Fundada em 1978 com apenas três caminhões, a Transportes Bertolini cresceu junto com a cidade de Manaus e tornou-se um dos maiores conglomerados logísticos do Brasil. À frente dessa trajetória está o empresário Irani Bertolini, que conhece como poucos os desafios, e as oportunidades, de se operar em plena Amazônia.
Bertolini relembra o início difícil da operação e faz uma análise franca sobre o futuro da logística na região Norte, incluindo a polêmica reabertura da BR-319, rodovia que liga Porto Velho a Manaus. “Enfrentamos várias dificuldades. Em primeiro lugar, as estradas. Quando vínhamos por Cuiabá, Porto Velho, enfrentávamos 1.500 quilômetros de estrada de chão em condições péssimas”, lembra.
Segundo ele, mesmo com a estrada asfaltada na época, a operação era desgastante. “A gente saía às seis da manhã e chegava à noite aqui”. A partir do fechamento da BR-319, a logística foi obrigada a mudar completamente de rota. “Nós tivemos que voltar a trabalhar por Belém, enfrentando a navegação de Belém a Manaus, e isso representava custo. Além disso, não tinha balsa todos os dias. Às vezes, a gente ficava quatro, cinco dias esperando balsa”.
De acordo com ele, outro entrave à época era a burocracia dos despachos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (SEFAS-AM). A crescente demanda por transporte para Manaus impulsionou a expansão da empresa, que se desenvolveu acompanhando o ritmo e as exigências do mercado. Hoje, a Bertolini opera com diferentes modais e serviços. “Nós desenvolvemos projetos de logística para os clientes, transportamos rodoviário e fluvial, temos armazém de logística para armazenagem de mercadorias e temos também uma empresa que transporta cargas perigosas”.
A estrutura inclui também uma empresa especializada em carga-lotação. “Temos uma empresa que se chama ‘Eco logística’, que faz cargas-lotações daqui para o Sul e Sudeste, e do Sudeste para cá”.
Quando perguntado sobre a reabertura da BR-319, ele não hesita: “É uma grande oportunidade para a logística da região Norte, pois ela vai diminuir o capital de giro das indústrias e do comércio de Manaus no mínimo em cinco dias”. Bertolini também não acredita que o transporte fluvial perderá força. “Acho que a gente vai ganhar clientes, porque nós vamos ter mais eficiência e vamos trazer mercadoria com menos tempo e com menos problemas para fazer a entrega”.
A empresa já está preparada para essa mudança. “Os investimentos nós já temos, são os caminhões que trafegam o Brasil afora, a gente só vai mudar de rota”, comenta.
Em relação ao meio ambiente, o empresário diz que não vê “risco ambiental, pois a maior parte da BR-319 é igapó. Igapó de um lado e do outro. Então essa área não vai ser agricultura e nem pecuária nunca”.
Segundo Bertolini, a companhia já se antecipa com medidas de sustentabilidade. “Temos um grande projeto que compensa todo o CO₂ que emitimos e ainda gera um pequeno excedente de créditos de carbono, que pretendemos vender futuramente. Atualmente, preservamos mais de 200 mil hectares de floresta.”
Para Irani Bertolini, o futuro da logística na Amazônia já é promissor, e será ainda mais acelerado com a melhoria da infraestrutura: “Na época em que começamos, a embarcação levava 11 ou 12 dias para ir de Belém a Manaus. Hoje, o trajeto é feito em 5 dias e algumas horas. Com a BR-319, vamos ganhar mais 5 dias, o que trará grandes benefícios para a logística, os empresários, a indústria e o comércio”, conclui.
Comentários
-
15 set 2026
ACA participa de encontro da FIEAM com candidatos ao Governo do Amazonas sobre os desafios da indústria
-
Evento
14 set 2026
ACA contribui com ação do DIPVES em celebração ao Dia das Crianças do projeto Bombeiro Mirim em Iranduba
-
Evento
14 set 2026
ACA participa de debate nacional sobre impactos do split payment nos negócios
-
11 set 2026
ACA participa de reunião com presidente do BNDES sobre crédito e instrumentos de apoio às empresas do Amazonas