O MICO-LEÃO-DOURADO – (nome cientifico – Leontopithecus Rosalia) um primata endêmico do Brasil, da família Callitrichidae e é gênero Leontopithecus. Ocorre exclusivamente na Mata Atlântica brasileira, no estado do Rio de Janeiro, mas alguns autores já consideraram sua ocorrência no sul do Espírito Santo.
Atualmente, são encontrados principalmente na Reserva Biológica Poço das Antas e na Reserva Biológica União, e vivem nos estratos mais altos da floresta.
Podem ser encontrados em trechos de floresta secundária.
Já foi considerado como uma subespécie, hoje é uma espécie propriamente dita, como as outras espécies de micos-leões.
Evidências de estudos filogenéticos mostram que o mico-leão-preto é a espécie mais próxima do mico-leão-dourado.
Não existem fósseis conhecidos da espécie.
Junto com outros micos-leões é o maior membro da subfamília Callitrichinae, podendo pesar até 800g. A pelagem varia do dourado ao alaranjado com uma juba muito característica, que lhe conferiu o nome popular. Apresenta garras em vez de unhas e o terceiro dedo da mão é muito longo e usado para procurar presas. O dimorfismo sexual não é acentuado. O crânio é pequeno e menos robusto, se comparado com outros micos-leões. Possui 30 dentes, sendo os incisivos muito semelhantes a caninos.
São animais diurnos e muito ativos durante as primeiras horas da manhã. Os comportamentos sociais são muito semelhantes a de outros primatas. Vivem em grupos de até 9 indivíduos, organizados em grupos familiares, sendo comum a poliandria.
A poliginia pode ocorrer em menor proporção. Os territórios variam em tamanho, podendo ter até 217 hectares de área. A fragmentação do habitat fez com que muitos territórios se sobreponham sobre de outros. São animais onívoros, se alimentando de frutos, invertebrados e pequenos vertebrados na estação chuvosa e de néctar na estação seca. Tem um repertório variado de vocalizações, que são emitidas em contextos específicos. Dão à luz a gêmeos, depois de uma gestação de 130 dias.
Os machos ajudam com o cuidado na prole, assim como crias de anos anteriores.
Existem cerca de 3.200 indivíduos em liberdade, graças a inúmeros esforços na conservação e reprodução da espécie. As populações em cativeiro são relativamente numerosas e estáveis. O mico-leão-dourado é uma espécie bandeira na conservação da Mata Atlântica brasileira.
Etimologia – O mico-leão-dourado também é conhecido simplesmente por mico-leão, por saguipiranga e sauimpiranga.
“Mico” deriva do caribe continental miko.
“Saguipiranga” e “sauimpiranga” vêm do tupi sa’wi pi’rãga, que significa “sagui vermelho”.
O nome “mico-leão-dourado”, em específico, surgiu quando um espécime foi levado para Paris para Madame de Pompadour, em 1754, e descrito por M.J. Brisson como le petit singe-lion, que literalmente significa: “o pequeno mico-leão”.
Mico-leão é uma alusão aos pelos da cabeça, que acabam por formar uma juba como de um leão.
Evidências genéticas apontam para um período muito recente de diversificação dos micos-leões, a partir de refúgios de floresta no Pleistoceno. A espécie mais aparentada ao mico-leão-dourado é o mico-leão-preto, que provavelmente compartilhou um ancestral que possuía pelagem escura.
O habitat está localizado em região de clima quente e úmido, com precipitações de até 1500 mm anuais, com uma estação seca. Ocorre em ambientes de floresta, principalmente ao longo de cursos d’água permanentes. Prefere ficar na copa das árvores, entre três e 10 metros de altura. Pode ser encontrado em fragmentos de floresta secundária.
Atualmente, é encontrado apenas em alguns remanescentes de floresta da bacia do rio São João, principalmente na Reserva Biológica Poço das Antas e na Reserva Biológica União. Fragmentos de floresta em Silva Jardim, Cabo Frio, Saquarema e Araruama, apresentam populações da espécie, e ela foi reintroduzida com sucesso nos municípios de Rio das Ostras, Rio Bonito e Casimiro de Abreu.
Recentemente, foi reportada uma população em Duque de Caxias, sendo a população mais ao sul conhecida atualmente.
