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Histórias e Lendas do Amazonas

Histórias e Lendas

Maués, terra do guaraná e praias bonitas

Por Paulo Almeida Filho

24 de novembro de 2025 às 13:33 Compartilhe

MAUÉS é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas. Sua população é de 66 159 habitantes, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025. A cidade é reconhecida nacionalmente por possuir uma das maiores expectativas de vida do Brasil e por ser a Capital Nacional do Guaraná.

O primeiro nome do município, Luséa, era formado a partir do nome de seus fundadores Luiz Pereira da Cruz e José Rodrigues Preto, com a adição de um a no final. O nome Maués por sua vez derivaria da suposta palavra tupi Mawé (do povo Sataré-Mawé) e significa “curioso e inteligente”. Porém, a palavra mawé pode ser desconhecida do próprio povo Sataré-Mawé, onde indigenas entrevistados em uma pesquisa da Universidade Federal do Amazonas afirmaram conhecer o nome da etnia, mas não sabiam o significado de “mawé”, e pode ser que esta teria vindo dos europeus que os perseguiam e os chamavam de maus, e que “mawé” seria um derivado de “mau é”.

No ano de 1795, Lôbo d′Almada, então governador do Grão-Pará e Rio Negro, fundou aldeias indígenas com índios mundurucus: Canumã, Juruti e Luséa.

Em 1832 os índios sateré-mawé invadiram o local eliminando soldados e civis brancos. Em decreto de 25 de Junho de 1833 foi criado o município, com Luséa sendo elevada a categoria de Vila, passando a se chamar Nossa Senhora da Conceição de Luséa. Quando o Amazonas foi elevado à província, Luséa era um dos poucos municípios existentes.

Em 1865 a sede municipal passou a se chamar Vila da Conceição, e em 1892 finalmente foi nomeada Maués. Em 1895, pela lei nº 133 de 5 de outubro, a localidade torna-se Comarca. E em 4 de maio de 1896 é considerado município pelo novo regime jurídico, com o nome de Maués, pela lei nº 137.

Entre ganhos e perdas territoriais, Maués incorporou parte do território de Borba em 1938, e perdeu território correspondente ao município de Nova Olinda do Norte, em 1955.

Guaraná – Maués é conhecida pelo apelido de “A terra do Guaraná” e teria sido ela e sua produção de um suco com o fruto que serviu de inspiração para a Antarctica criar seu refrigerante de guaraná, em 1921.

O município até 2003 era responsável sozinho por 30% do fornecimento do fruto para fabricação do refrigerante, em âmbito nacional, produzindo até então 180 toneladas provenientes de muitos pequenos agricultores locais. O número era ainda maior nos anos 80, quando chegava a 90% da produção nacional.

Em 2021, porém, o município era o terceiro maior produtor do país, perdendo para dois municípios do crescente plantio baiano. O primeiro registro sobre o fruto, dado por um missionário jesuíta, que no século XVII esteve em contato com nativos Sateré-Mawé e observou que os mesmos consumiam. Foram os Sateré-Mawé que domesticaram o fruto e são conhecidos como “os filhos do guaraná” dentro de um mito próprio. Por conta da cultura e história de Maués com o guaraná, o município foi nomeado em 23 de Setembro de 2025 a Capital Nacional do Guaraná, pela Lei nº 15.216.

São datas festivas municipais:

Religiosas – Festas de São Sebastião (10 a 20 de janeiro), Divino Espírito Santo (22 a 30 de maio), São Pedro (27 a 30 de junho), à padroeira Nossa Senhora da Conceição (01 a 8 de dezembro),

Populares – Carnaval local (21 a 24 de fevereiro), Aniversário do município (26 a 27 de junho), da Ilha de Vera Cruz (23 a 25 de julho), Festival do Verão (de 05 a 7 de setembro), da Feira Industrial (06 a 8 de novembro), e Festa do Guaraná (em novembro).

