
O Festival Folclórico de Parintins é uma festa popular brasileira criada em 1965 no município de Parintins, interior do estado do Amazonas. O festival é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Ao longo de sua história, o Festival Folclórico de Parintins teve 58 edições. As apresentações, que começam na última sexta-feira do mês de junho e vão até o domingo, simbolizam uma disputa a céu aberto entre duas agremiações folclóricas, a do Boi Garantido (vermelho) e a do Boi Caprichoso (azul), que acontece no Centro Cultural de Parintins — mais conhecido como Bumbódromo, com capacidade para 35 mil espectadores. O Festival Folclórico de Parintins é transmitido pela TV A Crítica, emissora independente pertencente à Rede Calderaro de Comunicação.
São milhares de turistas do Brasil e do mundo que acompanham as toadas dos bois Garantido e Caprichoso. Segundo a Amazonastur, cerca de 120 mil turistas visitam a cidade durante o festival, isso significa mais do que dobro da população de Parintins, que é de 96 mil habitantes.
O Festival Folclórico foi responsável pela divulgação de algumas músicas que ficaram famosas, como os hits Tic, Tic Tac (1993), Vermelho (1996), Saga de Um Canoeiro (1994), Pesadelo dos Navegantes (1996), Parintins Para o Mundo Ver (1997), Bicho-Homem (1998), Lamento da Raça (1996), Ritmo Quente (1997), entre outras.
História – Primórdios – A história dos bois de Parintins remete ao início do século XX, ainda que estes na época fossem grupos muito menores e menos estruturados, além de não possuírem qualquer registro formal. Antes da existência do festival, os bois Garantido e Caprichoso já alimentavam certa rivalidade entre si. No entanto, já existiam outros bois, precedentes ou
contemporâneos a esses dois, tais como Diamantino, Ramalhete, Fita Verde, Corre-Campo, Mina de Ouro, Galante e Campineiro.
Oficialização do Festival – Em 1965 aconteceu o primeiro Festival Folclórico de Parintins, criado por um grupo de amigos ligados à Juventude Alegre Católica (JAC), entre os quais Xisto Pereira, Jansen Rodrigues Godinho, Lucinor Barros e Raimundo Muniz, então presidente da entidade, além do padre Augusto, com o objetivo de arrecadar fundos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. No primeiro ano, vinte e duas quadrilhas se apresentaram, sem a presença dos bois Caprichoso e Garantido.
Em 1966 os bois-bumbá foram convidados a participar do festival, e pela primeira vez ambos participaram juntos do festival. Nessa época, o critério estabelecido para definir o campeão foi o boi mais aplaudido pelos presentes. A partir de então, houve o acirramento da rivalidade entre os bois Garantido e Caprichoso. No ano de 1975, a organização do Festival foi assumida pela Prefeitura de Parintins, mudando o local para o Centro Comunitário Esportivo.
Boi Garantido, o primeiro campeão do festival.
Com o tempo, o festival ganhou relevância nacional, passando a ser objeto de atenção da mídia e considerado atração turística de Parintins. Após a transmissão em rede de televisão nacional, profissionais que trabalhavam na festa passaram a ser contratados a partir da década de 2000 para trabalhar nos carnavais de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo.
Até 2005, o evento era realizado sempre nos dias 28, 29 e 30 de junho.
Uma lei municipal mudou a data para o último fim de semana de junho.

Patrimônio Cultural do Brasil – Em 8 de novembro de 2018, o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil na reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que aconteceu em Belém do Pará.
A primeira edição do Festival Folclórico a ser transmitido ao vivo foi em 1994, pela TV Amazonas, afiliada da Rede Globo. Este contrato vigorou até 1999. No ano seguinte, a transmissão passou a TV A Crítica, então afiliada ao SBT. À época, foi firmado um contrato de três anos entre os bois e a emissora, por um valor de R$ 1,2 milhão. Em 2001, o vínculo foi estendido até
2007. Entre os anos de 2008 e 2012, a Rede Bandeirantes transmitiu para todo o Brasil. Em 2014, o Festival de Parintins passou a ser transmitido integralmente pela TV A Crítica.