O mico-leão-dourado possui toda a pelagem de cor ruiva a dourada, o que conferiu o nome popular, e possui uma juba derivada de pelos que saem das bochechas, cabeça, pescoço e cobrem as orelhas. Acredita-se que essa cor de pelagem deva-se à ingestão de carotenoides e à exposição à luz solar: observa-se em alguns animais em cativeiro, uma coloração mais clara, e provavelmente isso se deve a dieta deficitária em carotenoides.
Os pelos são trocados gradativamente, uma vez ao ano, principalmente na estação chuvosa. Fêmeas grávidas perdem menos pelos no período da troca. A face é negra, quase nua. Tem 26 cm de comprimento sem a cauda e pesa 620 g em média. Animais criados em cativeiro podem chegar até 800 g, o que representa o maior tamanho entre os Callitrichinae.
Tem uma taxa metabólica menor do que esperado para um animal de seu tamanho, mas ainda é maior que muitos primatas noturnos com hábitos alimentares semelhantes. A temperatura corporal varia de forma significativa entre 39 °C de dia, e 37,4 °C à noite. Existe órgão vomeronasal, que em indivíduos subadultos é tão desenvolvido quanto em Strepsirrhini. No adulto, o epitélio sensorial desse órgão é entremeado por porções não sensoriais, contrastando com o órgão vomeronasal de Callithrix jacchus e se assemelhando ao de Saguinus geoffroyi.
A glande do pênis é em formato esférico, e existem papilas cobrindo o corpo do pênis. Os testículos podem estar dentro do escroto (que não é pigmentado e pode ter até 18 mm de diâmetro), ou em posição inguinal, e parece haver um controle voluntário dessas posições. O báculo é um dos mais especializados entre os calitriquíneos e tem até 3 mm de comprimento por 0,9 mm de largura.[15] A vulva é pouco proeminente e não pigmentada, e os grandes lábios não são tão diferenciados como em outros membros da subfamília. O clitóris compartilha características com de outros primatas, sendo atravessado por um sulco ventro-medial, sensivelmente destacado e séssil, com uma glande dividida ao meio. Como em outros membros da subfamília Callitrichinae, o clitóris é pequeno se comparado com outros primatas sul-americanos, como os cebíneos e atelídeos. As glândulas mamárias são duas, e estão no peito, em posição axial, perto da linha média do corpo.
Possui mãos e dedos muito longos, com unhas que lembram garras que são usadas para procurar pequenos vertebrados e artrópodes em orifícios e fendas estreitas, como os espaços entre as folhas de bromélias: o dedo do meio é longo a ponto de ser quase duas vezes mais comprido que a palma da mão. Essa característica nas mãos permite que o mico-leão-dourado agarre-se nos ramos das árvores, apresentando uma locomoção completamente quadrúpede enquanto se movimenta na vegetação. Entretanto, isso é observado mais em cativeiro, ao passo que em estado selvagem, o mico-leão-dourado acaba sendo mais um escalador, se movimentando em ambientes verticalizados. Ademais, os quatro membros possuem mais ou menos o mesmo comprimento, o que é diferente dos outros calitriquíneos, o tornando também, menos saltador e mais escalador em sua locomoção. Não possui dimorfismo sexual, apesar dos machos tenderem a ser maiores. Em cativeiro foi constatado que podem viver até 14,2 anos.
A morfologia do crânio e dos dentes do gênero Leontopithecus já foi descrita e serviu como base para filogenias do gênero. O mico-leão-dourado possui crânio pequeno
e maxilas pouco proeminentes, se comparado aos outros micos-leões. Também possui a face mais ampla que do mico-leão-de-cara-dourada e o mico-leão-preto. Apesar disso, a caixa craniana é do mesmo tamanho que do mico-leão-de-cara-dourada, medindo cerca de 28,46 mm de comprimento. As medidas morfométricas, principalmente na região da face, são diferentes entre macho e fêmea do mico-leão-dourado (cerca de 41% das medidas são diferentes), e os machos tendem a ter maiores medidas que as fêmeas, com exceção da largura das órbitas (13,32 mm para as fêmeas e 13,2 mm, para os machos). O crânio do macho de mico-leão dourado tem até 57,52 mm de comprimento, enquanto a fêmea possui 55,66 mm. A mandíbula tem um formato intermediário entre o “V” do gênero Callithrix e o “U” do gênero Saguinus, e mede 33,19 mm no macho e 32,40 mm na fêmea. O processo coronoide é grande e em formato de gancho.
