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Desconfiança vigora no varejo

Confiança do Empresário do Comércio de Manaus segue em queda pela quarto mês seguido, aponta CNC/Fecomércio-AM

11 de março de 2025 às 12:42 Compartilhe

O otimismo dos lojistas de Manaus derreteu pelo quarto mês consecutivo, na passagem de janeiro para fevereiro.

Em sintonia com os desarranjos na inflação, no dólar e nos juros, a piora veio principalmente da visão dos comerciantes sobre as condições atuais da economia, se refletindo sobre as expectativas em relação ao andamento do setor e nas intenções de contratar e investir. Os dados locais do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), medidos pela CNC, confirmam ainda que a capital acompanhou a média nacional nessa comparação, embora ainda apresente melhora anual.

Foto: Divulgação

Desânimo veio principalmente das empresas que vendem bens semiduráveis

Manaus marcou 115,4 pontos de confiança empresarial da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, sendo que valores acima de 100 pontos indicam satisfação. A queda de 2,8% frente a janeiro (118,8 pontos) foi a mais intensa dos últimos quatro meses. O desânimo veio principalmente das empresas que vendem bens semiduráveis (-5%) e que contabilizavam até 50 trabalhadores (-2,9%). Já a comparação com fevereiro de 2024 (113,9 pontos) mostra um tímido avanço de 1,4%. Na média brasileira (103,7 pontos), o Icec prosseguiu com viés negativo, ao tombar 2,1% entre um mês e outro, e ficar 5,4% abaixo do patamar de 12 meses atrás.

O novo recuo no Icec ocorreu no mesmo mês da quarta queda seguida do índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias), conforme a CNC. Mas, a vontade de comprar só arrefeceu na propensão a adquirir bens duráveis, refletindo perspectivas mais refratárias para o consumo e um entusiasmo pouco além da estabilidade quanto ao emprego e acesso ao crédito. Medida pela mesma entidade, a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) marcou elevação no número de famílias de Manaus embarreira das por contas a pagar (80,6% ou 546.280 delas) e também entre as negativadas (41,4% ou 277.218), em janeiro.

Contratações e investimentos

Oito dos nove componentes do Icec regrediram em Manaus, entre janeiro e fevereiro, sendo que três estão no patamar de insatisfação. A maior retração veio das condições atuais da economia (-7,6%), embora a percepção sobre o comércio (-4,6%) e a empresa (-0,8%) também tenha derretido. As expectativas para setor (-5%), economia (-3,3%) e negócios (-2,1%) também caíram, com reflexos nos investimentos (-2,9%) e nas contratações (-0,8%). A única melhora veio da situação dos estoques (+1,2%), que segue em nível de insatisfação. Diante de fevereiro de 2024, há avanço apenas em seis componentes (especialmente nas admissões de funcionários).

Com a nova queda de confiança dos comerciantes nas condições atuais da economia (74,3 pontos), a soma das avaliações que apontam que a situação “piorou muito” (33,1%) e “piorou pouco” (29%) supera o somatório de comerciantes que garantem que “melhorou um pouco” (33,1%) e “melhorou muito” (5,9%). Em contrapartida, as visões predominantes a respeito da situação presente do comércio (93,2 pontos) e da empresa (110,3 pontos) ainda são de melhoras mais amenas (35,4% e 41,4%, na ordem). Mesmo com os resultados negativos nas expectativas, a sondagem ainda mostra um panorama relativamente melhor para um futuro sempre adiado. O percentual de comerciantes de Manaus que espera que economia brasileira (140,1 pontos) “melhore muito” (43,9%)ou pelo menos “um pouco” (30,1%) ainda predomina sobre os grupos que esperam “pouca” (14,2%) ou “muita” (11,7%) piora. As projeções que pesam mais para o comércio (142,9 pontos) e para as empresas (156,6 pontos) também são de progressos mais significativos (42,5% e 50,5%).

A despeito da diminuição no subindicador de contratações de funcionários (122,2 pontos), e da falta de uma data comemorativa mais forte no curto prazo, a maioria dos lojistas locais apontou que seus quadros devem aumentar “um pouco” (50,8%), seguidos de longe pelos que avaliam que irá “reduzir um pouco” (27,3% pontos). A visão predominante para o investimento (107,9 pontos) ainda é a de que ele será “um pouco maior” (34,6%). Mesmo com a melhora, a insatisfação segue como regra na situação de estoques (91,4 pontos): apenas 55,7% consideram que está “adequado”; 25,9% dizem que está acima do ideal; e 17,2% apontam que está abaixo do desejável.

Juros e cautela

O presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, avaliou que a sazonalidade e a piora na conjuntura macro econômica contribuem para o menor otimismo. “Já é tradicional que o primeiro semestre é realmente mais fraco, e tivemos um volume muito grande de chuvas, que prejudica bastante o movimento no varejo. Outra coisa que nos preocupa é a inadimplência do consumidor, pois a alta da taxa Selic deflagrou novos reajustes nos juros bancários, e os cartões de crédito dispararam. O aumento de preços provocado pela seca de 2024 também tem de ser levado em consideração, assim como a possibilidade de temos outra estiagem severa”, listou.

Em comunicado à imprensa, a CNC revela que o Icec nacional também sofreu recuos em quase todos os seus subíndices, especialmente os relativos à economia. “A redução da confiança é coerente com o ambiente de juros elevados e de trajetória mais complexa do que no início de 2024. Esses fatores seguem impactando as decisões do empresariado e exigindo cautela na condução dos negócios nos próximos meses. É algo a ser acompanhado de perto, já que o otimismo do setor é essencial para impulsionar os investimentos e gerar crescimento”, alertou o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

No mesmo texto, o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, detalha melhor esse cenário. “Os comerciantes têm sentido muito o impacto da Selic alta, com a tendência de novos aumentos. A prova disso é que na percepção atual do comércio, as atividades que englobam os bens de maior valor agregado (eletroeletrônicos, móveis e de corações, cine/foto/som, materiais de construção e veículos) caíram 5,3% em relação a janeiro porque são eles os mais afeta dos pela evolução dos juros”, finalizou.

 

Fonte: Jornal do Commercio/ Manaus 07.03.2025 / Caderno de Economia Pág. A5, (Por Marco Dassori).

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