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Varejo Do Estado Cresce Acima Da Média Do País

Por Marco Dassori

26 de maio de 2026 às 15:07 Compartilhe

As vendas do comércio varejista do Amazonas esboçaram recuperação em março, e cresceram acima da média nacional. Em um mês sem datas comemorativas, o varejo restrito avançou 3,7% diante de fevereiro, que teve três dias úteis menos. Foi o segundo melhor placar do país, eliminando as perdas de fevereiro (-2,1%). O confronto com março de 2025 apontou escalada de 6,4%. O trimestre, no entanto, progrediu apenas 0,4%. O acumulado dos 12 meses (+0,1%) finalmente entrou no quadrante positivo, mas não passou da estagnação. Desta vez, o varejo ampliado – que inclui bens de maior valor agregado e dependentes de crédito – também teve destaque positivo.

O varejo brasileiro também cresceu em todas as comparações. Puxado por cinco de suas oito atividades, o comércio restrito cresceu 0,5% na variação mensal e renovou o recorde do mês anterior. A elevação foi mais sentida na divisão de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+5,7%). As vendas aumentaram 4% em relação a março do ano passado, induzidas com destaque também para material de escritório (+22,5%). No ano, o incremento foi de 2,4%, enquanto o aglutinado dos 12 meses expandiu 1,8%. O varejo ampliado saiu-se ainda melhor. É o que revela a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE.

Apenas sete das 27 unidades federativas entraram no vermelho, na virada de fevereiro para março. O varejo do Amazonas (+3,7%) decolou da penúltima para a segunda colocação, ficando atrás apenas do Maranhão (+3,8%), e na frente da Bahia (-2,2%) no extremo oposto. Com o acréscimo de 6,4% na variação interanual, o Estado empatou com o Ceará e galgou do último para o décimo lugar, em um rol com Pernambuco (+14,2%) e São Paulo (-0,8%) nas duas pontas. O varejo amazonense ficou no 22º lugar no trimestre (+0,4%), empatado com o Rio Grande do Sul. E já supera 20ª posição nos 12 meses (+0,1%).

Inflação e crédito

O salto verificado no IPCA de março (+0,88%) manteve o descolamento das vendas efetivas em relação à receita nominal, que não contabiliza a inflação. A diferença é mais significativa nas comparações de longo prazo, e se tornou mais pesada no Amazonas após as crises hídricas/logísticas das vazantes. Nesse cenário, o faturamento

bruto cresceu 7,4% perante fevereiro. O varejo amazonense também elevou suas receitas em 9,7% em relação a fevereiro de 2025, com reflexo negativo no trimestre (+2,4%) e esvaziamento nos 12 meses (+3,6%). A média nacional (+0,9%, +6,3%, +4,2% e +5,7%) mostrou discrepâncias menores.

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que, ao contrário do ocorrido no mês anterior, os subsetores de veículos, autopeças e material de construção ajudaram a mover as vendas do comércio amazonense como um todo. O varejo ampliado escalou 8,4% sobre a base de fevereiro. Em relação a março de 2025, a decolagem foi de 10%, fortalecendo os acumulados do ano (+2,7%) e dos 12 meses (+0,8%). O Estado superou a média brasileira (+0,3%, +6,5%, +1,9% e +0,2%, na ordem) em todas as comparações.

Os dados nacionais da PMC mostram que cinco das oito atividades do varejo nacional ficaram no azul, em março: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+5,7%); combustíveis e lubrificantes (+2,9%); artigos de uso pessoal e doméstico (+2,9%); livros, jornais, revistas e papelaria (+0,7%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+0,1%). Já os dados negativos incluíram os segmentos de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%); e de móveis e eletrodomésticos (-0,9%). Tecidos, vestuário e calçados (0%) estabilizaram.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, destaca que o crescimento da PMC nacional foi o terceiro consecutivo. “Pode-se dizer que desde outubro de 2025 o varejo vem crescendo na maior parte do tempo”, pontuou. O pesquisador observa ainda que a atividade que cresceu mais, de equipamentos para escritório “tem a parte majoritária de seu mix puxada por importados, como celulares e televisores. “Os custos dessa atividade estão muito relacionados ao dólar e, nos últimos três meses, o real vem se valorizando”, explicou.

“Retomada consistente”

O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adalmir Nogueira Jaques, enfatiza que o comércio amazonense apresentou desempenho expressivo em março, alcançando uma das maiores taxas de crescimento do país e “superando significativamente a média nacional”.

O pesquisador acrescenta que, na comparação com março do ano anterior, o volume de vendas do varejo local registrou seu melhor desempenho do ano, sinalizando momento de maior fôlego para o setor, em âmbito estadual.

“Após os resultados registrados no início do ano, o setor mostrou uma forte reação em março, revertendo a tendência anterior e impulsionando o ritmo das atividades comerciais locais. Mas, apesar do crescimento pontual acelerado, os índices acumulados no ano e nos últimos doze meses indicam que o varejo estadual busca consolidar um equilíbrio após oscilações anteriores. A média móvel trimestral, entretanto, atingiu seu melhor patamar recente, o que reforça a percepção de uma retomada consistente e acima da velocidade de crescimento observada no restante do Brasil”, ponderou.

Em entrevista recente à reportagem, o presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, disse que o setor ainda vem enfrentando dificuldades em função do ambiente macroeconômico de juros elevados, crédito restrito e famílias “altamente endividadas”. “Isso trava o consumo, sobretudo no varejo mais dependente de capital de giro. Soma-se a isso a instabilidade internacional, que afeta as expectativas. A recuperação deve ser lenta, mais sustentada por datas sazonais do que por crescimento consistente. E a confirmação de uma nova estiagem forte pode segurar ainda mais o desempenho do comércio”, arrematou.

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