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FRUTA TAPEREBÁ

Por Paulo Almeida Filho

13 de julho de 2026 às 20:08 Compartilhe

A CAJAZEIRA ou TAPEREBAZEIRO (Spondias mombin L.) é uma planta da família Anacardiaceae nativa da américa tropical cujo fruta, a cajá ou taperebá, é muito apreciada pelas populações que habitam nas proximidades dos locais naturais de sua ocorrência.

É uma planta de ampla distribuição no Brasil e popularmente conhecida por muitos nomes, entre eles: acaiá, acajá e caiá (MS), cajá (AC, AM, MT, MS, PA, PE, SC, SP), cajá-da-mata (ES), cajá-mirim (RJ, SC), cajá-miúdo (MG), cajarana (AC, RN), cajazeira (AC, BA, CE, PE), cajazeira-brava (CE), cajazeiro (AC, MS, PA), cajazeiro-miúdo (MG), cajá pequeno (RJ), taperebá (AC, AM, PA), taperebá-de-anta (AC), taperebá-de veado (AC) e taperibá (PA, SC).

No início do século XVII, a frutífera foi introduzida pelos portugueses no sul da Ásia e na África ocidental. Espalhadas pela zona tropical do mundo a cajazeira (S. Mombin) e a fruta Cajá têm muitos outros nomes.

No século XV, quando os primeiros conquistadores europeus pisaram em terras do norte e nordeste do Brasil, a cajazeira já se encontrava em processo de domesticação pelos povos nativos americanos. Além de seus frutos, muito apreciados, suas propriedades medicinais já eram bem conhecidas. Gabriel Soares de Sousa, português, colono e senhor de engenho, em seu Tratado descriptivo do Brazil em 1587, um compilado de anotações que fez durante os seus 17 anos de colônia, escrito entre os anos de 1584 e 1587, descreveu:

“(…) Cajá é uma arvore comprida, com copa como pinheiro; tem a casca grossa e áspera, e se a picam deita um óleo branco como leite em fio, que é muito pegajoso. A madeira é muito molle e serve para fazer decoada para os engenhos; dá a flôr branca como de maceira, e o fructo é amarello do tamanho das ameixas, tem grande caroço e pouco que comer, a casca é como a das ameixas. Esta fruta arregoa, se lhe chove, como é madura, a qua cahe com o vento no chão, e cheiram muito bem o fruto e as flôres, que são brancas e formosas; o sabor é precioso, com ponta de azedo, cuja natureza é fria e sadia; dão esta fruta aos doentes de febres, por ser fria e appetitosa, e chama-se como a arvore que se dá ao longo do mar. (…)

Etimologia – De acordo com o botânico brasileiro, João Barbosa Rodrigues, um estudioso da nomenclatura indígena, Taperebá tem origem em tapera, aldeia extinta, e y-ba, árvore, cujo significado seria árvore das taperas, dado o fato de que era planta bastante cultivada próxima às suas aldeias, e que, ao migrarem, ficavam lá as árvores junto às taperas. O botânico inglês Richard Spruce observou a etimologia do nome como oriunda de tapir (anta) e ybá (fruto), ou seja, fruto da anta, alusão ao fato da fruta ser um alimento de preferência deste animal.

A cajazeira (Spondias mombin L.), é uma frutífera nativa da América Tropical, com ampla distribuição geográfica, ocorrendo nas florestas úmidas e áreas marginais aos cursos de água do sul do México ao Brasil e Peru, incluindo as Caraíbas. Spondias Mombin foi naturalizada em partes da África, Índia, Nepal, Sri Lanka, Bangladesh, Indonésia, Polinésia e algumas regiões do Caribe.

A Cajazeira ou Taperebazeira pode atingir uma altura de 20-30 metros e 70-120 cm de DAP (diâmetro a altura do peito, medido a 130 cm do chão). É uma árvore caducifólia, heliófila, seletiva higrófita, monoica, resinífera, de tronco revestido por casca muito grossa, acinzentada, rugosa, saliente e fendida. Sua ramificação é espalhada e pouco densa, apresentando copa esférica, proporcional ao fuste, com os galhos horizontais e ascendentes. O ritidoma, espesso e sulcado, às vezes apresenta acúleos nas cristas entre os sulcos. A casca interna é rosada e sua resina é esbranquiçada quase incolor.

