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ICBEU E COMITÊ ISRAELITA SEDIAM MOSTRA “JUDEUS NA AMAZÔNIA”

Por Osíris M. Araújo da Silva

31 de agosto de 2026 às 18:25 Compartilhe

O Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU), conduzido pela superintendente Cláudia Malheiros sediou, na sexta-feira, 28 de agosto, a abertura da exposição “Judeus na Amazônia”, produzida pelo Museu Judaico de São Paulo, instituição que cultiva e defende a diversidade das expressões da cultura judaica em diálogo com o contexto brasileiro e com o contemporâneo, enfatizando a defesa dos direitos humanos, o combate ao antissemitismo e a todas as formas de preconceito. Maior exposição realizada desde sua inauguração em 2021, a mostra expõe mais de 200 obras de arte, vídeos, documentos históricos e fotográficos, que permanecerá  em cartaz até 6 de dezembro de 2026. Segundo seus organizadores, “o projeto propõe um olhar ampliado sobre como a cultura judaica se ambientou em diferentes localidades, influenciando e sendo influenciada, preservando suas raízes ao mesmo tempo em que se mescla às idiossincrasias culturais e religiosas predominantes na Amazônia colonial no século XIX, desde quando, em pleno ciclo econômico do extrativismo, consideráveis fluxos de imigrantes judeus originários do Marrocos aqui aportaram”.

Durante a solenidade de abertura, destinada a convidados especiais, dentre os quais Sérgio Band, presidente do Comitê Israelita do Amazonas (CIAM), órgão máximo da comunidade judaica há 96 anos ativo; o cônsul de Israel no Amazonas, Jaime Benchimol, presidente da Fogás, e o presidente da Bemol, uma das empresas líderes patrocinadoras do evento, Denis Minev, foi conduzida pela estrela das comunicações amazonenses, Daniela Assayag, quando foram apresentados concertos de violino de músicos da Orquestra Sinfônica do Amazonas e de sax e baixo, do Museu Judaico. A curadoria da mostra é de Aldrin Figueiredo, Ilana Feldman, Renato Athias e Mariana Lorenzi, responsável por sua itinerância em  Manaus.

Ilana Minev, presidente do Conselho de Administração da Bemol, em contundente e emotiva saudação à comunidade judaica e à sociedade amazonense, inicialmente afirma: “Quero começar agradecendo ao Museu Judaico e à sua equipe, que nos entregam esta tarde muito mais do que uma exposição: entregam um ato de memória. E agradeço à pessoa de Piatã Kignel, representante do Museu nesta cerimônia, que acompanhou de perto cada passo desta jornada. Esta abertura é a realização de um sonho construído ao longo de mais de dois anos, para que a Região Norte pudesse receber uma exposição desta grandeza. E ela não existiria sem seus curadores, a quem agradeço por transformarem pesquisa, acervo e sensibilidade na narrativa que vamos percorrer hoje. Agradeço aos parceiros que, junto com a Bemol, tornaram este momento possível, a Gera Amazonas e o ICBEU, e a cada pessoa que dedicou tempo, talento e coração ao projeto”.

Ilana é enfática: “saúdo o Comitê Israelita do Amazonas, o nosso CIAM, guardião dessa história há quase um século; nada do que celebramos hoje teria chegado até nós sem a sua dedicação. E cumprimento, com um carinho especial, as famílias aqui presentes: somos a continuação viva da história que esta exposição celebra”. Na verdade, uma ode dedicada a homenagear as primeiras famílias judias que há aproximadamente duzentos anos deixaram o Marrocos e atravessaram o Atlântico para recomeçar a vida na Amazônia, tangidas por séculos de perseguição e de reclusão, aqui encontraram, nesta floresta e nestes rios, uma terra que as acolheu. É essa história que o Museu Judaico traz hoje para Manaus. E é dela que todos nós fazemos parte”, afirma.

A saga encontra-se documentada no livro “Eretz Amazônia, a Nova Terra da Promissão”, de seu avô, o mestre Samuel Benchimol, que dedicou a vida a estudar a cosmologia amazônica. Esta tarde, ressalta Ilana, quero deixar que as palavras dele nos conduzam. Ele contava que aquelas famílias repetiram a história do êxodo bíblico em busca da sua Terra da Promissão, e resumiu essa saga assim: “A história dos judeus na Amazônia é longa, sofrida, pioneira e grandiosa.”

“Para o Museu Judaico de São Paulo, a itinerância de Judeus na Amazônia marca uma nova fase de uma pesquisa construída com muito fôlego e interesse por mais de 2 anos. Apresentar a exposição em Manaus, território de extrema relevância para essa história, significa reconhecer que o conhecimento produzido a partir do Museu não se encerra em uma exposição. Ao contrário, é na escuta do público local, de suas histórias e leituras, que essa investigação pode ganhar novos contornos e continuar se desdobrando”, assinala Patricia Wagner, diretora de Curadoria e Participação do MUJ.

Para Claudia Malheiros, superintendente do ICBEU Manaus, “receber uma exposição como “Judeus na Amazônia” reafirma o compromisso do Instituto de conectar o Amazonas aos grandes circuitos culturais do país e, mais do que isso, mostrar aos amazonenses uma importante parte da nossa história com a população judaico-marroquina. É uma honra abrir nossas portas para uma mostra que promove o diálogo entre diferentes culturas, preserva a memória e amplia o acesso do público amazonense a importantes narrativas da história brasileira”.

Manaus, 31 de agosto de 2026.

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