
A comunidade Portuguesa no Amazonas, especialmente em Manaus, tem uma longa e rica história, marcada pela influência dos portugueses na economia, cultura e sociedade local, especialmente durante a época do ciclo da borracha.
O resultado dessa expansão marítimo-comercial foi a conquista de novas terras para Espanha e Portugal.
Essa presença portuguesa é evidente em diversos aspectos, como a influência no comércio, a fundação de instituições como o Hospital da Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas e a existência de clubes sociais e esportivos.
Assim, Pinzón foi o primeiro europeu a chegar ao Rio Amazonas, o qual denominou “Santa Maria de La Mar Dulce”.
Esse fato gerou tensões e conflitos e, por essa razão, foi assinado o Tratado de Tordesilhas em 7 de julho de 1494. O tratado consistia numa linha imaginária que passava a 370 léguas ao oeste do arquipélago de Cabo Verde (África).
Esse meridiano dividiu o mundo para Portugal e Espanha: as terras ao leste seriam portuguesas e as terras ao oeste seriam espanholas.
Assim, grande parte do que você conhece hoje como Amazônia, incluindo a região do Tapajós e a Calha Norte, pertencia formalmente aos espanhóis no século 16.
De fato, a linha imaginária passava próximo da cidade de Belém. Portanto, quase todo o Estado do Pará e o restante da Amazônia pertencia à Espanha.
Depois de Pinzón, outros aventureiros europeus exploraram o percurso do rio Amazonas nos séculos 16 e 17.
Dois desses exploradores se destacaram: o espanhol Francisco de Orellana (1542) e o português Pedro Teixeira (1637).
Francisco de Orellana – O primeiro viajante espanhol a chegar à região do rio Amazonas. Ele conduziu a primeira expedição ao rio da região da Estremadura, que inicialmente seguia a expedição de um outro espanhol, Gonzalo Pizarro, ao longo do rio Napo (no Peru).
Um dos objetivos de Orellana era atingir o El Dourado, um reino imaginário repleto de ouro governado por um nativo, o Homem Dourado, que recebia os visitantes coberto com pó de ouro. Imaginava-se que o El Dourado ficava no Planalto das Guianas, região entre a Venezuela, a Guiana e o Brasil (no atual Estado de Roraima).
A crônica de Carvajal revelou para o mundo que sociedades populosas e bem organizadas estavam presentes ao longo rio Amazonas. Entretanto, durante muito tempo, pesquisadores duvidaram da objetividade desses relatos, considerando-os exagerados. Essa informação de que a Amazônia pré-colombiana era densamente povoada somente foi confirmada recentemente por meio das pesquisas arqueológicas.
Entretanto, aos poucos, durante o século 16, os aventureiros espanhóis foram desistindo de conquistar o vale do Amazonas, provavelmente por não terem encontrado ouro e outros metais e porque já tinham conquistado a riqueza dos incas no Peru.
Além disso, os Andes eram uma barreira para chegar às cabeceiras do Amazonas. Restaram na região apenas os missionários religiosos.
Os portugueses, por outro lado, estavam dispostos a avançar as fronteiras e desrespeitar o Tratado de Tordesilhas. Quase um século mais tarde, em 1637, foi a vez do explorador português Pedro Teixeira realizar uma das viagens épicas ao longo do rio Amazonas.
Pedro Teixeira – O Estado do Maranhão e Grão-Pará, fora criado em 1621 pelos portugueses. Em 1637 era governado pelo Comandante-mor Jácomo Raimundo de Noronha que, na época, decidiu enviar uma expedição ao rio Amazonas com cerca de 2 mil pessoas, a maioria indígenas.
Essa expedição – com o objetivo de firmar uma fronteira entre o Grão-Pará e o território que incluía o Peru, Equador, Colômbia e Brasil partiria de Cametá, no Pará, até Quito.
Pedro Teixeira foi escolhido para comandá-la. Ele também foi instruído a verificar locais para a construção de fortes, manter a disciplina dos seus homens e tratar de forma amistosa os índios.
Além disso, recebeu uma instrução secreta que deveria ser aberta somente na volta da expedição. O jesuíta Cristóbal de Alcuña foi o relator da viagem de volta de Pedro Teixeira e registrou o que ocorreu em Aguarico (no Equador) antes da expedição descer o Napo e o Amazonas até atingir o Pará novamente.
O Estado do Maranhão e Grão-Pará foi criado por carta régia de 13 de junho de 1621. Era independente do Estado do Brasil e estava diretamente subordinado à Lisboa.
Entre 1626 e 1775, compreendia os atuais Estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas. A capital era São Luís do Maranhão, embora Belém do Pará representasse no final do século 17 importante centro comercial.
Exceto o Estado do Acre que foi colonizado pelos espanhóis e pertenceu à Bolívia até o início do século 20. A sua incorporação ao território nacional ocorreu somente em 1902.
A partir de 1775, o Estado foi desmembrado e passou a se chamar Estado do Grão-Pará e Maranhão.
A Real Audiência de Quito ou Reino de Quito foi uma unidade administrativa do Império Espanhol que abrangia os territórios que hoje incluem o Equador, partes do norte do Peru, sul da Colômbia e norte do Brasil.
Entretanto, de fato, o avanço da ocupação portuguesa para o oeste da Amazônia começou em 1657, quando o cabo Bento Maciel Parente, no comando de uma tropa de resgate de índios, partiu de São Luís para chegar meses depois às margens do Tarumã, na região do rio Negro (atual Estado do Amazonas).
A tropa fixou-se por algum tempo na foz do rio Tarumã, onde foi fincada uma cruz e rezada uma missa.
