
O SÃO RAIMUNDO ESPORTE CLUBE ou apenas São Raimundo, é um clube esportivo brasileiro com sede na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. Foi fundado oficialmente em 18 de novembro de 1918, a partir junção do seu precursor Risófolis Clube Recreativo e de outros clubes amadores do bairro homônimo. Recebe a alcunha de “Tufão da Colina” que também lhe serve como mascote, as cores azul royal e branco são suas cores oficiais. Sendo sua principal modalidade, o futebol, é um dos principais times do Amazonas, tendo conquistado 7 Campeonatos Amazonenses e 3 Copas Norte, sendo o maior campeão do torneio regional. Em âmbito nacional, possui 1 vice-campeonato do Campeonato Brasileiro de Futebol – Série C. Entre outros feitos, o São Raimundo foi o único clube amazonense a ter participado de um torneio internacional oficial, a Copa Conmebol de 1999, da qual foi semifinalista. O clube ainda participou por sete edições seguidas do Campeonato Brasileiro de Futebol – Série B e oito edições da Copa do Brasil.
História – O São Raimundo Esporte Clube foi fundado oficialmente no dia 18 de novembro de 1918, logo após do fim do “boom” da Borracha em Manaus. O nome deve-se ao bairro do São Raimundo onde este é sediado, que por fim deve este nome ao santo, São Raimundo Nonato, que nasceu em 1204, na Espanha. O bairro em Manaus foi, por muito tempo, latifúndio da Igreja Católica, no século XIX, onde foi povoado por imigrantes nordestinos, imigrantes do interior amazônico e afrodescendentes. O bairro de São Raimundo está localizado do lado oposto do Centro histórico de Manaus, separado pela Ponte Fábio Lucena, que foi inaugurada em 1986. A união dos precursores – Antes do São Raimundo ser oficialmente fundado, considera-se que o clube teve alguns percursores entre 1915 e 1918 como outros clubes que pode ser considerado o próprio São Raimundo ainda em existência informal. Em 1915, época do “boom” no futebol no Amazonas, foi fundado o Risópolis Clube Recreativo por ideal de Francisco Rebelo e o Professor Assis. Mais tarde, em maio de 1918, o Risópolis passa a se chamar Risofólis que meses depois, após a fusão de alguns times amadores do bairro, é fundado oficialmente o São Raimundo Esporte Clube (em grafia da época São Raymundo Sport Club), nascido da união dos futebolistas locais para representar o bairro no esporte e as demandas sociais da comunidade, como era costume.
Os fundadores e o nascimento para o futebol – Alguns dos fundadores do São Raimundo são: Belmiro Costa, Olímpio Carvalho, Carlos Frederico, José Quincas, Vidal, Sena e Queiróz. O presidente desse novo clube era Francisco Rebelo, idealizador do Risófolis anos antes e de outros clubes. A Primeira sede do clube localizava-se na mesma “rua da Ponte”, a rua 5 de setembro. Antes de ter uma sede, as reuniões do clube eram em locais aleatórios e o seu campo velho de treinamento ficava onde hoje encontra-se o Colégio Estadual Pedro Silvestre e a atual sede social do clube. O São Raimundo nasceu para prática do futebol, tanto que nos primeiros artigos do estatuto está destacado que os seus associados devem sempre priorizar a prática do futebol, mesmo que seja em detrimento de outros esportes. O clube filiou-se à FADA no final da década de 40, mas só foi disputar a Primeira Divisão do estadual em 1956. Na época outros clubes de origem modesta também ingressaram no campeonato como o Sul América e o América.
