
Foto: Gilda Barbosa
A Associação Comercial do Amazonas (ACA) promoveu, na manhã desta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, em sua sede, mais uma edição do Café da Manhã Institucional, desta vez com a participação do Capitão Alberto Neto, candidato ao Senado Federal; Delegado Péricles, candidato a deputado estadual; e Coronel Rosses, candidato a deputado federal. O encontro reuniu empresários, dirigentes, representantes de entidades de classe e profissionais de diferentes segmentos para ouvir propostas e apresentar demandas relacionadas ao desenvolvimento econômico e social do Amazonas.
Conduzida pelo presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, a programação reforçou o papel histórico da entidade como espaço de diálogo entre o setor produtivo e representantes do poder público. Na abertura, Bruno destacou a trajetória de 155 anos da Associação, sua atuação em defesa dos interesses empresariais e o reconhecimento institucional conquistado ao longo de sua história, incluindo o recente título de Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas.
Ao longo do encontro, representantes do comércio, da indústria, dos serviços, da engenharia, da contabilidade, do cooperativismo e de outras áreas puderam apresentar questionamentos e sugestões aos candidatos. Entre os principais assuntos debatidos estiveram a Zona Franca de Manaus (ZFM), Reforma Tributária, burocracia, crédito, BR-319, infraestrutura logística, dragagem dos rios, segurança nas fronteiras, desenvolvimento dos municípios do interior, inovação, saúde e empreendedorismo feminino.
Zona Franca de Manaus e Reforma Tributária
A defesa e o fortalecimento da Zona Franca de Manaus estiveram entre os principais temas do encontro. Durante sua exposição, Alberto Neto destacou a importância da articulação política e institucional para a preservação do modelo econômico e reconheceu a participação da ACA nas discussões relacionadas à Reforma Tributária.
Segundo o candidato, a atuação de entidades do setor produtivo e da bancada amazonense foi importante para aperfeiçoar pontos da proposta durante sua tramitação e assegurar tratamento adequado às atividades industriais e comerciais vinculadas ao modelo.
Bruno Pinheiro também recordou que as discussões em torno da Zona Franca fazem parte da própria história da Associação Comercial do Amazonas. Conforme registrado durante o encontro, documentos e atas da entidade já abordavam a necessidade de um modelo de desenvolvimento econômico para a região desde 1951, antes da consolidação da atual estrutura da ZFM.
O Delegado Péricles também chamou atenção para a necessidade de acompanhamento permanente das novas regras tributárias. Em sua manifestação, afirmou que os efeitos da Reforma Tributária e das decisões relacionadas ao novo sistema de tributação deverão ser observados com atenção para que o Amazonas preserve suas vantagens competitivas.
Ambiente de negócios e redução da burocracia
A melhoria do ambiente de negócios foi uma das principais demandas apresentadas pelos representantes empresariais.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação, Pedro Monteiro, chamou atenção para o número de exigências administrativas e ambientais enfrentadas pelas empresas e questionou quais medidas poderiam ser adotadas para reduzir custos e tornar o processo de empreender mais eficiente.
Em resposta, Alberto Neto defendeu maior automatização e digitalização dos processos públicos, redução da burocracia e revisão de procedimentos que, segundo ele, dificultam investimentos e expansão das empresas. O candidato também relacionou o tema à necessidade de criar condições regulatórias e tributárias mais favoráveis aos pequenos negócios e à geração de empregos.
Ao abordar as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho e na escala 6×1, Alberto Neto afirmou ser favorável à redução da jornada, mas defendeu que eventuais alterações sejam acompanhadas de medidas que reduzam os custos incidentes sobre a folha de pagamento, especialmente para micro e pequenos empreendedores.
Logística, BR-319 e infraestrutura
As dificuldades logísticas do Amazonas também ocuparam espaço significativo no debate.
Ao responder a questionamentos sobre o desenvolvimento do interior, Alberto Neto defendeu investimentos em portos, aeroportos, rodovias e integração entre os municípios. Segundo ele, as características territoriais do Estado exigem soluções específicas, considerando que os rios funcionam como importantes vias de transporte para grande parte da população e da atividade econômica.
O candidato também defendeu planejamento permanente para a dragagem dos rios, argumentando que as intervenções precisam ocorrer de forma preventiva, e não apenas durante períodos críticos de estiagem. A BR-319 foi citada como infraestrutura estratégica para ampliar a integração do Amazonas com o restante do país e diminuir o isolamento logístico da região.
As manifestações reforçaram uma preocupação recorrente do setor produtivo amazonense: os efeitos dos custos logísticos sobre abastecimento, competitividade, formação de preços e atração de novos investimentos.
Segurança pública e fronteiras

