Puxado para cima, principalmente pelo comércio, o mercado de trabalho do Amazonas chegou ao final de 2025 com a maior taxa de ocupação dos últimos 12 anos. Em torno de 57,6% dos amazonenses tinham algum tipo de atividade remunerada, ou 1,82 milhão de pessoas. O número vem da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta (20), pelo IBGE. O ano também marcou as menores proporções de amazonenses na fila do desemprego (8,4% ou 144.000 trabalhadores) e com trabalho informal (50,8% ou mais de 924 mil) nas séries históricas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – iniciadas em 2012 e 2016, na ordem.
A taxa de subutilização da força de trabalho, que mensura a proporção de pessoas que gostariam de estar ocupadas, mas não estão efetivamente procurando emprego, ficou em 16,6%. O indicador repetiu a performance do exercício anterior, que também havia marcado o menor patamar desde 2012. A remuneração média mensal dos trabalhadores amazonenses avançou 13,45% entre 2024 e 2025, ao sair de R$ 2.409 para R$ 2.733. A mesma base de dados confirma ainda, no entanto, que o Estado segue com números piores que a média nacional, em todos os quesitos – principalmente na informalidade, onde o Amazonas ainda desponta com o sexto maior percentual do país.
Segundo o IBGE, a fila de desemprego também encolheu entre o terceiro (8,3% ou 154 mil) para o quarto trimestre (7,3% ou 144 mil). O nível de ocupação cresceu para 56,5%, assim como a taxa de participação da população na força de trabalho, que chegou a 61,3%. O setor de administração pública (404 mil) se manteve como o maior empregador no Estado, enquanto a agropecuária sofreu os maiores cortes, com a perda de 45 mil postos de trabalho. A proporção de ocupados sem proteção social e registro formal acelerou para 51,5% (938 mil) na virada trimestral, impulsionada pelos trabalhadores “por conta própria” sem CNPJ (29,4% ou 478 mil).
“Mesmo com avanço da renda, Estado mantém informalidade elevada e desempenho abaixo da média nacional.”
“O mercado de trabalho amazonense demonstra sinais de recuperação frente ao desemprego. Isso ocorre porque a taxa de desocupação apresentou um recuo consistente quando comparada ao ano anterior. A capacidade de absorção de mão de obra registrou avanço, indicando que uma parcela maior da população em idade ativa está trabalhando. A inatividade, por outro lado, apresentou oscilações que sugerem uma migração sazonal da força de trabalho. O volume de pessoas fora da força de trabalho cresceu no último trimestre, embora se mantenha estável no ano”, sintetizou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.
“Desafio severo”
No quarto trimestre de 2025, o Amazonas contava com mais de 3,20 milhões de habitantes com 14 anos ou mais – idade apontada pelo IBGE como “apta ao trabalho”. A fatia de trabalhadores amazonenses sem carteira assinada sofreu repique trimestral, embora ainda tenha ficado abaixo da marca atingida nos últimos três meses de 2024 (52,1% ou 1,74 milhão). Apesar da alta, desceu da quinta para sexta posição no ranking nacional, liderado por Maranhão (57,3%), Piauí (55,4%) e Pará (54,8%). Mas, ainda supera com folga a média nacional (38,8%).
Conforme o IBGE, o Estado acompanhou a tendência da região Norte, que possui o maior índice de informalidade do país, fixado em 53,1%.
Como de costume, a maioria dos ocupados do Amazonas estava na categoria de “empregado” (1,14 milhão). Dentro desse grupo, 63,42% vinham do setor privado (723 mil), mas apenas 62,93% destes (478 mil) estavam formalizados. A falta de carteira assinada era ainda mais ampla entre os trabalhadores domésticos, que são contabilizados à parte: 69 mil entre 80 mil, ou 86,25% estavam nessa situação. O setor público (340 mil) tinha só 13 mil pessoas com registro celetista, enquanto 176 mil eram militares ou funcionários estatutários. A quantidade de trabalhadores por “conta própria” caiu para 522 mil, em detrimento do ocorrido com os empregadores (47 mil). Apenas o segundo grupo tinha maioria com CNPJ.
“A informalidade ainda representa um desafio estrutural severo para o desenvolvimento do Amazonas. O Amazonas figura entre as unidades da federação com os maiores índices de trabalhadores sem proteção formal em sua atividade profissional”, ressaltou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM.
Houve um crescimento preocupante na precariedade dos contratos de trabalho no setor privado. A justificativa reside na alta de empregados sem carteira assinada, que superou o ritmo de outras categorias”, emendou.
“Melhora real”
O grupo que reúne administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (404 mil) somou a maior parte dos trabalhadores ocupados, mas desacelerou. Na sequência estão comércio e reparação de veículos (337 mil); agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (233 mil); indústria em geral (217 mil); serviços de informação, comunicação, atividades financeiras e imobiliárias (138 mil); construção (118 mil); serviços de transporte, armazenagem e correio (103 mil); serviços de alojamento e alimentação (99 mil); e “outros serviços” (91 mil).
Apenas três dos dez agrupamentos de atividades econômicas acompanhados pelo IBGE aumentaram seus contingentes de trabalhadores, entre o terceiro e o quarto trimestres. Os melhores desempenhos vieram dos serviços de alojamento e alimentação (+11%) e do comércio (+7,2%). Já o confronto com o quarto trimestre de 2024 mostrou avanço para seis atividades: construção (+12,3%), serviços domésticos (+12,2%), comércio (+11%), administração pública (+9,9%), alojamento e alimentação (+7,9%) e “outros serviços” (+7,6%). Em ambas as comparações, os destaques negativos vieram da agropecuária (-16% e -16,1%, respectivamente) e dos transportes (-10% e -11,3%).
A massa de rendimentos do trabalho no Amazonas – que reflete o quanto os salários brutos dos trabalhadores contribuíram para a economia local – ficou em R$ 4,60 bilhões, 0,4% mais forte que nos três meses anteriores (R$ 4,50 bilhões) e também 11,3% maior diante do mesmo acumulado do ano passado (R$ 4,10 bilhões).
O “rendimento médio real” dos trabalhadores locais aumentou de R$ 2.620 para R$ 2.695, ante o trimestre anterior, uma diferença de 2,90%. No confronto com o valor capturado no mesmo aglutinado de 2024 (R$ 2.515), o incremento foi de 7,1%.
“O comércio consolidou-se como importante motor para a geração de oportunidades, sendo o que mais expandiu seu contingente, enquanto a administração pública e os serviços sociais permanecem como atividade fundamental, com maior concentração de ocupados. Já o setor primário enfrenta momento de retração. A massa de rendimentos total injetada na economia estadual atingiu patamares mais elevados, impulsionado pelo aumento da remuneração média, mesmo com as variações no número de ocupados, gerando melhora real no poder de compra do trabalhador”, finalizou Adjalma Nogueira Jaques.
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