FESTA DO GUARANÁ – O guaraná faz parte da história e da cultura de Maués, onde o governo do Amazonas em parceria com a Ambev realiza anualmente a “Festa do Guaraná” (que existe há quase 50 anos), atraindo cerca de 50 mil pessoas para o município durante os três dias de festa na Praia da Maresia (ponto turístico do município).

Nesta festa realiza-se também o concurso “Rainha do Guaraná” que é quem indica a mulher mais linda da temporada no município.

Marcado pelo conflito tribal entre as etnias Mundurucu e Mawé no século 17, o município de Maués (a 267 quilômetros de Manaus) é um dos destinos turísticos amazonenses com belezas naturais e culturais mais encantadores do estado.

Da pesca esportiva ao turismo de aventura, Maués caminha para se consolidar no setor. A Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) percorreu alguns dos atrativos das terras da Mundurucânia na semana em que o Departamento de Regulação e Fiscalização realizou ação de orientação juntos aos prestadores de serviços turísticos.

Entre os encantos com que o visitante se depara está o rio Maués-Açu. No período de setembro a março, em que suas águas baixam, as lindas praias surgem, emoldurando um cenário que poderia ser batizado como “Caribe Amazonense”.

As praias da Maresia e Antártica concentram quase 2,5 quilômetros de balneário, em uma água límpida e transparente. As duas opções são os principais atrativos naturais de Maués. “O turista que vier se depara com esse paraíso, e vai dispor de toda uma infraestrutura com rede hoteleira, restaurantes, segurança. Será muito bem recebido e muito bem tratado com a energia desse povo maravilhoso”, comentou Helena Doce, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Com um sítio arqueológico, onde os primeiros estudos apontam para artefatos com mais de 400 anos, a Ilha ou Costa da Vera Cruz é considerado o atrativo, em zona rural, mais belo de Maués. Em frente à sede do município, a cerca de 10 minutos de voadeira, a ilha é marcada por praias, igapós, e um povo simples e hospitaleiro, que mantém viva a tradição cultural e religiosa.

O local é uma das paradas para o turista que desembarca no município. Há restaurante que oferece comida regional, e as belas praias que se emaranham ao cenário verde da ilha. – “A ilha da Vera Cruz é encantadora, misteriosa, de paz. Aqui, você vai desfrutar de um local seguro, de uma praia com água limpa, e ainda poder saborear uma iguaria regional deliciosa. E tudo isso a dez minutos de lancha, na frente da cidade”, declarou o empresário Esteves Belmiros, proprietário de um restaurante na ilha.

Ilha de Vera Cruz

A LENDA DO GUARANÁ – A origem desse fruto é explicada pela seguinte lenda: um casal de índios pertencente à tribo Maués vivia por muitos anos sem ter filhos e desejava muito ter pelo menos uma criança.

Um dia, eles pediram a Tupã uma criança para completar sua felicidade. Tupã, o rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o desejo trazendo a eles um lindo menino. O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom.

O menino chamado Aguiri ou Coaraci, era um garoto amado e querido em sua tribo, especialmente pelos Sateré-Mawé.

No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do menino, da paz e da felicidade que ele transmitia, e decidiu então ceifar aquela vida em flor. Um dia o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança.

Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.

A triste notícia espalhou-se rapidamente. Nesse momento, trovões ecoaram na floresta e fortes relâmpagos caíram pela aldeia.

A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos. Os índios obedeceram ao pedido da mãe e plantaram os olhos do menino. Nesse lugar, cresceu o guaraná, cujas sementes são negras e têm um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.

Dali nasceu uma nova planta, o guaraná. O fruto do guaraná, com sua casca vermelha e semente preta cercada por uma película branca, lembrava os olhos do menino. A planta se tornou uma fonte de força e vigor para o povo.

 

 

Espero que tenham gostado.

Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am

Fontes: Wikipedia, Google, FIBGE.

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