As folhas são compostas, alternas, imparipinadas, com 5-11 pares de folíolos, espiralados, peciólulo curto, folíolos opostos ou alternos; lâmina foliar oblonga, cartácea, medindo de 5-11 cm de comprimento por 2-5 cm de largura; apresenta margem inteira, com ápice agudo e base arredondada desigual e glabra nas duas faces; nervura mediana promínula na face superior, glabra no dorso, proeminente e com muitos tricomas (pêlos); nervação do tipo camptódromo-cladódromo, com 16-18 pares de nervuras secundárias, promínulas na face ventral, proeminentes na face dorsal; ráquis de 20-30 cm de comprimento, sem glândulas.

As características reprodutivas da cajazeira podem variar com o ambiente. A planta produz inflorescências do tipo panícula terminal com flores pediceladas. O número de flores é variável e cada panícula pode ter mais de 2.000 flores. No Brasil, as plantas são hermafroditas, com a presença de flores masculinas com pistilódio e hemafroditas com ovário súpero. Os cachos das panículas são compostos por flores com cinco sépalas, cinco pétalas, dez estames com anteras dextrorsas, gineceu com ovário formado por cinco carpelos que coincidem com o número de lóculos, cinco estilos livres com estigmas lineares e dorsais.

O fruto é do tipo drupa, perfumado, de formado ovoide ou oblongo, casca fina e lisa amarela ou alaranjada, com mesocarpo carnoso, amarelo ou alaranjado e de sabor agridoce. O endocarpo, comumente chamado de “caroço” é constituído de uma massa de células dura e lignificada, no interior da qual se encontram os lóculos que podem conter uma ou mais sementes ou nenhuma.

Ecologia – S. mombin apresenta elevada plasticidade de adaptação, ocorrendo em regiões de condições climáticas distintas, caso da Amazônia, Mata Atlântica, serras e litoral do nordeste brasileiro, onde ocorre em zonas úmidas e subúmidas, principalmente nas regiões costeiras de maior precipitação, nos limites mais úmidos do agreste e nas regiões de encostas de serras. Frequentemente encontrada na vegetação secundária derivada de florestas perenes de terras baixas ou florestas semideciduais, sendo tolerante à maioria dos tipos de solo e padrões de precipitação. Ocorre também nas caatingas do semiárido, porém só quando cultivada. É encontrada em florestas de terra firme, em áreas mais secas, bem como ao longo de planícies de inundação férteis, que ficam alagadas por dois ou três meses do ano. Dada a sua ampla distribuição, a fenologia da cajazeira é distinta em cada região.

No oeste da Amazônia, por exemplo, a floração é de outubro a maio, com frutificação de janeiro a junho; no sudoeste da Amazônia, a floração é de outubro a novembro, e a frutificação, de outubro a março.

Na Bahia e no Espírito Santo, floresce e inicia a frutificação de outubro a novembro, e os frutos amadurecem de fevereiro a abril.

A espécie também apresenta atividades vegetativas e reprodutivas sazonais distintas; no Rio de Janeiro, a planta é de folhas perenes. Na microrregião do Brejo Paraibano, as plantas ficam completamente desfolhadas; no entanto, essa perda de folhas não é simultânea para todos os exemplares de uma mesma região. A reprodução da planta é sexuada e ocorre através da polinização, principalmente por himenópteros, em geral, abelhas e algumas espécies de vespas. As sementes são dispersadas por uma grande variedade de vertebrados, principalmente aves e, também, mamíferos, como morcegos, roedores, veados, macacos, queixadas e catetos, antas, quatis, juparás, cachorros-do-mato e raposinhas; assim como por répteis, como quelônios e lagartos.

Importância socioeconômica – O gênero Spondias L. compreende 18 espécies de árvore frutíferas com frutos do tipo drupa que se encontram distribuídas nas zonas tropical e subtropicais do mundo. No Brasil, destacam-se as espécies Spondias dulcis Parkinson – Cajaraneira (cajarana, cajá-manga), Spondias purpurea L. – Serigueleira (seriguela ou ciriguela), Spondias mombin L. – Cajazeira ou Taperebazeiro (cajá), Spondias tuberosa {Au|Arruda – Umbuzeiro (umbu) e Spondias bahienses – umbu-cajazeira ou Umbugueleira (umbu-cajá) por sua relevante importância social e econômica.

