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Histórias e Lendas do Amazonas

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Nacional Fast Clube

Por Paulo Almeida Filho

3 de novembro de 2025 às 12:42 Compartilhe

O NACIONAL FAST CLUBE, mais conhecido como Fast Clube, é um clube esportivo brasileiro com sede na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. Foi fundado por dissidentes do Nacional, com quem exerce sua maior rivalidade no futebol, e ao lado deste e do Rio Negro faz parte do grupo dos três clubes mais tradicionais do futebol amazonense. É campeão de 7 edições do Campeonato Amazonense de Futebol, além de ter vencido a Taça Norte de 1970. As cores de seu uniforme são azul, vermelho e branco, remetendo à bandeira do Amazonas.

História – O Nacional Fast Clube, foi fundado em 8 de Julho de 1930, por uma ala de dissidentes do Nacional. A crise política no Nacional estava complicada, dias antes, em 5 de Julho, 27 associados pediram desligamento deste. Uma questão sobre a participação dos jogadores nas eleições estava estremecendo a unidade do clube azulino. Com o veto na participação dos atletas, gerou-se uma grande revolta, que acabou resultando no cisma. Sob a sombra dessa divergência, foi idealizado o Nacional Fast Clube.

Teria sido Rodolpho, o capitão do time nacionalino, quem sugeriu em assembleia que os jogadores tivessem direito a voto, uma vez que também pagavam mensalidades. Porém, o então presidente do Nacional, Coronel Leopoldo Mattos, vetou essa participação. Havia a ideia de que os atletas estariam unidos em torno do nome de Vivaldo Lima para a presidência. Com a cisão e a fundação de uma nova entidade, Vivaldo Lima foi aclamado seu primeiro Presidente. O grupo dissidente considerava que a nova agremiação seria o próprio Nacional, trazendo o nome “Nacional” para o novo clube, adotando também a cor azul, as iniciais NFC e uma estrela como seu símbolo maior. Acontece que foram obrigados a fazer algumas diferenciações, assim o clube adicionou as cores vermelho e branco, passando a referenciar as cores da bandeira do estado do Amazonas. A estrela passou a ser dourada, sendo inserida no centro de um escudo, e não mais isolada. O nome completo da nova agremiação também deveria ser distinto, e como queriam manter as iniciais, resolveram consultar Carlos Mesquita, professor de língua inglesa no Gimnasyo Amazonense Dom Pedro II, que sugeriu que a letra “F” passasse a ser referência ao termo “Fast”, que em inglês significa “rápido”, fazendo uma analogia à rapidez e a destreza que os jogadores se apresentavam em campo.

O primeiro jogo – O primeiro jogo que se tem registro do “Tricolor” foi um amistoso contra o Rio Negro, valendo a posse da Taça Sylvio Franco, realizado no Parque Amazonense. Esta partida foi realizada em 12 de Outubro de 1930 e vencida pelo Fast Clube por 2 a 1. O início – Por conta de suas origens, o clube já nascia com a premissa de ser uma força no futebol local. Ingressou na 1ª Divisão em 1932, temporada da qual já seria vice-campeão. Na década de 30 brigou pelo título em todos os anos, mas colecionou vice-campeonatos. Sua força o colocou em pé de igualdade com Nacional e Rio Negro, formando o “trio de ferro” do futebol amazonense.

Na década de 40 o tricolor continuou forte, mas continuava também esbarrando no 2º lugar. Na segunda metade desta década, o abandono do futebol pelo Rio Negro trouxe o Fast Clube para uma posição mais privilegiada, e este acabou conquistando um bicampeonato em 1948-49, se consolidando como uma potência local com nomes como Raul, Nêgo, Marcílio, Aurélio, Mário Torres, Waldemir Osório, Paulo Onety, Dedé e Zequinha, entre outros grandes jogadores.

Anos 1970 – A virada dos anos 60 para os 70 foram os melhores da história do “tricolor de aço”, quando o industrial Jonas Martins Lopes assumiu a Presidência, o clube viveu seus melhores anos. Depois dos vice-campeonatos consecutivos em 1968 e 69, o Fast foi bicampeão do Campeonato e também da Taça Amazonas. Em 70 venceu um campeonato de pontos corridos disputado ponto a ponto com Nacional, Rodoviária e Rio Negro. O título veio no último jogo, contra o Rio Negro.

Campeonato Brasileiro – Estreou na Primeira Divisão do Futebol Brasileiro em 1977, muito em decorrência da desativação do futebol do Rio Negro, que era o dono da vaga por ser vice campeão estadual em 1976. O clube era comandado pelos irmãos Piola, ídolos do clube no início da década, com Edson como presidente e Antônio como técnico. Os principais nomes do time para aquele campeonato foram o goleiro Iane Jaber, o meia Rolinha e o centroavante Dentinho. A estreia ocorreu em 17 de outubro de 1977, em jogo contra o Nacional, com mando do adversário no Estádio Vivaldo Lima, sendo derrotado por 2 x 0. Ao todo a equipe disputou 17 jogos, onde conseguiu 4 Vitórias, 2 Empates e 11 Derrotas; fez 22 e tomou 31, fazendo 9 gols negativos de saldo.