Foto: Gilda Barbosa.
A segurança pública também foi discutida sob uma perspectiva econômica.
Representantes presentes questionaram os candidatos sobre o fortalecimento das estruturas de segurança nas regiões de fronteira, especialmente diante dos impactos do tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas.
Alberto Neto defendeu a recuperação de bases estratégicas e investimentos em tecnologia e unidades especializadas para atuação nas fronteiras amazônicas. Em sua avaliação, a ampliação da estrutura de segurança também contribuiria para melhorar as condições de desenvolvimento econômico no interior.
Coronel Rosses, por sua vez, relacionou os problemas de segurança aos custos suportados diariamente pelas empresas, citando investimentos em câmeras, cercas, proteção patrimonial e prejuízos decorrentes de roubos e furtos de mercadorias. O candidato defendeu o fortalecimento do controle das fronteiras e maior integração entre os órgãos responsáveis pela segurança.
Rosses também apresentou propostas relacionadas à utilização de recursos tecnológicos e estruturas móveis para atendimento das regiões mais distantes do Estado, incluindo aeronaves adaptadas às características geográficas da Amazônia.
Desenvolvimento do interior, tecnologia e novas matrizes econômicas
Durante o Café Institucional, também foram discutidas alternativas para diversificar a economia do Amazonas e ampliar as oportunidades fora da capital.
Alberto Neto mencionou setores como mineração, potássio, gás, petróleo, terras raras, agricultura, turismo, tecnologia e inovação como áreas com potencial para contribuir para o desenvolvimento dos municípios.
Ao tratar de inovação, defendeu maior integração entre as riquezas naturais do Amazonas, universidades e centros de pesquisa, com investimentos em conhecimento e tecnologia capazes de agregar valor aos recursos produzidos na região.
O candidato também ressaltou que a preservação da Zona Franca deve caminhar ao lado da construção de novas matrizes econômicas, considerando as transformações tecnológicas e econômicas previstas para as próximas décadas.
Empreendedorismo feminino

Foto: Gilda Barbosa
A pauta das mulheres também esteve presente durante a programação.
Safira Gaspar Pinheiro, representante do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura do Amazonas (CMEC-AM), destacou a aprovação da Lei nº 8.468/2026, que instituiu o Dia Florescer da Autoestima da Mulher, celebrado anualmente em 21 de setembro.
A iniciativa teve origem em proposta apresentada pela ACA e pelo CMEC-AM e contou, durante sua tramitação, com a relatoria do Delegado Péricles. Safira agradeceu a contribuição parlamentar e questionou os candidatos sobre políticas públicas e projetos destinados ao fortalecimento do empreendedorismo feminino, especialmente para mulheres que estão iniciando seus negócios.
Engenharia e valorização profissional
O presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Amazonas, Hugo Tavares, também utilizou o espaço para apresentar uma demanda relacionada à modernização da legislação que regulamenta as profissões da área de engenharia.
Durante sua manifestação, destacou a necessidade de atualização da Lei nº 5.194/1966 e pediu continuidade no acompanhamento da matéria em tramitação no Congresso Nacional.
Bruno Pinheiro ressaltou, na ocasião, que a ACA reúne diferentes setores econômicos e profissionais, abrangendo comércio, indústria, serviços e profissionais liberais, e que as demandas apresentadas pelas categorias também integram o espaço de diálogo promovido pela entidade.
Delegado Péricles destaca atuação na legislação e na saúde

Foto: Gilda Barbosa
Em sua exposição, o Delegado Péricles apresentou ações desenvolvidas durante seu mandato na Assembleia Legislativa, destacando sua atuação como presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).
O parlamentar mencionou o trabalho de revisão de normas consideradas desatualizadas ou de difícil aplicação e afirmou que a iniciativa denominada “Revogaço” resultou na revogação de 31 leis que, segundo ele, geravam entraves para empresas ou para a população.
Péricles também apresentou ações na área de saúde, mencionando recursos destinados a unidades hospitalares, prevenção do câncer do colo do útero, mutirões de atendimento no interior e procedimentos oftalmológicos. Os números e resultados foram apresentados pelo próprio parlamentar durante sua exposição.
Diálogo com o setor produtivo
Coronel Rosses ressaltou durante sua participação a importância de manter aproximação contínua com empresários e entidades representativas.
Segundo ele, a interlocução com organizações como a Associação Comercial permite conhecer de forma mais direta as dificuldades enfrentadas por quem gera emprego, investe e mantém atividades econômicas no Estado.
Entre os assuntos mencionados pelo candidato estiveram mobilidade urbana, segurança, infraestrutura e revitalização de áreas comerciais. Rosses citou, entre outros exemplos, uma proposta relacionada à revitalização do Vieiralves, envolvendo melhorias urbanísticas e participação dos comerciantes locais.
ACA fortalece espaço democrático de interlocução
Ao promover mais uma edição do Café da Manhã Institucional, a Associação Comercial do Amazonas amplia o diálogo entre o setor produtivo e os representantes que participam do processo eleitoral, criando oportunidades para que empresários e entidades conheçam propostas e, ao mesmo tempo, apresentem diretamente suas demandas.
A programação foi marcada pela participação ativa dos presentes, com questionamentos relacionados a diferentes áreas da economia e da administração pública.
A ACA mantém, dessa forma, sua atuação como espaço de interlocução, debate e defesa das pautas de interesse do setor produtivo, contribuindo para que temas como Zona Franca de Manaus, logística, segurança jurídica, infraestrutura, geração de empregos e desenvolvimento regional permaneçam no centro das discussões sobre o futuro econômico do Amazonas.

Foto: Gilda Barbosa
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