
Vista do então balneário do Parque Dez de Novembro. Local de lazer das famílias manauaras, que se dirigiam ao local para amenizar o calor em Manaus, década de 1960. / Foto Acervo: Arquivo Público Municipal de Manaus.
O Balneário do Parque Dez de Novembro em Manaus, era um popular local de lazer na década de 1930, que possuía piscinas naturais no igarapé do Mindu, quadras, restaurante e zoológico.

O balneário foi desativado na década de 1970 devido ao acúmulo de lixo e poluição e, hoje, só existe nas memórias de quem o frequentou.
O que era o Balneário do Parque Dez de Novembro?
- Localização: Situava-se no bairro Parque Dez de Novembro, com acesso pela rua Recife, que descia do bairro de Adrianópolis, e hoje a área é um estacionamento.
- Estrutura: Oferecia uma piscina natural abastecida pelas águas do igarapé do Mindu, um zoológico, quadras de esportes e um restaurante.
- Popularidade: Era um dos destinos favoritos das famílias manauaras, sendo um marco na vida da cidade durante seu auge. Por que foi desativado?
- Poluição e lixo: A partir de meados da década de 1970, os frequentadores começaram a reclamar do acúmulo de lixo e da poluição das águas, que já causavam doenças em quem frequentava o local.
- Abandono: Apesar de planos do então prefeito Jorge Teixeira de construir uma piscina olímpica, o local foi desativado e abandonado, caindo em desuso.
Situação atual – Memória e memória:
Atualmente, o balneário é apenas uma lembrança para as gerações mais antigas de Manaus, que o aproveitaram em seu tempo de glória.
- Um espaço histórico: A área onde ficava o balneário é hoje um estacionamento, mas a memória do local ainda é mantida viva em redes sociais e por pessoas que o viveram.
O bairro Parque Dez de Novembro carrega em seu nome uma data marcante: o dia 10 de novembro de 1937, que marcou o início do Estado Novo, um dos regimes mais repressivos da história brasileira.
Sob o comando de Getúlio Vargas, o Congresso Nacional foi fechado, liberdades individuais suprimidas e uma onda de presos políticos se espalhou pelo país.
Apesar do contexto político adverso, Manaus testemunhou a criação do Balneário do Parque Dez, uma área de lazer estruturada para oferecer às famílias amazonenses um espaço de descanso e diversão, em meio à natureza abundante.
A Estrutura do Balneário: Lazer e Natureza em Harmonia – Inaugurado durante a gestão do engenheiro-agrônomo Antônio Botelho Maia, prefeito de Manaus entre 1937 e 1940, o balneário foi projetado para ser um ponto de encontro para as famílias da região.
Localizado em uma vasta área verde de 50 hectares, o espaço era abastecido pelas águas cristalinas do igarapé do Mindu, que preenchiam uma piscina natural irresistível.
Além disso, o local contava com um zoológico, quadras esportivas e um restaurante especializado em culinária regional, oferecendo opções para todos os gostos.
O acesso ao balneário era feito pela rua Recife, que descia de Adrianópolis até o Parque Dez, em uma pista pavimentada de cimento. Nas proximidades, onde hoje está a avenida Efigênio Sales, existia uma vereda conhecida como V-8, que levava a inúmeras chácaras às margens do igarapé.
Estas propriedades possuíam banhos particulares, mas o Balneário do Parque Dez se destacava como o ponto central de lazer da região.
O Balneário na Memória de Manaus – Na década de 1940, o balneário tornou-se um dos destinos favoritos das famílias manauaras, que buscavam aliviar o calor típico da região.
O espaço era um programa de final de semana comparável à Praia da Ponta Negra nos dias atuais. Uma edificação em estilo colonial dominava o cenário, abrigando um bar com avarandado, um salão de dança, vestiários e áreas para orquestras.
A combinação de diversão, gastronomia e natureza transformava o local em um verdadeiro refúgio para os habitantes de Manaus.
Declínio e Abandono: Infelizmente, o avanço do “desenvolvimento” trouxe consigo a degradação do balneário. Na década de 1970, o espaço foi desativado.
O igarapé do Mindu, que antes oferecia águas limpas e refrescantes, foi poluído pela expansão urbana.
O que antes era um símbolo de lazer e convivência agora está resumido a ruínas, com estruturas abandonadas e sujeitas a depredação.
Muitos manauaras ainda se recordam com saudosismo do tempo em que o Balneário do Parque Dez era um ponto de reunião para a comunidade.
Em depoimento, um antigo frequentador lamenta a perda do espaço: “Participei muito desse balneário. Tomei muitos banhos lá e lembro que até tinha um zoológico. O fim do balneário aconteceu em prol do dito ‘desenvolvimento’’. ‘’Hoje, é triste ver o estado de abandono e a poluição do igarapé”.
Lembranças de um Passado de Ouro: Apesar do abandono, o Balneário do Parque Dez permanece vivo na memória de Manaus como um dos ícones de lazer das décadas passadas. Era um espaço onde as famílias se conectavam, celebravam e desfrutavam da natureza exuberante da Amazônia. Suas ruínas são um lembrete da importância de preservar os espaços públicos e naturais para as gerações futuras.
O desaparecimento do Balneário do Parque Dez também serve de alerta para outras regiões da Amazônia, como Presidente Figueiredo, onde os balneários ainda resistem, mas enfrentam desafios semelhantes. É necessário investir em medidas de conservação para evitar que esses patrimônios também se tornem apenas memórias.
Conclusão: O Balneário do Parque Dez foi mais do que um espaço de lazer; foi um marco cultural e histórico de Manaus.
Hoje, sua lembrança inspira reflexões sobre o valor da conservação e do respeito ao meio ambiente. Resta aos manauaras manter viva a memória desse lugar especial e lutar para preservar o que ainda é possível, garantindo que as futuras gerações também tenham espaços para criar memórias inesquecíveis.

Comentários
-
15 set 2026
ACA participa de encontro da FIEAM com candidatos ao Governo do Amazonas sobre os desafios da indústria
-
Evento
14 set 2026
ACA contribui com ação do DIPVES em celebração ao Dia das Crianças do projeto Bombeiro Mirim em Iranduba
-
Evento
14 set 2026
ACA participa de debate nacional sobre impactos do split payment nos negócios
-
11 set 2026
ACA participa de reunião com presidente do BNDES sobre crédito e instrumentos de apoio às empresas do Amazonas