O GAVIÃO-REAL (nome cientifico: Harpia Harpyja), também chamado cutucurim, gavião-de-penacho, harpia, penacho, uiraçu, uiracuir, uiruuetê, uraçu, águia-imperial-brasileira, águia-imperial ou uiraçu- verdadeiro, é uma ave acipitriforme da família dos acipitrídeos (Accipitridae).
É a maior e mais poderosa ave de rapina encontrada em toda a sua extensão e está entre as maiores espécies de águias existentes no mundo. Geralmente habita florestas tropicais de baixa altitude na camada superior (emergente) do dossel.
A destruição de seu habitat natural fez com que desaparecesse de muitas partes de seu antigo território e está quase extirpado de grande parte da América Central.
Etimologia – O nome do gênero Harpia (sinônimo de Harpyia) deriva do grego harpē (ἅρπη), “ave de rapina”. Com o mesmo significado. Ambos referem-se às harpias da mitologia grega, espíritos do vento que levavam os mortos para o Hades ou Tártaro, e diziam ter um corpo como um abutre e o rosto de uma mulher.
Por causa do tamanho e ferocidade do animal, os primeiros exploradores europeus da América Central nomearam-nas como Harpias. “Gavião-de-Penacho” e “Gavião-real” são referências ao penacho na cabeça característico da espécie, com um formato semelhante ao de uma coroa. “Uiruuetê” é um termo tupi que contém o termo e’tê, “verdadeiro”, gwï’ra, “ave”, e talvez ‘una no sentido de “preto” ou -u’su no sentido de “grande”.
Por fim, Cutucurim é de origem incerta, mas possivelmente deriva de cutiú (do tupi kuti’u), que significa “gavião preto do Amazonas”, e o elemento final -una, “preto”, que pode reduzir-se a -um e -u.
No Brasil, o nome “Gavião-real” foi selecionado como nome vernáculo técnico para a espécie pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos.
Taxonomia – O Gavião-real foi descrito pela primeira vez por Carlos Lineu em seu livro de 1758, 10.ª edição do Systema Naturae como Vultur harpyja.
É uma espécie monotípica e o único membro do gênero Harpia. As relações filogenéticas do grupo ao qual pertence são incompletamente conhecidas, mas dois estudos recentes baseados em dados de sequência de DNA colocam-no perto da base dessa radiação.
Medidas – Os Gaviões-reais fêmeas geralmente pesam de seis a nove quilos. Uma fonte afirma que as fêmeas adultas podem pesar até 10 quilos. Uma fêmea cativa excepcionalmente grande, chamada “Jezebel”, pesava 12,3 quilos. Estando em cativeiro, esta grande fêmea pode não ser representativa do peso possível em gaviões selvagens devido às diferenças na disponibilidade de alimentos. O macho, em comparação, é muito menor, variando de quatro a seis quilos. O peso médio dos machos foi relatado como 4,4 a 4,8 quilos contra uma média de 7,3 a 8,3 quilos para fêmeas adultas, uma diferença de 35% ou mais na massa corporal média.
Os Gaviões-reais podem medir de 86,5 a 107 centímetros de comprimento total e com uma envergadura de 176 a 224 centímetros. Entre as medidas padrão, a corda da asa mede 54 a 63 centímetros, a cauda mede 37 a 42 centímetros, o tarso tem 11,4 a 13 centímetros comprimento, e a cimeira exposta da cera tem de 4,2 a 6,5 centímetros. O tamanho médio da garra é de 8,6 centímetros nos machos e 12,3 centímetros nas fêmeas.
Essa ave é citada como a maior águia ao lado da Águia-filipina, que é um pouco mais longa em média (com média de um metro de comprimento), mas pesa um pouco menos, e o Pipargo-gigante (Haliaeetus pelagicus), que talvez seja um pouco mais pesado em média (a média de três aves assexuadas foi de 7,75 quilos).
Coloração/Adultos – Machos e fêmeas da espécie apresentam plumagem idêntica. A cabeça e o pescoço são cinza-claro, com uma crista dupla formada por penas alongadas e enegrecidas na coroa, geral- mente ereta e dividida ao meio em dois lados. A parte superior do peito apresenta uma larga faixa preta que separa a cabeça cinza da parte inferior do corpo, que é predominantemente branca. As penas da tíbia são brancas com listras pretas, e os tarsos emplumados também exibem esse padrão. A superfície superior das asas, o dorso e a garupa são cinza-escuros ou enegrecidos. As coberteiras inferiores das asas menores e medianas são predominantemente pretas, com listras ou manchas brancas, enquanto as coberteiras primárias inferiores são principalmente brancas com pontas pretas.