Durante todo o período de colonização na Amazônia (1600–1823), os portugueses expulsaram outros europeus (principalmente os espanhóis) da região, construíram fortes, formaram Vilas e Cidades e converteram uma parte dos indígenas sobreviventes ao cristianismo. Além disso, forçaram os nativos a trabalhar nas plantações, nas coletas das drogas do sertão, como remadores de canoas nas viagens e como soldados na defesa e posse do território.
A verdade é que, para reconhecer-se em toda a sua extensão, em todo o seu significado e em todas as suas minúcias, o que tem sido a ação dos portugueses no Brasil é fundamentalmente indispensável saber como eles aqui chegaram, como se aclimataram e de que forma exerceram sua natural tutela sobre as populações indígenas, qual foi a sua diretriz sob o ponto de vista civilizador e com que recursos se serviram para ocupar e colonizar tão enorme trato de terreno, muitas e muitas vezes superior a pequena grande nação do extremo da Europa, de onde vieram e como defenderam a terra das investidas de piratas audaciosos e de conquistadores exóticos, preservando o Brasil em sua soberba integridade para que, chegada a hora lógica da Independência, não estivesse desfalcado em um só palmo e pudesse ser uma das maiores e mais ricas nações de todo o mundo.
Cumpre ver como eles aqui trabalharam e continuam trabalhando, como concorrem para a formação étnica da nacionalidade, imprimindo, quer pela comunidade da língua e dos sentimentos, quer pelo caldeamento operado pela formação de famílias, o caráter nitidamente lusíada. De importância capital é o fato de terem, com a unidade religiosa que implantaram, criado as mais remotas e profundas raízes da unidade nacional, visto que, nas grandes lutas contra franceses e holandeses, essa unidade religiosa desempenhou o mais saliente de todos os papéis.
“O Amazonas – diz o ilustre amazonólogo e historiador Arthur César Ferreira Reis – experimentava a época, a euforia dos bons ventos”.
Colonização: A Amazônia nos séculos 17 e 18 – A conversão dos índios e a sua “descida” para as Vilas e Aldeias Portuguesas, afetou as diferentes culturas e modos de produção das populações indígenas que viviam nas margens do rio Amazonas e seus afluentes. Nesse período houve esvaziamento das aldeias porque muitos indígenas deixavam de trabalhar para a sua própria família e comunidade para se dedicar às colônias e, principalmente, porque a grande maioria foi morta por doenças, guerras e excesso de trabalho.
“Descida” era a palavra usada quando os missionários conseguiam convencer indígenas a abandonar suas aldeias para viver em comunidade com os portugueses seguindo as suas regras católicas e seu sistema de produção.
Nas Vilas e Aldeias amazônicas, na primeira fase da colonização (1600 – 1700), os portugueses passam a desenvolver e refinar as práticas comerciais e políticas já aplicadas nas suas colônias da África e Índia.
Por exemplo, a coleta das drogas do sertão/feitorias, o sistema de capitanias e as missões religiosas.
Desde o início da colonização portuguesa, o Brasil estava dividido em capitanias hereditárias, ou seja, terras brasileiras doadas para nobres e pessoas de confiança do rei de Portugal, nomeados donatários.
Os seus objetivos eram colonizar e defender o território e administrar os índios. Aos donatários era permitido explorar as riquezas minerais e vegetais da Amazônia. E as terras, doadas pelo Rei, passavam de pai para filho.
No Estado do Maranhão e Grão-Pará, as principais capitanias estavam sob a jurisdição direta da Coroa Portuguesa, mas algumas de suas capitanias subsidiárias pertenciam aos capitães donatários.
Esse sistema de capitanias na Amazônia começou a ruir no final do século 17, quando o Estado do Maranhão e Grão-Pará lutava para sobreviver com poucos recursos e mão de obra escassa. A colônia, nessa região, estava abandonada pela Coroa Portuguesa e, com pouca atividade comercial, as famílias ficavam sobrecarregadas com suas despesas.
Empobrecidos, os poucos colonos brancos dependiam do trabalho dos índios escravos, obtidos pelas tropas de resgate, os quais ajudavam a manter os negócios.
Diferente de outras colônias no restante do Brasil havia poucos escravos negros no Maranhão e Grão -Pará. E, agravando ainda mais a situação, em 1690, uma terrível epidemia de varíola devastou a força de trabalho indígena. Nesse período, Portugal também enfrentava uma grave crise econômica.
História – No inicio do Século XX, Manaus ainda possuía forte presença da colônia portuguesa, que fundou alguns clubes esportivos e sociais na capital amazonense, um destes, o Luso Sporting Club, existe até hoje.
Os demais foram se perdendo com o tempo.
Dentre os clubes de vida curta estavam o Club Vasco da Gama e o Onze Português. O primeiro disputou a histórica primeira edição da primeira divisão do Campeonato Amazonense de Futebol, o segundo, disputou apenas nas divisões inferiores.
Esses dois clubes resolveram fazer uma fusão em 1915, dando assim nascimento à União Esportiva Portuguesa, que a partir dali se tornaria uma das equipes mais tradicionais do futebol amazonense nos seus primeiros 50 anos de história.
Luso Sporting Club: a história da sociedade portuguesa no Amazonas.
O espaço leva seus visitantes a ficarem horas diante de fotografias e objetos que tiveram participação de portugueses que souberam escrever suas histórias na região.
O museu Luso Sporting Clube leva seus visitantes a ficarem horas diante de fotografias e objetos que tiveram participação de portugueses que souberam escrever suas histórias.
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Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas

Comendador José Teixeira de Souza, fundador e primeiro Presidente. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

É essa ação constante, metódica, consciente, heroicas algumas vezes, abnegadas outras e amiga sempre e sempre útil, que destacamos a fundação da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas. O Brasil sabe para onde vai, justamente porque sabe de onde veio.
A aliança luso-brasileira não depende de tratados, porque está nos glóbulos sanguíneos de todos nós, afinal falamos a mesma língua.
Somos dois povos absolutamente independentes, vivendo em continentes diversos, separados unicamente por um grande oceano, mas, somos uma só Raça: “Lusíadas do Brasil”.
O Conhecimento destas circunstâncias constitui o mútuo e legítimo orgulho de brasileiros e portugueses, especialmente os nascidos no Amazonas: o daqueles pela ascendência que tiveram, o destes pela obra que iniciaram e prepararam.
No conjunto dessa obra formidável, que é o Hospital Português de hoje, encontra-se sempre de porta aberta promovendo a saúde de nosso Estado.
O Tenente Coronel José Coelho de Miranda Leão, Presidente da Câmara Municipal da época, teve seu papel de suma importância na vida inicial da Real e Benemérita Sociedade Beneficente Portuguesa do Amazonas, ele expediu o “auto da concessão” do terreno, que tinha 9.952 m2, no Largo da Uruguaiana.
Concedido o terreno, o então Presidente José Teixeira de Souza desdobrou-se no sentido de implantar o hospital, chegando a lançar a pedra fundamental a 16 de agosto de 1874, pedra fundamental que representa o grande símbolo do velho sonho que só veio se concretizar 20 anos depois e em outro local bem distante.
No dia 17 de dezembro de 1893, inaugurava-se o hospital na sede atual, na antiga estrada Corrêa de Miranda, hoje Av. Joaquim Nabuco, inaugurada na Presidência em exercício do Sr. Francisco Nicolau dos Santos, cuja, inauguração recebeu a honrosa presença do então Governador Eduardo Gonçalves Ribeiro.

LUSO SPORTING CLUB

O clube foi idealizado por um grupo de comerciantes portugueses para a prática do futebol, liderados por Francisco Gomes Rodrigues.
Esses se reuniram na residência do último, situada à Rua Monsenhor Coutinho, e em 1º de Maio de 1912 fundaram a agremiação com nome de Luso Foot-Ball Club, nomenclatura que utilizou em seus primeiros anos.
A casa de Gomes Rodrigues foi a primeira sede do clube.

Espero que tenham gostado.
FONTE: Wikipédia, Google, imozon, INSTITUTO DURANGO DUARTE.
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista”
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