Na ocasião do confronto contra o Cosmos, o Fast Clube estabeleceu o recorde de público do futebol amazonense, com cerca de 54 mil pessoas, público que jamais será alcançando uma vez que o antigo estádio foi demolido, e a Arena da Amazônia, inaugurada em 2014, tem capacidade para 45 mil pessoas. O jogo de 9 de Março de 1980 parou Manaus, uma vez que o Cosmos era considerado o time com as principais estrelas do futebol mundial, como o tricampeão mundial Carlos Alberto Torres, o alemão Franz Beckenbauer, o ainda iniciante Romerito, e o italiano Giorgio Chinaglia. Para este jogo o “tricolor” contou com o também tricampeão mundial Clodoaldo.

A amarga fase fez o clube buscar parceiros que bancassem seu futebol, assim fechando parcerias com Prefeituras que levaram seu time de futebol para o interior e montaram equipes minimamente competitivas. Na primeira dessas, em 2002, uma parceria com o município de Tefé lhe rendeu bons públicos e um modesto 4º lugar.

2006-08 – mudança para Itacoatiara e renascimento – Para o ano de 2006 o clube firmou parceria com o município de Itacoatiara, tendo como colaborador Donmarques, que chegou a ser prefeito da cidade. A cidade adotou o futebol do clube e o financiou, oferecendo ainda boa estrutura para este. O clube mobilizou a população local, que o abraçou como um representante legitimo, chegando a ter uma média de 4,5 mil pessoas por jogo no Estádio Floro de Mendonça. Essa mudança marcou o renascimento do Fast Clube para o futebol amazonense, já que desde então o clube voltou a sempre figurar nas primeiras posições do certame regional. No ano de estreia, o vice-campeonato amazonense de 2006, onde mobilizou 9 mil itacoatiarense a se fazerem presentes no estádio Vivaldo Lima onde, após empatar em 1×1, perdeu o título para o São Raimundo. O clube ainda naquele ano disputou a Série C, encerrando um período de 11 anos sem jogar competições nacionais.

Estreia na Copa do Brasil – Ainda ligado à cidade, foi novamente vice-campeão estadual em 2007 e 2008, ganhando o direito de jogar as Copas do Brasil de 2007, 2008 e 2009. Em 2007, disputando pela primeira vez, estreou enfrentando o Vasco da Gama, conseguindo levar o confronto para a partida de volta no Rio de Janeiro, onde acabou sendo eliminado. Em 2008 eliminou a tradicional agremiação pernambucana do Santa Cruz na 1ª fase para posteriormente ser eliminado pelo Goiás. Em 2009 foi eliminado ainda na 1° fase pelo ABC de Natal.

A partir de 2009, retorno a Manaus – Após o acesso do Penarol (clube original da cidade de Itacoatiara) à primeira divisão amazonense e o fim da parceria com o colaborador e município, o Fast Clube moveu seu departamento de futebol de volta a Manaus, em 2009. Um ano depois, em 2010, firmou parceria com a Universidade Luterana Brasileira ULBRA para utilizar de suas estruturas e também da assistência de profissionais em formação na entidade.

Por conta dessa parceria, passou a adotar o nome fantasia Fast/ULBRA e ainda em 2010 o clube conquistou novamente um vice-campeonato, quando perdeu nas finais para o próprio Penarol, com quem disputava o carinho de itacoatiarenses, com dois resultados de 0x1. O ano de 2016 marcava o 45º ano do “tricolor” sem conquistar o Campeonato Amazonense, o maior período de jejum dentre os principais clubes do estado. O clube bateu na porta diversas vezes, em 1972, 1977, 1978, 1981, 1991 e mais 5 vezes no período entre 2006 e 2015. No inicio da temporada o clube jogou a Copa Verde, apenas com jogadores da base, por conta da falta de calendário no primeiro semestre, e os resultados não foram positivos, caindo na fase preliminar diante do Águia de Marabá. Uma reviravolta trouxe a equipe de volta por conta de irregularidades no Águia. Agora enfrentou o Paysandu e depois de empate em 1×1 em Manaus e derrota por 4×1 em Belém, a agremiação amazonense foi definitivamente eliminada. Estrutura – Centro de Treinamento da ULBRA Em 2009, o Fast Clube fechou parceria com a Ulbra Amazonas, onde foi oferecido ao clube um campo para treinos e salas destinadas a tratamento médico e áreas diversas, além do auditório da empresa, onde o clube faz coletivas de imprensa. No Campo oferecido foi construída uma pequena arquibancada que possibilitou ao clube receber jogos do estadual de profissionais, inclusive o Clássico Pai e Filho, entre o Fast e o Nacional.