As rémiges inferiores são brancas, listradas de preto, com pontas pretas largas, especialmente nas primárias externas. A cauda possui coloração preta na parte superior, com três faixas cinza-acinzentadas largas e uma ponta branco- acinzentada. A parte inferior da cauda é preta, com três faixas brancas largas, cuja base é frequentemente coberta pelas coberteiras infracaudais. As íris variam entre cinza, castanho e vermelho; a cera e o bico são pretos ou enegrecidos, e os tarsos e dedos são amarelos.
Juvenis – Os filhotes nascem cobertos por uma penugem branca suja. As primeiras rémiges começam a surgir por volta dos 45 dias, e, aos 54 dias, já é possível observar penas na coroa, nas laterais da cabeça, no dorso, nas escápulas e nas coberteiras superiores das asas. As retrizes emergem por volta dos 77 dias. Na fase juvenil, a plumagem é predominantemente esbranquiçada, com vermiculações cinzentas nas partes superiores e algumas manchas pretas nas coberteiras superiores maiores das asas. As rémiges superiores são pretas com manchas e barras cinza claro, e a cauda apresenta, na face superior, coloração acinzentada com sete a oito barras pretas, enquanto a face inferior é esbranquiçada com seis a oito barras pretas estreitas. As coberteiras inferiores das asas são brancas, e as rémiges inferiores também brancas, mas com barras escuras menos definidas do que nos adultos. Na primeira plumagem básica, o padrão geral se assemelha ao juvenil, mas com coloração um pouco mais escura. As partes superiores ganham manchas pretas mais visíveis, a crista passa a ter ponta escura, e o peito e as axilas tornam-se cinza-claro. O padrão da cauda é variável: na superfície superior, pode haver de uma a cinco barras pretas estreitas e interrompidas ou de seis a sete barras pretas. A parte inferior da cauda é esbranquiçada, com duas a seis barras pretas, e a parte inferior das asas apresenta marcações mais nítidas do que na plumagem juvenil.
O Gavião-real habita principalmente florestas tropicais de várzea, ocupando desde o dossel até a camada emergente, onde pousa em árvores altas para observar e capturar suas presas. É normalmente encontrado em altitudes abaixo de 900 metros, com a maioria dos registros abaixo de 800 metros.
No entanto, pode ocorrer em altitudes mais elevadas: até 2 000 metros na Costa Rica, 1 600 metros na Colômbia e 1 800 metros na Venezuela.
Embora geralmente evite áreas ocupadas por humanos, pode visitar ambientes de floresta entremeada por pastagens, especialmente durante incursões de caça. Também é avistado sobrevoando bordas de florestas e áreas abertas, incluindo cerrados, caatingas, campos agrícolas, palmeirais de buriti e até mesmo zonas urbanas.
Reprodução – Os Gaviões-reais, como as águias em geral, são monogâmicos e formam pares unidos por toda a vida, mas, exceto durante a época de reprodução, os parceiros têm cada um seu próprio território de caça e só se reúnem para acasalar. Pares foram relatados mitificando a menos de três quilômetros um do outro no Panamá e na Guiana, e a menos de cinco quilômetros na Venezuela. A distância média entre três ninhos ativos simultaneamente no sudeste do Peru foi de 7,4 quilômetros; a área ocupada por cada casal reprodutor foi estimada em 4 300 hectares. Em outros estudos, a área de vida estimada de um casal de harpias é de até 25 x 25 quilômetros. Em áreas menos ideais, com floresta fragmentada, os territórios de reprodução foram estimados em 25 quilômetros.
O Gavião-real fêmea põe dois ovos brancos em um grande ninho de gravetos forrado com folhas e musgo, que geralmente mede 1,2 metro de profundidade e 1,5 metro de diâmetro e pode ser usado por vários anos. Os ninhos se localizam no alto de árvores, geralmente na bifurcação principal, entre 16 a 43 metros, dependendo da estatura das árvores locais. O Gavião-real costuma construir seu ninho na copa das mafureiras (Ceiba pentandra), uma das árvores mais altas da América do Sul.
Em muitas culturas sul-americanas, cortar a mafureira é considerado má sorte, o que pode ajudar a proteger o habitat desta águia. A ave também usa outras árvores grandes para construir seu ninho, como a castanheiro-do- pará (Bertholletia excelsa). Um local de nidificação encontrado no Pantanal brasileiro foi construído em uma árvore de Cambará (Vochysia divergens). A época de reprodução estende-se de junho a novembro.
Espero que tenham gostado.
Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am
FONTE: Wikipédia, Google,
Comentários
-
15 set 2026
ACA participa de encontro da FIEAM com candidatos ao Governo do Amazonas sobre os desafios da indústria
-
Evento
14 set 2026
ACA contribui com ação do DIPVES em celebração ao Dia das Crianças do projeto Bombeiro Mirim em Iranduba
-
Evento
14 set 2026
ACA participa de debate nacional sobre impactos do split payment nos negócios
-
11 set 2026
ACA participa de reunião com presidente do BNDES sobre crédito e instrumentos de apoio às empresas do Amazonas