O Primeiro Jogo Interestadual em 1929 – Na noite de sábado do dia 21 de julho de 1929, o Paysandu embarcou no navio a vapor Baependy, rumo a sua primeira excursão de jogos amistosos na capital Amazonense. Chegando em Manaus, foi recepcionado pela FADA e ficou decidido que o Paysandu realizaria partidas contra Cruzeiro do Sul, Rio Negro, Nacional e Seleção do Amazonas. Após ver o clube paraense empatar com Cruzeiro do Sul e Nacional e golear o Rio Negro por 8 a 0, a diretoria do São Raimundo resolveu ousar e convidou o campeão paraense para um amistoso em seu campo. O jogo não estava programado, mas a delegação paraense aceitou o convite de bom grado, pegando o barco rumo ao bairro periférico da cidade. A partida foi marcada para uma terça-feira, 6 de agosto. No dia do duelo, todo o comércio foi fechado para que todos os habitantes do local acompanhassem a partida. Naquele dia, antes do jogo, a diretoria do São Raimundo ofereceu uma churrascada para a delegação do Paysandu, no almoço. O confronto foi no antigo campo do São Raimundo, resultando em um empate de 2 a 2. Após o fim do jogo, ambos os times dirigiram-se à antiga sede social do clube, acompanhados de muitos populares, onde houve mais uma bela recepção para os visitantes.
Amadorismo até 1955 – O São Raimundo disputou até o final de 1955 campeonatos amadores pelos bairros de Manaus. Apesar de quase 40 anos iniciais no futebol amador, o clube já arrastava uma multidão de torcedores aos seus jogos. Seu primeiro rival foi o Sul América, time do bairro vizinho, que ficou conhecido como Clássico Galo-Preto. Apesar do Sul-América ser 21 anos mais jovem que o São Raimundo, o time do bairro da Glória foi o primeiro a se “profissionalizar” associando-se a FADA, o que instigou a diretoria do São Raimundo não querer ficar atrás do rival. Em 1964 o São Raimundo sem grandes posses, levou o futebol em frente e permaneceu no estadual e logo mostrou força. No primeiro estadual como time profissional, o clube alviceleste surpreendeu a todos conquistando o Segundo Turno depois de quase ser eliminado no primeiro turno qualificatório. Na final enfrentou o Nacional e perdeu o campeonato nas finais disputadas em 1965. Porem, dois anos depois veio enfim seu segundo campeonato, em 1966. Numa disputa em pontos corridos, o “Tufão” conquistou o título na última rodada após um empate no Clássico Rio-Nal que era tratado como a final do Campeonato, o que evitou que um dos dois o ultrapassasse.
Jejum de 30 anos sem título
Após o título de 1966, veio a escassez de títulos, entretanto, engana-se quem acha que o São Raimundo sumiu. Apesar da crise que resultou na ausência de alguns campeonatos, o “Time do Povo” foi na contramão dos outros clubes de Manaus e valorizava os jogadores “pratas da casa”. O clube passou por diversas dificuldades, que rebaixaram seu poder econômico. Nos anos 80, o clube quase vendeu seu estádio e quase fechou as portas, inclusive não disputando os campeonatos de 1981 e 1982. Nos anos de 1993, 1994 e 1995 a fraqueza financeira não permitiu que o clube disputasse o “Barezão”, até que Ivan Guimarães e Maneca assumiram seu departamento de futebol e o alavancam no cenário regional e nacional.
Reorganização em 1996 e Renascimento em 1997 – O São Raimundo, a partir de 1996, “renasceu” para o futebol do Amazonas. Ivan Guimarães e Maneca, o primeiro ex-radialista esportivo e o segundo, ex-presidente do Nacional durante muitos anos, colocaram a ideia para a presidência do São Raimundo de se criar um Departamento Autônomo dentro do clube. Orlando Saraiva (então presidente do São Raimundo) e outros diretores acataram e acreditaram na ideia. O departamento então chamou Aderbal Lana, que tinha um histórico recente muito bom no futebol amazonense, conquistando títulos e boas campanhas a nível nacional também com o Nacional.
