Segunda data mais importante do calendário varejista, o Dia das Mães gerou crescimento para apenas 54% dos comerciantes de Manaus neste ano. Dentro desse grupo, no entanto, 53% tiveram taxas de expansão de dois dígitos nas vendas. Os dados são da pesquisa devolutiva para a data, realizada pelo IFPEAM (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas). O levantamento confirma que, em levantamento confirma que, em um ambiente de inflação em alta, os principais atrativos para as vendas foram as promoções e ofertas oferecidas pelo setor. Mas, vai na contramão da sondagem de intenção de compras, ao apontar que o consumidor continuou confiando no crédito, apesar da escalada dos juros.
O mesmo levantamento revela que o percentual de empresas que ofereceram empregos temporários para a data comemorativa mais importante do varejo no primeiro semestre continuou pequeno, tendo caído de 83% para 82%. Outro dado negativo que reflete a piora do ambiente macroeconômico brasileiro, é que o valor médio de compras por consumidor, conforme o Ifpeam, foi de R$ 259,18. Houve uma queda de 14% em relação a 2024 (R$ 301,88). Em paralelo, o índice de ocorrências de furtos em estabelecimentos comerciais aumentou de 3% para 7%, na mesma comparação de períodos. Até o fechamento desta edição, a CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) ainda não havia divulga do seu balanço de vendas para o Dia das Mães. Na pesquisa de intenção de compras para a data, a entidade havia calculado que as vendas seriam 2,9% mais fortes do que no ano passado, com receita bruta de R$ 157 milhões e ticket médio de R$ 170. Os números são melhores do que os projetados em 2024 (R$ 167 e +2,8%), em uma conjuntura de 5,53% de inflação acumulada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor-Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos 12 meses encerrados em abril.

Foto: divulgação
Preços e atrativos
A pesquisa devolutiva do Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas mostra que o crescimento se restringiu a 54% dos empresários, em resultado performance pouco abaixo da registrada no Dia das Mães do ano passado (54,2%). A fatia de lojistas com vendas estagnadas caiu de 18% para 17%. Em contrapartida, a parcela de comerciantes com resultados abaixo de 2024 subiu de 26,9% para 29%. Vale notar que uma pesquisa conduzida pela Fecomércio de São Paulo já havia revelado que a valorização do ouro, a alta do cacau e o impacto do dólar já havia elevado o preço dos presentes em 5,3% neste ano, como chocolates (+21,77%), perfumes (8,44%), computadores (+5,14%), entre outros.
Para 47% dos lojistas que sinalizaram aumento nas vendas, o crescimento das vendas no Dia das Mães não passou dos 10%, pouco menos do registro do ano passado (45%). Uma parcela pouco menor de empresas (44%) relata desempenho superior, com acréscimos de 11% a 35%. As vendas escalaram entre 36% e 49% para apenas 3% dos entrevistados, mas uma fatia dos entrevistados com o dobro desse tamanho (6%) relatou decolagens superiores a essa margem. O Ifpeam não informou quais segmentos se destacaram. Na pesquisa de intenção de compras, a predileção do consumidor era por roupas, calçados e acessórios (29%), perfumes (19%) e cosméticos (11%).
Em um ambiente de inflação oscilante e com viés de alta, escalada nos juros e endividamento crescente, 87% dos comerciantes lançou mão de estratégias para atrair o consumidor. As mais em pregadas foram as “promoções e ofertas”, atrativos utilizados por 44% das empresas sonda das contra os 53% de 2024. Para driblar a erosão nos orçamentos das famílias e fazer o consumidor ir além das compras básicas, as lojas também ofereceram brindes e sorteios (24%), “facilidades de pagamento” (19%) e “condições especiais de frete” (1%) também integraram o arsenal dos lojistas.
Crédito, emprego e segurança
Entre as formas de pagamento, o cartão de crédito (50%) foi o meio mais utilizado pelos clientes para comprar no Dia das Mães deste ano, em percentual abaixo do capturado em 2024 (58%). Em sintonia com o medo dos juros e da inadimplência, 45% dos consumidores preferiram as diversas modalidades de pagamento à vista (Pix, dinheiro, cartão de débito, transferência bancária, etc) -contra os 38% do ano passado.
Em seguida estão o crediário/ carnê da loja (5%). Dessa forma, diferente do apontado nas pesquisas das entidades para a intenção, o consumidor preferiu pagar depois. O levantamento não aponta números, mas as mesmas sondagens já haviam antecipado que os shoppings seriam os locais preferenciais de compras.
Somente 18% das empresas entrevistadas confirmaram que precisaram aumentar os quadros para atender o fluxo de demanda. A maioria (13%) restringiu as contratações a 3 funcionários e somente 5% admitiu entre 4 e 10 funcionários. No outro extremo, 82% dos estabelecimentos consultados pelo Ifpeam preferiram trabalhar com os colaboradores com que já contavam. O estudo também informa que 93% dos empresários não tiveram ocorrências de furtos em seus estabelecimentos, embora 7% tenham dito que tiveram conhecimento de registros do gênero em áreas próximas.
Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, assinalou que a recuperação do setor vem se dando a conta-gotas, com o “consumidor ainda com balido pelo endividamento e juros”. Mas, sempre reiterou que a aproximação do Dia das Mães e do segundo semestre costuma ser o ponto de virada para as vendas do varejo dependendo da conjuntura econômica. “Costumamos ver uma melhora [nas vendas] a partir de maio, com o Dia das Mães. A expectativa é de uma retomada, a partir do segundo semestre, até porque o crescimento do emprego ainda é uma realidade”, encerrou.
Fonte: Jornal do Commercio
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