A primeira edição do Festival Folclórico a ser transmitido ao vivo foi em 1994, pela TV Amazonas, afiliada da Rede Globo. Este contrato vigorou até 1999. No ano seguinte, a transmissão passou a TV A Crítica, então afiliada ao SBT. À época, foi firmado um contrato de três anos entre os bois e a emissora, por um valor de R$ 1,2 milhão. Em 2001, o vínculo foi estendido até 2007. Entre os anos de 2008 e 2012, a Rede Bandeirantes transmitiu para todo o Brasil. Em 2014, o Festival de Parintins passou a ser transmitido integralmente pela TV A Crítica.
ASSOCIAÇÃO CULTURAL BOI BUMBÁ GARANTIDO
O nome Garantido surgiu do próprio criador, Lindolfo Monteverde, que em suas toadas sempre lembrava aos torcedores do boi contrário que seu bumbá sempre saía inteiro dos confrontos de ruas que, na época, eram rotineiros. Dizia Lindolfo que, nas brigas com os rivais, a cabeça de seu boi nunca quebrava ou ficava avariada, “isso era garantido”.
Desde a sua criação, o Garantido se apresenta com um coração na testa, e suas cores, vermelho e branco, foram adotadas pelos torcedores. A cor do coração na testa do boi costumava ser preta até meados dos anos 80, quando Dona Maria Ângela Faria, até hoje conhecida como madrinha do Garantido, deu a ideia deste ser pintado de vermelho. Ideia que foi prontamente executada pelo artista Jair Mendes.
Em sua trajetória, lhe foram atribuídos vários adjetivos carinhosos, como: “Brinquedo de São João”, “Boi da Promessa”, “Boi Mais Querido”, “Boi da Baixa do São José”, “Eterno Campeão”, “Oitava Maravilha”, “Boi do Coração”, “Boi do Povão”, entre outros.
Há muita controvérsia sobre a história dos Bumbás de Parintins, uma vez que os bois folclóricos do Amazonas não eram associações legalmente registradas nem possuíam farta cobertura da imprensa até a criação do Festival. Tudo o que se sabe atualmente foi levantado por pesquisadores a partir de entrevistas a membros das duas entidades, além de consultas a outros registros da tradição oral parintinense.
Quanto ao Boi Garantido, é consenso que seu fundador é Lindolfo Monteverde. Em 13 de Junho de 1920 Monteverde, aos 18 anos de idade, decidiu criar seu próprio boizinho feito de
Curuatá, uma carapaça que envolve os frutos da palmeira de Inajá, o chamado Boi Mirim, que até hoje é muito comum no Norte e Nordeste do Brasil.
Devido a uma grave doença, fez uma promessa a São João Batista, se ficasse curado, iria realizar anualmente uma ladainha e uma festa de boi em sua homenagem. Lindolfo foi atendido em seu pedido e cumpriu sua promessa. Contam os mais antigos que a apresentação começou com a ladainha e depois houve distribuição de aluá, bolo de macaxeira, tacacá e no final, muito forró. A partir de então, todos os anos os torcedores do Garantido se reúnem na noite de 24 de junho para rezar a ladainha e festejar São João Batista e em seguida, saem pelas ruas da cidade, dançando em frente às casas que tiverem fogueiras acesas.
O Boi Garantido está situado na antiga estrada Terra Santa, hoje Av. Lindolfo Monteverde, na tradicional Baixa do São José. Atualmente, um complexo arquitetônico da antiga Fabriljuta, localizado no km 1 da Rodovia Oduvaldo Novo, adquirido pela agremiação, abriga toda a estrutura de galpões, curral, diretoria e demais coordenadorias que fazem parte da administração do Bumbá conhecido como Cidade Garantido.