A primeira competição fora do estado, a Série C de 1996 – No estadual de 1996 o clube ficou em quarto lugar e como o Amazonas teria três vagas, ficaria fora da Série C. Porem, o Cliper não demonstrou interesse em participar do torneio e o São Raimundo acabou herdando a vaga. A Série C daquele ano iniciaria dois dias depois do termino do estadual. O São Raimundo entrou no Grupo 1, com Rio Branco-AC, Ji-Paraná e Rio Negro, depois o rival amazonense acabou também desistindo da competição. Primeiros frutos, o estadual de 1997 – Em 1997 tudo começou a dar certo para o São Raimundo, primeiro dois grandes oponentes Nacional e Rio Negro saíram do estadual, assim o clube se tornava o centro das atenções no futebol do estado naquele ano, principalmente pelos nomes que estavam a frente do seu departamento de futebol. Depois de um primeiro semestre inteiro sem disputas, foi o único clube amazonense interessado em disputar a Série C daquele ano, e a disputou simultaneamente com o estadual. Em 1998 o clube conquistou seu bicampeonato estadual, esse sem questionamentos pois Nacional e Rio Negro estavam em campo, decidindo com o último a taça e vencendo por 2 a 1. Foi finalista da Copa Norte, perdendo o título nos pênaltis para o Sampaio Corrêa do Maranhão. Na Série C chegou até à quarta fase, uma antes do tradicional quadrangular da Série C, sendo eliminado nos pênaltis pelo Itabaiana.
1999 o grande ano – Aderbal Lana, técnico campeão da Copa Norte de 1999.
Em 1999, iniciou a temporada vencendo com louvor sua primeira Copa Norte, desforrando também nos pênaltis a derrota imposta pelo Sampaio Corrêa no ano anterior. Levou seu tricampeonato estadual vencendo os dois turnos, num jogo de título épico contra o Rio Negro. Na Série C conseguiu o acesso à Série B sendo o vice-campeão, ficando atrás apenas do Fluminense. Naquele ano, foi indicado para a disputa da Copa Conmebol por ter sido campeão da Copa Norte, e foi semifinalista do torneio continental sendo eliminado pelo CSA. Nos anos 2000 o São Raimundo se consolidou como uma grande força no futebol do Amazonas e da região Norte. Foi finalista da Copa Norte em 2000, 2001 e 2002, últimas edições do torneio, vencendo em 2000 e 2001 contra Maranhão e Paysandu respectivamente, perdendo em 2002 para este último. Na Série B de 2000 terminou a fase regular em 2º lugar do seu grupo(a Série B era dividida em dois grupos regionalizados como hoje é a Série C), sendo eliminado de forma surpresa nas oitavas de final pelo Bangu, como castigo pela eliminação, o clube que estava entre os quatro melhores da primeira fase terminou em 11º lugar. Nos anos seguintes o clube esteve na metade de baixo da tabela, caindo em 2006 depois de sete temporadas no 2º nível mais importante da pirâmide do futebol brasileiro.
Evolução do escudo do São Raimundo ao longo dos anos – O escudo do clube teria se inspirado no São Cristóvão de Futebol e Regatas, clube tradicional do Rio de Janeiro, que foi campeão do Torneio Início do Campeonato Carioca em 1918. O escudo é descrito no estatuto do clube, no artigo 86, parágrafo III: “…é representado por uma figura geométrica, sua base será uma linha curva, côncava, de cujas extremidades partirão duas linhas menores, convexas, entre si, das extremidades destas sairão duas linhas, aproximadamente da mesma dimensão, retas e um pouco inclinadas para o interior, linhas estas ligadas entre si por uma outra reta horizontal, fechando desse modo a figura. Atravessará a figura uma faixa em sentido transversal, composta de duas linhas paralelas traçadas de maneira a formar um ângulo com a reta horizontal superior, partindo das extremidades, pequena curva convexa direta. A faixa conterá o nome do clube no centro do espaço compreendido entre a faixa e a reta horizontal superior, um pouco para a esquerda, haverá uma pequena circunferência imitando uma bola de futebol, donde partirão seis raios azuis, irregulares. O espaço inferior compreendido entre a faixa e a côncava da base, será cortado por onze (11) listras perpendiculares, azuis e brancas, intercaladas de modo que a primeira e a última sejam azuis”. Ao longo dos anos, houve algumas mudanças, levando a ser utilizado um escudo diferente do que estava descrito no estatuto. Com o surgimento de novas mídias digitais era necessário modernizar e corrigir o escudo, então, em 2017, a empresa de marketing digital “Fermento” e o designer Bernardo Bulcão foram convocados pela diretoria do clube para realizar o trabalho de repaginar o escudo, tornando-o moderno e de acordo com a descrição do Estatuto. As novas adaptações foram trabalhadas um novo aspecto visual, facilitando a identificação da marca perante ao público e a modelagem em mídias online, impressa, e trabalhos em 3D por exemplo.

