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PEIXE JARAQUI

Por Paulo Almeida Filho

14 de abril de 2026 às 18:42 Compartilhe

Semaprochilodus (nome comum: jaraqui) é um gênero de peixes da família Prochilodontidae.

JARAQUI é o peixe mais pescado, consumido e comercializado no Amazonas.

Peixe que tem fama de arrebatar os visitantes do Amazonas pelo seu paladar.

O Jaraqui é também o mais pescado, comercializado e consumido no estado, de acordo com a Gerência de Apoio à Aquicultura e Pesca (Geape), do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), e a Colônia dos Pescadores de Manaus.

Depois dele vem uma lista diversa de espécies, entre elas curimatã, matrinxã, tucunaré, surubim e tambaqui.

O Jaraqui e as demais espécies de pescado são a principal fonte de proteína animal para grande parte da população do Amazonas, que é o maior consumidor no Brasil e um dos maiores do mundo. Alimento básico para 500 mil habitantes da zona rural do Amazonas, o pescado tem consumo per capita por ano em comunidades ribeirinhas de até 180 quilos, segundo dados estimados do Idam.

Nas sedes municipais, o consumo estimado é de 40 quilos/pessoa/ano e, em Manaus, de 33 quilos/pessoa/ano, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, em inglês).

Os Jaraquis são encontrados ao longo do rio Solimões/Amazonas e em seus principais tributários, os Rios: Negro, Madeira e Purus.

Os Jaraquis sempre foram abundantes e são capturados em grandes cardumes, sendo as espécies mais emblemáticas consumidas pelos amazonenses.

Ele acrescenta que existem duas espécies de jaraqui: o Semaprochilodus taeniurus e o Semaprochilodus insignis, respectivamente conhecidos como jaraquis de escama fina e de escama grossa.

Projeto Prioritário – O engenheiro de pesca do Idam, Paulo Ramos Rolim, afirma que a captura de peixes no Amazonas se dá em todos os municípios. Entretanto, 27 municípios foram eleitos para integrar o Projeto Prioritário do Idam para Pesca por sua posição estratégica no estado, uns por serem fronteiriços e outros pela grande produção de pescado. Além disso, pela capacidade de gerarem emprego e renda.

Rolim destacou que municípios fronteiriços têm por natureza boas características para o comércio e, no caso, para se investir na pesca. Sendo assim, estão inclusos no projeto os municípios de Benjamin Constant, Boca do Acre, Guajará, Humaitá, Barcelos e Parintins.
“Vale destacar que Barcelos tem expertise em peixes ornamentais, conhecido como cardinal e de nome científico Paracheirodon axelrodi. O município é o maior produtor do Brasil e do mundo da espécie na natureza, apresentando características e peculiares provenientes do cardinal”, disse o engenheiro de pesca.
Manaus, também inclusa no projeto, tem sua posição de destaque e estratégia por ter o maior porto de desembarque de pescado do estado, com oferta das mais variadas espécies, como jaraqui, branquinha, mapará e curimatã, que têm um valor comercial mais acessível à população, até peixes nobres como pescada, tucunaré, tambaqui e pirarucu.
Outros municípios que integram o Projeto Prioritário da Pesca foram escolhidos, segundo Rolim, por serem bastante piscosos e sofrerem atividade de pesca constante. São eles: Tonantins, no Alto Solimões; Fonte Boa, Maraã e Tefé, nos rios Jutaí, Solimões e Juruá; Lábrea e Tapauá, no Purus; Carauari e Eirunepé, no Juruá; Manicoré, no Madeira; Anori, Autazes, Careiro da Várzea, Coari, Codajás, Iranduba, Manacapuru e Manaquiri, no Rio Negro e Solimões; e Itacoatiara e Maués, no Médio Amazonas.

E, ainda, Novo Airão escolhido pela necessidade de se aproveitar melhor a pequena produção de pescado, para que a população tenha disponibilidade de alimento à base de pescado o ano todo.

O sabor que conquistou gerações ganhou reconhecimento oficial.

O peixe Jaraqui foi declarado Patrimônio Cultural imaterial do Amazonas.

Quem é do estado sabe: o jaraqui não é só comida. É história, é costume e é parte da vida. Presente diariamente nas feiras, mercados e principalmente na mesa da população, o jaraqui vai muito além da alimentação. O reconhecimento valoriza o peixe como símbolo cultural, ligado às tradições, à economia e até às expressões populares da região.

Com a nova lei, o pescado passa a ser oficialmente protegido e promovido como patrimônio do estado. O projeto prevê ações como incentivo a pesquisas, atividades educativas e apoio a eventos culturais que mantenham viva essa tradição. A iniciativa também busca fortalecer a cadeia produtiva e valorizar os trabalhadores que dependem da pesca.

Na capital Manaus, o jaraqui já tinha o reconhecimento desde 2019. Agora, o título se estende para todo o Amazonas, ampliando ainda mais o valor simbólico do peixe.
E no fim das contas, a velha frase continua firme — quase um lema regional: “quem come jaraqui não sai mais daqui”.

E agora, com lei e tudo, virou patrimônio do Amazonas.

A reprodução do Jaraqui (Semaprochilodus spp.) é ovípara, com fecundação externa e migratória, ocorrendo na época da piracema (enchente). As fêmeas liberam até 500.000 ovos alaranjados, que flutuam e são fecundados pelos machos em rios de água branca. As larvas se desenvolvem em várzeas ricas em nutrientes, retornando aos rios na seca.

Detalhes da Reprodução do Jaraqui:
Migração e Desova: Os jaraquis realizam migrações (piracema) rio acima em busca de locais adequados para a desova, geralmente em áreas de confluência de rios durante a cheia.

Fecundação: É externa e o jaraqui é considerado uma espécie polígama ou promíscua, onde machos e fêmeas buscam maximizar a reprodução, liberando os gametas na água.

Desenvolvimento das Larvas: Após a fecundação, os ovos hidratam-se e flutuam. As larvas, nutridas inicialmente pelo vitelo, desenvolvem-se em áreas de várzea inundadas, que funcionam como um berçário natural rico em
alimentos.

Período de Desova: O processo está fortemente ligado ao ciclo hidrológico amazônico, intensificando-se no início da enchente.

Comportamento: Durante o período reprodutivo, podem ocorrer aglomerações na superfície e saltos, especialmente próximo à descida dos rios.

O período de defeso é crucial para garantir a reprodução e a sobrevivência da espécie, que é um dos peixes mais consumidos na região amazônica.
Espero que tenham gostado.

Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am

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