Tem 32 dentes, com fórmula dentária de. Os caninos (que possuem forma de sabre) e incisivos (os superiores possuem a coroa expandida e o incisivo externo possui uma disposição oblíqua e posterior ao incisivo interno) são longos e pontiagudos e são quase do mesmo tamanho. Os pré-molares possuem forma molariforme e os molares inferiores são quadrados e simples. O tamanho da dentição anterior do mico-leão-dourado, quando comparada ao das outras espécies de mico-leão, é reduzida. Os pré-molares e molares são grandes quando comparados com outros calitriquíneos: o primeiro molar inferior possui 8,75 mm² de área, enquanto que em Saguinus oedipus (que possui tamanho semelhante ao mico-leão-dourado), ele possui 6,29 mm². Esse tamanho nos molares parece ter relação com o formato em “U” do arco dentário da mandíbula. No desenvolvimento dentário, os primeiros molares inferiores são os primeiros a se desenvolver e também os primeiros a nascerem. Os caninos superiores são os últimos. Há um padrão de erupção dos dentes, sendo a seguinte sequência também presente em Saguinus: m1-i1-i2-m2.
O mico-leão-dourado possui 46 cromossomos, sendo o cromossomo Y e 14 autossomos, acrocêntricos, e o restante, incluindo o cromossomo X, possuem dois braços. O cariótipo é muito parecido com o observado no gênero Saguinus e idêntico ao do mico-leão-de-cara dourada: as diferenças entre os táxons se dão por rearranjos diferentes nas bandas observadas nos cromossomos. Foi observado quimerismo em células XX/XY o que frequentemente é descrito nos representantes da subfamília Callitrichinae. Apesar da semelhança com Saguinus, os mico-leões são mais próximos aos saguis do gênero Callithrix pela análise morfológica dos cromossomos.
Foram identificados cinco lócus de microssatélites, sendo que quatro são polimórficos. Apesar de nenhuma das populações livres analisadas por Gravitol et al (2001) não conterem todos os alelos por lócus analisado, e a heterozigose ter sido baixa (principalmente em populações pequenas), existe uma grau de variabilidade genética nas populações selvagens, pois todas apresentaram polimorfismos em todos os lócus. Ademais, as populações analisadas neste trabalho foram significativamente divergentes entre si, o que pode ser um efeito da fragmentação do habitat e isolamento dessas populações entre si.
Os micos-leões são animais diurnos, sendo mais ativos nas primeiras horas da manhã. Utilizam principalmente buracos em troncos de árvore como sítios de dormida, que
mudam diariamente, e eventualmente podem utilizar copas de palmeiras. Esses sítios de dormida se localizam preferencialmente entre 11 e 15m de altura.
Passam boa parte do tempo (cerca de 33%) do dia se locomovendo pelo território, usando, geralmente, cerca de 50% dele em suas atividades diárias. O deslocamento médio diário varia entre 1 465 a 2 135 m na Reserva Biológica União.
Possuem um repertório limitado de expressões faciais, como os outros macacos Neotropicais, e vocalizações e sinais odoríferos possuem papel importante na comunicação
entre os indivíduos. Costumam ser bastante agressivos com indivíduos que não são do mesmo grupo, e interações agonísticas não são frequentes em grupos estáveis, a menos que existam fêmeas no estro. Um dos sinais de conflito entre mico-leões é a exibição do arch display, que é quando um animal arqueia o dorso numa postura quadrúpede, parecendo maior do que é: essa postura não tem uma natureza necessariamente agressiva e parece regular o contato social, de forma a evitar agressão propriamente dita.
Em cativeiro, a agressão entre membros do mesmo grupo é um problema, principalmente quando há a inclusão de animais novos. Machos jovens são os maiores alvos de ataques, e os agressores podem ser outros machos jovens, fêmeas jovens e adultos. Nota-se que machos adultos raramente iniciam ataques a membros do mesmo grupo.
Espero que tenham gostado.
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