de animais, aquários ou associações de aquarismo.
Em agosto de 2013, um pacu foi encontrado em águas escandinavas: um pescador capturou um exemplar de 21 cm no estreito de Øresund, entre Suécia e Dinamarca.
Também em agosto de 2013, um pescador capturou um pacu no rio Sena, em Paris.
Em junho de 2016, um exemplar de 20 cm foi capturado em um lago urbano em Tula, Rússia.
Em junho de 2017, um pacu foi pescado acidentalmente durante uma competição no porto de Drobeta-Turnu Severin, Romênia. O peixe mordeu um dos pescadores, gerando alertas na região.
Ásia – Os pacus estabeleceram populações em regiões tropicais da Ásia, incluindo Vietnã, Malásia, Bangladesh, Tailândia e Índia.
Nova Guiné – Pacus foram introduzidos no rio Sepik em 1994 e no rio Ramu em 1997 como fonte alimentar devido à sobrepesca de espécies nativas.
Aquarismo – Os pacus são comumente vendidos como “piranhas vegetarianas” para proprietários de aquários. Com o equipamento adequado e dedicação, os pacus podem se tornar animais de estimação dóceis. Um exemplo disso foi Swish, um pacu de 75 cm (30 polegadas) que pertenceu por mais de 20 anos a um restaurante chinês no bairro de Chinatown em Seattle, Washington;
um técnico de aquários disse sobre Swish: “Ele esfregava o corpo nos seus braços, como um cachorro.”
No entanto, existem dúvidas sobre se esses peixes são uma boa escolha para o aquarismo. Embora não sejam carnívoros agressivos como as piranhas, seu sistema mandibular triturador, usado principalmente para comer sementes e nozes, pode ser perigoso. Uma criança pequena precisou de cirurgia depois que um Pacu (erroneamente identificado como uma Piranha) mordeu seu dedo
no Edinburgh Butterfly and Insect World, na Escócia. Comentando o incidente, o gerente zoológico do Deep Sea World, Matthew Kane, alertou: “Os pacus comem qualquer coisa, até mesmo os dedos inquietos das crianças.”
Se uma grande população de Pacus entrar em um ecossistema ao qual não é nativa, o peixe pode ter um efeito muito adverso. Lojas de animais vendem Pacus com apenas 5 a 8 cm de comprimento e negligenciam o aviso aos clientes de que o crescimento do peixe não é inibido pelo tamanho do aquário, ao contrário do que se acredita popularmente. “A maioria dos comerciantes do Reino Unido agora se recusa a estocar essa espécie devido ao grande tamanho e aos caros requisitos de aquário que ela exige”, de acordo com Matt Clarke, da revista Practical Fishkeeping. Incapazes de manter grandes aquários, suspeita-se que aquaristas sobrecarregados liberem ilegalmente seus pacus em cursos d’água selvagens. Como peixes tropicais, os Pacus morrem em
clima frio; como recém-chegados a um ecossistema, os Pacus podem competir com as espécies nativas por alimento, habitat e outros recursos disponíveis, ou deslocá-las introduzindo parasitas ou doenças exóticas. A maioria das autoridades de recursos da vida selvagem proíbe a soltura de peixes exóticos, incluindo pacus, na natureza. Autoridades de um lago no Texas ofereceram uma recompensa de US$ 100 por pacus capturados lá.
Pesca esportiva – O ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt escreveu sobre a pesca e o consumo de Pacu em seu livro Through the Brazilian Wilderness. Sobre a pesca, aconselhou: “Para peixes pequenos como o Pacu e a iranha, um anzol comum de robalo serve”. Sobre o pacu, ele acrescentou:
“Uma vara de pesca leve e um molinete seriam convenientes para pescar pacus. Costumávamos pescar essa espécie nas poças mais tranquilas, deixando a canoa à deriva, e sempre guardávamos alguns peixes para usar como isca para os maiores. Pescávamos pacus como os nativos, amassando uma bola de farinha de mandioca com água e colocando-a no anzol como isca. Não me surpreenderia, porém, se fosse possível, com moscas cuidadosamente escolhidas, pegar alguns dos peixes que de vez em quando víamos subir à superfície e arrastar algum inseto azarado para o
fundo.”
Consumo do Pacu – Roosevolt também tratou sobre o consumo de peixes em seu livro, descrevendo-os como “peixes de bom tamanho e corpo profundo” e observou: “Eles eram deliciosos para comer”.
Hoje, o rio Amazonas passa por uma crise de sobrepesca. Tanto os pescadores de subsistência quanto seus rivais comerciais competem para capturar grandes quantidades de Pacu, que alcançam bons preços nos mercados do Brasil e do exterior.
A aquicultura pode aliviar a crise da sobrepesca, bem como melhorar a segurança alimentar, aumentando o fornecimento de peixes. Várias espécies de pacu estão sendo cada vez mais utilizadas na piscicultura em águas quentes em todo o mundo. Os Pacus toleram baixos níveis de oxigênio, exigem pouca proteína na dieta e podem ser criados continuamente em ambientes aquecidos.
Pesquisas indicam que o sabor do pacu cultivado é comparável ao do robalo híbrido, tilápia e truta-arco-íris, sendo considerado superior ao do bagre. Na América do Sul, sua carne é valorizada pelo sabor suave e adocicado. O pacu criado em aquário pode ser cozido e consumido, mas deve-se ter cuidado para garantir que nenhum medicamento tóxico tenha sido usado no aquário.
Espero que tenham gostado.
Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am
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