São frutíferas tropicais com grande potencial agroindustrial, fato comprovado pela crescente demanda comercial de seus frutos in natura e produtos processados em feiras, mercados, supermercados e restaurantes. O fruto da cajazeira, graças a seus característicos aroma e sabor, é matéria-prima de produtos cuja demanda crescente é insatisfeita. Em face da falta de pomares comerciais, sua agroindústria é dependente do extrativismo. O fruto in natura, dentro da sazonalidade de sua safra, é fonte de renda para agricultores familiares, sendo vendido em feiras livres, rodovias de grande tráfego e para as indústrias de beneficiamento. Com um volume de produção e processamento incapazes de atender a demanda e a curta duração das safras, no âmbito de cada estado, as indústrias têm a necessidade de importar a fruta de estados produtores vizinhos para o prolongamento de sua linha de processamento. O interesse popular na cajazeira traz renda para todos os envolvidos em sua colheita e beneficiamento. O sabor e aroma cítricos típicos do cajá têm boa aceitação no mercado nacional e internacional. A demanda insatisfeita de Spondias mombin, no Brasil e no exterior, assim como a degradação dos biomas nos quais naturalmente ela ocorre, impõe urgência de um maior conhecimento para o manejo adequado da espécie que possibilite sobretudo, sua preservação, seu melhoramento produtivo e o desenvolvimento daqueles que compõe sua base de produção.

Produção de mudas – As sementes da cajazeira e do umbuzeiro têm dormência e germinação baixa, lenta e desuniforme. Na formação de porta enxertos de sementes, deve-se semear uma grande quantidade de caroços. A semeadura deve ser efetuada a uma profundidade de 2-3 cm, colocando-se o caroço na posição horizontal ou vertical com a parte proximal (parte que liga o fruto ao pedúnculo) voltada para baixo. No umbuzeiro, para aumentar a germinação, recomenda-se fazer um corte superficial (abertura) no tegumento que cobre a semente. O corte, deve ser feito pela abertura existente na parte distal do caroço. A semeadura deve ser feita em canteiros ou em bandejas plásticas, contendo o substrato areia solarizada ou esterilizada. Os canteiros ou as bandejas devem ficar em ambiente coberto com sombrite de 50-70% de sombreamento. Quando as plântulas tiverem emergido do solo e com caulículos eretos, devem ser repicadas para sacos de polietileno (15×28 ou 15×35 cm), contendo substrato solarizada composto de areia ou barro, mais esterco de gado curtido, ou húmus, na proporção de 2:1, e colocadas em sombrite 50% até emitirem as primeiras folhas. Depois disso, as plantas devem ficar a pleno sol até possuírem, em média, 40 cm de altura, 8 mm de diâmetro de caule e cerca de dez folhas, quando estarão aptas para a realização da enxertia.

O tempo para formação do porta-enxerto é de cerca de noventa dias, após a repicagem. Estaquia — as estacas devem ser extraídas de ramos de árvores adultas, produtivas e sadias, no final do repouso vegetativo (árvores desfolhadas e com gemas intumescidas) e preparadas com cerca de 25 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro. Após o preparo, devem ser imersas em uma solução de hipoclorito de sódio (0,5%) por cerca de quatro minutos. Em seguida, deve-se fazer dois cortes (riscos) longitudinais na casca, na parte proximal (basal) das estacas e tratá-las com ácido indolbutírico (1.000 mg/L). O plantio deve ser feito em sacos de polietileno de 15 cm de largura por 28 cm ou 35 cm de comprimento usando substrato solarizada composto de areia ou barro, mais esterco de gado curtido, ou húmus, na proporção de 2:1. As estacas devem ser postas para enraizar em ambiente sombreado ou coberto com sombrite de 50-70% de sombreamento e regadas duas a três vezes por semana. Desprovidas de folhas e raízes adventícias, não há consumo de água pelas estacas e a baixa umidade do substrato reduz a infecção por patógenos nos cortes existentes na base das estacas. As taxas de enraizamento são baixas, em torno de 25%. As primeiras mudas ficam prontas em torno de 150 dias. A proteção plástica do garfo deve ser retirada após a emissão das
primeiras folhas. A fita plástica só deve ser retirada após o completo pegamento do enxerto, em geral, entre 30 e 45 dias após a enxertia. Depois de enxertadas, as mudas devem permanecer em ambiente sombreado ou com tela sombreadora 70% até estarem aptas para o plantio.

Espero que tenham gostado.
Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am
FONTE: Wikipédia, Google.

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