A brincadeira foi evoluindo e, em 1965, aconteceu o primeiro Festival Folclórico de Parintins, mas não houve participação dos Bumbás. A primeira disputa veio no segundo Festival, quando o Boi Garantido enfrentou o Contrário, vencendo, sagrando-se o primeiro campeão do Festival Folclórico de Parintins.
Em 1988, ano de inauguração do Bumbódromo, o Garantido, impulsionado pela força de sua galera e memoráveis toadas, vence o primeiro Festival realizado na atual arena. A grande inovação deste ano ficou por conta da Vaqueirada que, pela primeira vez, ostentou lanças enfeitadas com fitas de metaloide, substituindo o então tradicional papel de seda. No bloco musical, o destaque ficou por conta da toada ‟Mãe Catirina‟ que, tamanho o alvoroço causado na arquibancada vermelha do Bumbódromo, fez com que os engenheiros da arena deixassem a ilha na manhã do segundo dia de Festival por medo que a mesma desabasse. Parafusos foram achados nos corredores sob a arquibancada após o festival.
Em 1997, o sambista Jorge Aragão, compôs para o Garantido a toada “Parintins Para o Mundo Ver” que acabou se tornando o tema do boi para aquele ano, sendo mais um grande sucesso
daquele álbum que marcaria a vitória do Boi Garantido após três derrotas seguidas para o Boi Contrário.
Entre os principais compositores do Garantido, estão: o próprio Lindolfo Monteverde, Mestre Ambrósio, Venâncio, Nelson Bulcão, Vavazinho, Braulino Lima, Emerson Maia, Chico da Silva,
Tadeu Garcia, Paulinho Dú Sagrado, Inaldo Medeiros, Mencius Melo, Tony Medeiros, Helen Veras Filho, Demétrios Haidos, Geandro Pantoja, Cézar Moraes e recentemente Murilo Maia,
Enéas Dias, Emerson Faria Maia, Ronaldo Barbosa Júnior, Rafael Marupiara, Ademar Azevedo, Maurício Filho e Alfredo Campos.
Durante as três noites de apresentação no Festival de Parintins, há obrigatoriedades a serem cumpridas pelo regulamento estabelecido por ambos os bois. O Boi Garantido defende a cor vermelha, portanto, não pode apresentar nada com a cor azul e, vice-versa quando da apresentação do Boi Contrario que é azul, não pode apresentar nada que contenha vermelho.
As duas galeras azul e vermelha, não podem se manifestar durante a apresentação, com ofensas, gritos, zoadas, etc, sob pena de perder pontos. Isto nunca aconteceu. Este fenômeno social, de respeito pelo trabalho dos artistas, é compreendido pelo torcedor.

ASSOCIAÇÃO CULTURAL BOI BUMBÁ CAPRICHOSO
A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso, mais conhecida como ‟BOI CAPRICHOSO‟, é representada pelas cores azul e branca. Seu símbolo é a Estrela Azul, no qual exibe em sua testa desde 1996. É o Guardião da Floresta, no imaginário caboclo e do lendário dos povos indígenas. O nome, Caprichoso, teria um significado intrínseco a ele, isto é, pessoas cheias de capricho, trabalho e honestidade. O sufixo “oso”, significando provido ou cheio de glória. Quando somados, “capricho” mais “oso”, poder-se dizer que é extravagante e primoroso em sua arte. O local de realização dos festejos particulares, conhecido popularmente como curral, em Parintins, é chamado de Zeca Xibelão, uma homenagem ao primeiro Tuxaua do boi-bumbá Caprichoso, falecido em 1988, e se localiza na parte considerada como azul da cidade. Quem separa os lados de cada bumbá é a Catedral de Nossa Senhora do Carmo.