Sede Social – O Fast Clube possuía sede social na Boulevard Álvaro Maia. A sede teve sua pedra fundamental lançada em 13 de Abril de 1968 com a presença de figuras importantes da sociedade manauara como o governador Danilo Areosa, o prefeito Paulo Nery, o arcebispo metropolitano dom João de Sousa Lima, tendo o desembargador Leôncio Souza como orador. A sede foi construída em tempo recorde e foi inaugurada em 8 de Julho de 1968, dia de aniversário do clube. O prédio ainda existe e é localizado na Avenida Boulevard Álvaro Maia, onde em 2007 o clube resgatou o balneário e construiu três piscinas, uma loja de material esportivo e roupas, lanchonete e uma área de lazer, que abrigava o conhecido “Bolerão do Fast”, festa popular nas noites da cidade.

A sede passou a ser alugada para a Igreja Assembleia de Deus Tradicional em 2014. Em 22 de Fevereiro de 2019 se noticiou a venda do imóvel para a referida instituição religiosa pelo valor de R$6 milhões. O ex-presidente Sérgio Ribeiro fez uma denuncia alegando que os tramites foram fraudulentos o que foi de pronto negado por Claudio Nobre (até então vice-presidente), dizendo que nada estava fechado, mas estavam em negociações. Menos de uma semana depois, em 28 de Fevereiro, o mesmo Cláudio Nobre voltou à imprensa local para dizer que de fato havia um processo de venda, o que classificou como “um grande negócio para o Fast”. A sede foi de fato vendida e muito se disse sobre a compra de uma nova sede e até projeção esportiva, mas nada mais foi noticiado nem constatado sobre esses possíveis benefícios para o clube. Mais tarde, em 2020 o Ministério Público do Amazonas resolveu apurar as vendas da sede do Fast Clube, assim como a do Rio Negro e do Ideal Clube para atestar a regularidade dos eventos.

Escudo – O escudo do Fast Clube é em estilo suíço, com uma estrela de cinco pontas ao centro, até este ponto muito parecido com o escudo do Botafogo carioca. O que diferencia é a divisão do escudo em 4 partes por uma faixa vertical e outra horizontal que rumam ao centro onde encontram a estrela, estas partes são: 2 vermelhas acima e 2 azuis em baixo. No escudo do clube não há qualquer letra ou número, apesar de em décadas passadas o clube ter utilizado oficialmente o seu nome acima do escudo.

Cores – As cores oficiais dos uniformes do Fast Clube são Branco, Azul e Vermelho, o que dá a agremiação a alcunha de “Tricolor”. Apesar da presença da estrela amarela em seu escudo, a cor amarela não faz parte das cores do uniforme. Alcunhas: Rolo Compressor – Conta a história que num dia de treino sob o comando do Sr. Quintanilla, o Fast Clube recebeu a visita do técnico João Liberal. Quintanilla percebendo o visitante, resolveu questioná-lo sobre a qualidade do seu time, ao que Liberal teria dito que “este teu time é um verdadeiro rolo compressor”. Tal situação teria se espalhado por Manaus, fazendo com que o clube passasse a ser apelidado. Tricolor da Boulevard – O berço do Fast Clube foi na região da antiga Boulevard Amazonas (atual Álvaro Maia), onde foi construída sua sede. Tricolor Cintado – remete-se ao fato da camisa branca da equipe ter duas faixas transversais que lembram um cinto na altura da barriga. Clube da Estrela de Ouro – O clube nos anos 40 até meados da década de 60 recebia essa alcunha na imprensa geral de Manaus pelo fato de ter uma estrela amarela em seu escudo.

Hino – O Fast Clube teve dois hinos criados. O primeiro deles é o oficial, de autoria de
Mafra Júnior, e o o outro é o da torcida, composto por Paulo Farias e interpretado por seu irmão,
Abílio Farias. Este último é o mais conhecido entre os adeptos.
Trecho do Hino Oficial do Fast Clube, de autoria de Mafra Junior
Fast, sempre Fast! Uma vez Fast até morrer
O querido esquadrão de ouro Tesouro estrelado tricolor
Outras vitórias e glórias virão Dessa pujança que és tu
Tua torcida não se intimida Porque o lema é vencer
Com lealdade Com galhardia
Gigante do esporte O mais forte há de ser.
Trecho do Hino popular da torcida, de autoria de Abílio Farias
«Sua glória é lutar, seduz a gente popular;
E hoje é dia de alegria, acabou a nostalgia!!!
Fast Clube, tu és a esperança, O povo deposita confiança…
Quando entras pra lutar
Hahahahaha… Hohohohoho

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