Apesar de ser um pássaro difícil de ser avistado, o GALO-DA-SERRA (Rupícola), GALO-DA-ROCHA e GALO-DA-SERRA-DO-PARÁ, é uma ave passeriforme da família Cotingidae. Possui uma plumagem marcante, de coloração alaranjada, o que o destaca na paisagem amazônica.
Algo peculiar que envolve a ave é que ela recebeu esse nome devido a crista que cobre toda a cabeça e chega a cobrir o bico. Medindo cerca de 28 centímetros, é considerada ave símbolo do Estado de Roraima.
Com um jeito excêntrico, o Galo-da-Serra possui um vínculo com a história da colonização na Amazônia. Tudo começou com o pensador Alexandre Rodrigues Ferreira, responsável por Chefiar expedições científicas nas capitanias do Grão Pará, Rio Negro e Mato Grosso, e que durante a passagem pela Amazônia registrou em desenho o Galo-da-Serra.
A ave é tão admirada que serviu de inspiração para uma famosa toada do Boi Garantido, no Amazonas, lançada em 2006. A canção cita os galos-da-serra como pássaros que oferecem frutos aos guerreiros indígenas.
Habitat – Ocorre em regiões montanhosas e florestais do extremo Norte do Brasil, nos Estados do Amazonas, Pará, Roraima, nas regiões sul e sudoeste da Guiana, sul da Venezuela, Suriname e Guiana Francesa e leste da Colômbia.
Chegam a medir até 28 cm de comprimento; os machos possuem exuberante plumagem alaranjada, uma proeminente crista em forma de meia-lua que cobre o bico. As fêmeas, por sua vez, possuem plumagem marrom-escura com crista menos evidente.
Vive e habita as florestas escarpadas entrecortadas por igarapés e pequenos cursos d´água.
Acasalamento – O ritual para a escolha dos pares é um espetáculo extraordinário. Na época reprodutiva os machos se agregam formando os leques. As arenas, local onde os machos fazem displays, são compostos por pequenas clareiras que são abertas involuntariamente por eles, durante as exibições individuais.
Os machos descem para as clareiras onde são feitos os cortejos e as exibições não ocorrem ao mesmo tempo, devendo haver alguma hierarquização entre eles que determina quem é o primeiro. Não ocorre exibição de mais de um macho ao mesmo tempo. As fêmeas têm aparições relâmpagos e a presença delas determina o ritmo de atividade dos machos. O macho que se apresenta,
salta alternadamente em círculo, em sentido horário emitindo fortes chamados e exibe as penas da cauda e as filigranas para a fêmea que o assiste.
Quando a fêmea “simpatiza” com o macho que se exibe, rapidamente ela desce até a clareira e é copulada por ele, evento que ocorre em fração de segundos, então a fêmea parte.
Nem sempre os machos, que são polígamos, se exibem com sucesso cortejando a fêmea.
A fêmea bota um a dois ovos brancos com pintas marrons. O ninho em forma de tigela é feito de lama, gravetos, fibras vegetais e resina vegetal, instalado em fendas úmidas de penhascos rochosos e entradas de grutas, geralmente localizados próximo a um curso d’água.
O macho não tem participação na construção do ninho, na incubação dos ovos e nem na alimentação da prole.
Alimentação – Sua dieta é principalmente a base de frutas e com isso desempenham um papel importante na dispersão das sementes de várias espécies de árvores florestais, principalmente nos locais onde são feitas os cortejos pré-nupciais e nos ninhos. Além de frutos, ele inclui na dieta insetos e pequenos vertebrados, principalmente na alimentação dos filhotes no ninho.
Predadores – Os predadores naturais do galo-da-serra incluem as seguintes espécies: gavião-de-penacho, uiraçu-falso, gavião-branco, gavião-preto, gavião bambachinha-grande, onça-pintada, puma ou gavião-relógio, suçuarana, jaguatirica e a jiboia-constritora.Os Galos-da-Serra constituem alvos fáceis de predadores terrestres quando estão no solo da mata, cortejando fêmeas. Já predadores aéreos como os gaviões costumam atacá-los nas imediações das arenas.
Apesar de ser comum encontrá-lo na região em que habita e ser apreciado por colecionadores de pássaros de gaiolas, o galo-da-serra é avaliado como “Pouco Preocupante” na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da IUCN.
Reprodução – Permanece próximo a maciços rochosos, onde os machos se reúnem para exibir-se individualmente para as fêmeas (cada qual em um “palco” isolado). Faz ninho de barro e gravetos em forma de taça, em terreno rochoso ou cortado pela erosão, em ambiente bem úmido e sombreado na mata primária. Põe 2 ovos manchados, que são chocados apenas pela fêmea durante 27 a 28 dias. Seu período de reprodução vai de novembro a abril.
Conforme observações em Presidente Figueiredo-AM, as arenas ficam dispostas numa distância entre 40 e 150 m dos ninhais (OMENA JUNIOR 2009), o que é próximo do verificado em sítios na Guiana Francesa (entre 50 e 200m) (TRAIL apud OMENA JUNIOR 2009).
Vive solitário, buscando alimento na floresta, sendo de difícil visualização, principalmente as fêmeas, devido à coloração escura. Movimenta-se pouco na vegetação. Varia de incomum a localmente comum nos estratos inferior e médio das florestas úmidas localizadas em escarpas, principalmente nas proximidades de córregos sombreados.
Também pode ser encontrado em campinaranas, desde que existam formações rochosas no local.
Nos momentos em que fazem exibições nas arenas, podem se reunir em grande número, acima de 10 indivíduos.
Espero que tenham gostado.
Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am
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