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Histórias e Lendas do Amazonas

Histórias e Lendas

Lendas dos Rios Xingú e Amazonas

Por Paulo Almeida Filho

4 de agosto de 2025 às 12:33 Compartilhe

As lendas dos rios Xingu e Amazonas são ricas em histórias sobre a origem desses importantes cursos d’água, narradas pelos povos indígenas da região amazônica.

Uma das lendas mais conhecidas descreve um tempo em que a floresta era seca e a água era guardada em três tambores pela ave Juriti. A dona da água era a Juriti. Toda água que existia estava com ela, guardada em três grandes tambores.

Uma tarde, os filhos da mulher do Pajé, que estavam com sede, foram pedir água para a Juriti, que cantava no alto do açaizeiro.

– Juriti! Estamos com muita sede! Dê um pouco de água para bebermos!

Mas ela não deu. Os índios voltaram acabrunhados para casa, não aguentavam mais de sede e começaram a chorar.

Cinaã, a mãe dos meninos, perguntou porque estavam chorando e eles contaram o que tinha acontecido.

Ela disse que eles não deveriam procurar a Juriti porque era perigoso.

Dentro dos tambores de água há muitos peixes que podem atacar vocês, disse a mãe para os meninos.

Mas, os garotos não deram atenção para ela. Estavam com tanta sede que voltaram a procurar a Juriti. Pegaram um pau e quebraram os tambores.

Imediatamente a água começou a escorrer lá de dentro, junto com a água vieram os peixes.

A Juriti ficou muito brava. Os meninos saíram correndo. Deram um pulo bem grande para fugir dos peixes, mas o maior de todos comeu Itajiba, um dos meninos.

O Peixão engoliu a cabeça e o corpo do garoto, mas as pernas ficaram para fora da boca.

Os outros dois Irmãos correram mais rápido.

E a água que seguia atrás deles ia formando rios e cachoeiras.

O Peixão seguia os meninos, levando muita água com ele.

Esta água toda formou o rio Xingu.

Os dois índios continuaram a fugir do peixão para o norte, até dar no estado do Amazonas. Lá chegando, conseguiram agarrar as pernas de Itajiba, que ainda estavam para fora
da boca do Peixão.

Cortaram as pernas do Irmão, assopraram o sangue que escorreu e, por mágica, o corpo do garoto se refez: Itajiba nasceu de novo.

Então, os três juntos sobraram toda aquela água e formaram um rio muito largo e comprido que é o Rio Amazonas.

Depois disso, voltaram juntos para casa e contaram para toda a aldeia que tinham quebrado os tambores.

A partir desse dia todos tiveram água para sempre.

Quando a água saiu, Juriti virou bicho.

HISTÓRICO

O rio Xingu (Mẽbêngôkre Byti [bɯˈti] é um curso de água que começa em Mato Grosso e se transforma em afluente pela margem direita do rio Amazonas, no estado do Pará, no Brasil. Possui aproximadamente 1 979 quilômetros de extensão.

O rio Xingu nasce em Mato Grosso, ao norte da região do planalto Central, na união entre as serras do Roncador e Formosa, aos 600 metros de altitude.

O rio se alimenta com a confluência de três rios principais: pelo oeste, o rio Ferro (400 quilômetros), que recolhe as águas do lado oriental da serra Formosa, com seus afluentes Steinen, Ronuró e Jabota; pelo sul, o rio Batovi (330 quilômetros); e pelo leste, o rio Culuene, o mais importante e caudaloso, um grande rio de 600 quilômetros de extensão que recolhe as águas do lado noroeste da serra do Roncador e possui muitos afluentes, como os rios Auiita, Culiseu, Tanguro, Sete de Setembro e Couto Magalhães.

O rio Xingu tem suas fontes em uma região onde outros importantes rios brasileiros também nascem, como o rio São Miguel e o rio Guaporé, afluentes do rio Amazonas, ou o rio Cuiabá, que desagua na bacia do rio da Prata, a mais de 4 000 quilômetros de distância.

A região de sua nascente está no Parque Indígena do Xingu. O rio Xingu corre em seu curso alto na direção sul, dentro do parque, por uns 150 quilômetros, um trecho em que recebe vários afluentes, como os rios Manissauá-Miçu, Arraias e Suiá-Miçu (450 quilômetros). Ao sair do parque, entra na Área Indígena Jarina, onde recebe os rios Huaiá-Miçu, Aiuiá-Miçu e Jarina. Neste trecho, o rio é atravessado a uns 40 quilômetros a oeste de São José do Xingu, pela rodovia BR-80, em uma prolongamento que a liga com Brasília.

Rio Xingu visto do espaço

O rio Amazonas é de longe, o rio com maior fluxo de água por vazão, com uma média superior que a dos próximos sete maiores rios combinados (excluindo rio Madeira e rio Negro, que são afluentes do próprio Amazonas).

A Amazônia, que tem a maior bacia hidrográfica do mundo, com mais de 7 milhões de quilômetros quadrados, é responsável por cerca de um quinto do fluxo fluvial total do mundo, sendo que a água que flui pelos rios amazônicos equivale a 20% da água doce líquida da Terra.

O rio Amazonas tem sua origem na nascente do rio Apurímaque (alto da parte ocidental da cordilheira dos Andes), no sul do Peru, e deságua no oceano Atlântico, no norte brasileiro.

Ao longo de seu percurso recebe, ainda no Peru, os nomes de Carhuasanta, Lloqueta, Apurímaque, Ene, Tambo, Ucaiáli e Amazonas.

Ele entra no território brasileiro com o nome de rio Solimões e finalmente, em Manaus, após a junção com o rio Negro, assim que suas águas se misturam ele recebe o nome de rio Amazonas e como tal segue até a sua foz no oceano Atlântico.

Sua foz é classificada como mista, por apresentar uma foz em estuário e em delta. O rio Amazonas é o único com uma foz mista no mundo.

O rio foi inicialmente conhecido pelos europeus como Marañón (Maranhão) e a parte peruana do rio ainda é conhecida com esse nome até hoje.

O nome Amazonas, no entanto, foi dado depois de guerreiros nativos terem atacado uma expedição do século XVI de Francisco de Orellana.

Os guerreiros eram liderados por mulheres, as Icamiabas lembrando Orellana das guerreiras amazônicas, uma tribo de mulheres guerreiras relacionadas aos Citas e Sármatas iranianos mencionados na mitologia grega.

A palavra Amazon em si pode ser derivada do composto iraniano *ha-maz-an- “(um) lutando juntos” ou etnônimo *ha-mazan- “guerreiros”, uma palavra atestada indiretamente através de uma derivação, um verbo denominal em Hesíquio de Alexandria brilho “ἁμαζακάραν · πολεμεῖν Πέρσαι.” (“hamazakaran: ‘para fazer a guerra’ em persa”), onde ele aparece junto com o Indo-iranianas raiz *kar- “make” (a partir do qual sânscrito Carma é também derivado).

Espero que tenham gostado.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista*

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