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Portugal Vive Em Nós: Memória, Identidade E Futuro

Por Leonarda Safira Gaspar Pinheiro

23 de junho de 2026 às 14:18 Compartilhe

Celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é muito mais do que recordar uma data histórica. É celebrar uma herança viva, construída ao longo dos séculos e preservada através das famílias, das tradições, da língua, da fé e dos valores que unem milhões de pessoas em diferentes partes do mundo.

Durante a celebração realizada em Manaus, as palavras do presidente da Comunidade Portuguesa do Amazonas, Antônio Azevedo, ecoaram como um convite à gratidão e ao fortalecimento dos laços entre portugueses, descendentes e amigos de Portugal. Ao recordar a trajetória da comunidade portuguesa em terras amazônicas, destacou que preservar a cultura, as tradições e a memória dos antepassados é uma forma de manter viva a identidade lusitana para as futuras gerações.

Em sintonia com essa mensagem, o Cônsul de Portugal, Humberto Figueiredo, ressaltou o papel das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo como pontes entre continentes, culturas e gerações. O vice-governador do Amazonas e luso-brasileiro, Serafim Corrêa, emocionou ao recordar a contribuição dos portugueses para a formação da sociedade amazonense. A vice-cônsul de Portugal para a Região Norte do Brasil, Simone Amazonas, reforçou a importância da preservação da memória, enquanto o presidente da Confraria da Cultura Luso-Brasileira “Grão Vasco”, Jhonny Yuma, destacou a missão de manter viva a portugalidade por meio da cultura, da gastronomia e da convivência fraterna.

Um dos momentos mais enriquecedores da noite foi a palestra do jurista Jorge Henrique de Freitas Pinho. Inspirado nas palavras de Fernando Pessoa, “A minha pátria é a língua portuguesa”, conduziu uma reflexão sobre a identidade luso-brasileira na Amazônia, mostrando que a presença portuguesa continua viva nas instituições, na economia, na cultura e na alma amazônica.

Essa celebração possui para mim um significado profundamente afetivo. Meu avô, Alfredo Gaspar, nasceu em Casarias, uma vila do distrito de Coimbra. Meu pai, José Pereira Gaspar, também nasceu em Coimbra. São raízes que atravessaram o Atlântico e encontraram na Amazônia um novo lar, sem jamais perder a ligação com a terra de origem.

Ao meu lado, meu esposo, Bruno Loureiro Pinheiro, neto de portugueses, compartilha comigo o orgulho desta herança luso-brasileira. E na figura do nosso filho, Victor Gabriel Gaspar Pinheiro, vejo a continuidade dessa história. Representante de uma nova geração de luso-brasileiros, ele recebe de nós não apenas sobrenomes e memórias, mas o compromisso de amar, respeitar e preservar a cultura portuguesa.

Porque somos peregrinos do tempo. Estamos de passagem. Recebemos dos nossos antepassados um patrimônio imaterial precioso, composto pela língua, pela fé, pelos valores familiares, pelas tradições e pelo amor à terra dos nossos ancestrais. E cabe a nós transmitir esse legado às futuras gerações.

A ancestralidade não é apenas olhar para trás. É compreender quem somos, honrar aqueles que vieram antes de nós e preparar aqueles que virão depois. O passado nos oferece raízes. O presente nos convida à gratidão. E o futuro nos chama à responsabilidade.

Como família luso-brasileira, acreditamos que educar é também cultivar a memória. É ensinar às novas gerações o valor da língua portuguesa, o respeito às tradições, o amor pela história e o sentimento de pertencimento a uma comunidade que ultrapassa fronteiras e une continentes.

Em tempos de tantas mudanças, preservar a memória é um ato de esperança. Celebrar Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas é renovar o compromisso de manter viva uma herança que continua a unir povos, famílias e corações.

Porque a portugalidade não pertence apenas ao passado. Ela vive em nós. E viverá, pela graça de Deus, naqueles que virão depois de nós.

Leonarda Safira Gaspar Pinheiro

Luso-brasileira • Comunicadora

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