O uniforme principal do São Raimundo é caracterizado por camisas com listras verticais alternando entre as cores azul royal e branco, com o escudo no lado esquerdo próximo ao coração, combinado com shorts e meias azuis. O uniforme reserva é na cor branca. Durante sua história o clube já usou outros modelos como uma camisa totalmente azul e também uma camisa azul com uma faixa horizontal branca na barriga, sendo que esta última, curiosamente consta no seu estatuto como segundo uniforme oficial (artigo 86, parágrafo VII – O segundo uniforme será todo azul Royal circundado ao centro por uma listra horizontal branca de doze centímetros, contendo na frente o escudo do clube), mas só há registro de uso na década de 60. Com o passar dos anos o clube adotou o azul-celeste como alternativa ou detalhes, devido a proximidade com o hino oficial e a alcunha alvi-celeste adotada nos anos 90.
Mascote – O mascote do São Raimundo é o “Tufão”, o que surgiu como uma alcunha, adotada no hino e que acabou virando mascote do clube.
O Hino – O hino do São Raimundo é de autoria do carioca Francisco da Silva, que o compôs em 1997. O hino foi gravado apenas em 2000.

Alcunhas – Ao clube foram dadas muitas alcunhas ao longo da história, com sentidos diferentes. Apelidos como “Tufão da Colina”, “Alvi-azul” e “Alviceleste” foram dados por sua torcida, outros foram dados em sentido pejorativo pelos rivais e adotados por seus torcedores, como o apelido “Bucheiros” onde os rivais tentavam menosprezar o clube através de sua modesta capacidade financeira.
O apelido “Tufão da Colina” surgiu em 1956, quando o São Raimundo disputou o seu primeiro campeonato na elite. Como era um time recém-saído dos jogos amadores, os outros times e a imprensa não acreditavam muito no time suburbano. Depois, diante de jogos onde mostrou grande qualidade, o radialista Irisaldo Godôt rendeu-se ao São Raimundo, intitulando-o como um “Tufão da Colina”, que chega forte como um tufão e por onde passa causa destruição nos adversários.
Notáveis – Ídolos – Paulinho Bafafá – Zagueiro (1960-1980); Santarém – Atacante (1957-1970); Delmo – Atacante; Marcelo Araxá – Meio-campista; Marinho; Neto; Bolo; Marco; Careca; Caroço; Waldir.
Patrimônio – Atualmente o clube tem como patrimônio seu estádio (que está em estado de comodato com o governo do estado) e sua sede social. A sede social e oficial do clube se localiza na Rua 5 de Setembro, a “Rua da ponte”, no bairro São Raimundo, em Manaus. Trata-se de uma sede administrativa, com algumas funções de lazer em espaço fechado.


Clássico Azul ou São-Nal


Escudo


Delmo é um dos grande ídolos do clube. Na foto, o jogador em ação no Campeonato Amazonense de 2004

O Clássico Galo Preto São Raimundo x Sul América em 1999
Espero que tenham gostado.
Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am
Fonte: Wikipedia, Google
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