O Boi Caprichoso, baseada em algumas versões da tradição oral, dizem que o boi foi fundado por João Roque, Félix e Raimundo Cid, em 20 de outubro de 1913. Os três fundadores seriam irmãos, nascidos em Crato-CE, que se mudaram para Parintins devido ao Ciclo da Borracha. Ainda segundo esta versão, o boi recebeu esse nome devido à sugestão de um advogado, de nome José Furtado Belém, que conhecia um outro boi, de nome Caprichoso, que existia no bairro da Praça 14 de Janeiro, em Manaus. Defensores desta tese alegam ainda que “Touro Galante” seria o apelido do Caprichoso à época.
Por outro lado, alguns moradores antigos da cidade afirmam que na verdade, o Galante era um boi fundado em 1913, boi este que foi citado em canções de Lindolfo Monteverde, fundador do CONTRARIO, como seu então rival. O Galante teria sido criado por Emílio Vieira, o “Tracajá”. Após uma briga com os irmãos Cid, estes teriam criado o Caprichoso, em substituição ao Galante, de forma que seria o Caprichoso uma dissidência do Boi Galante, criado, não se sabe exatamente se em 1925 ou 1929.
Assim, desde então, de couro negro e luzidio, o boi Caprichoso saiu às ruas pela primeira vez, demarcando seu território azulado, brincado pelas ruas de Parintins, sob as luzes de lamparinas. O boi brincava, dançando estimulado pela cantoria do Amo e a euforia dos brincantes em número reduzido e lá se iam ao som da marujada de guerra, entoando seus desafios, incentivados pelos torcedores.
De vez em quando, uma parada para o ritual do tira a língua. O boi morria, atirado por pai Francisco para satisfazer o desejo de Mãe Catirina. Sua língua era retirada e vendida ao dono da casa. Assim, angariavam fundos para os festejos da morte do boi quando encerravam os folguedos juninos. Nascido das mãos de gente simples, logo ganha a simpatia de muitos, tornando-se assim, o presente do povo: pescadores, lavadeiras, pedreiros, compadres e comadres. Eram os seus primeiros brincantes.
De lá para cá, o Boi Caprichoso ganhou os quintais e as ruas, sempre brincando e alegrando gente pobre, negra, indígena e ribeirinha, refletida na estrela azul e branca da testa do Boi Negro da Ilha, lindo e popular. Sob lamparinas de Seu Lioca e cumprimento da promessa junina, fortalecia-se, aos poucos, uma festança popular que, ao longo das gerações, permitiu que os parintinenses sonhassem outros futuros, tecidos por meio dos saberes e da sensibilidade de sua gente cabocla, energizada na utopia e na busca de uma imaginada revolução oriunda desde nossa ancestralidade. Os artistas populares, com suas esculturas superlativas, ganharam o Brasil e o mundo, tornando o Boi Caprichoso, os mais aguerridos lutadores da cultura parintinense.
Em metamorfose ao ritmo tradicional e o ambiente do folguedo em espetáculo capaz de mobilizar multidões e de colocar em cena a louvação à Mãe Natureza, ao passo em que se denunciam as violações dos direitos dos povos da floresta. Valorizando a história de tantas memórias e camadas, diversas em etnias, gêneros, religiões e orientações sexuais. As ruas são galerias vivas de uma arte popular a nutrir e expandir a cultura nacional. Semeando arte em reinvenções permanentes, refazendo identidades, emoldurando ancestralidades com as demandas atuais que brotam da gente.
O Caprichoso é o bumbá que permanece se nutrindo em mais de cem anos, nos batuques libertários dos quilombos, em meio a marchas e acampamentos de povos originários, no suor de artesãos locais e nas expressividades dos que ousaram criar no meio da Amazônia, as estruturas gigantescas que que foram nomeadas nos saberes-fazeres de ousadia.
Este boi segue sustentando, em mais de 50 edições do Festival Folclórico, com os artistas do Boi-Bumbá Caprichoso, a função máxima da festa que é bradar a todos os cantos a luta
dos homens e das mulheres da floresta, transformando os anseios e sonhos do seu povo em luta: luta em poesia na chama viva da cultura popular do Boi Negro de Parintins.

Espero que tenham gostado.
Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am
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