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A Lenda dos Cupendiepes

Por Paulo Almeida Filho

18 de agosto de 2025 às 11:36 Compartilhe

CUPENDIEPES, também conhecidos como CUPIENDEPES, KUPEN-DYÊB, KUPÊ-DEB, CUPENDIEPE ou KUPENDIEPES, são seres de forma humana, mas com asas de morcego.

Segundo a tradição, esses vampiros da selva habitavam uma gruta maldita, da qual saíam com a intenção de matar os membros da outra tribo, alguns afirmam que eles podem tomar a forma humanoide de morcego.

Algo semelhante aos lobisomens, só que numa versão de morcego. Nas regiões que hoje compreende a bacia do Araguaia-Tocantins, especificamente nas terras Tocantinenses, segundo os indios APINAJÉS, subindo por uma grande serra, dentro de uma tenebrosa e hostil caverna, vivia uma insólita nação de indigenas com asas de morcego, conhecidos como KUPEN-DYÊB – também grafados como KUPÊ-DEB ou CUPENDIEPE: nomeclatura que pode ser tratuzida como POVO MORCEGO.

Segundo as narrativas orais, essas criaturas aladas vagavam somente ao anoitecer, voando armadas com seus machados semilunares: que são referidos assim, pois detinham o formato de uma lua minguante, como se fossem pequenas âncoras de pedra.

Simbolizando a morte. O machado de meia lua faz dos cupendiepes a personificação da Morte no Brasil.

Os Cupendiepes conduziam tais armas pela escuridão dos céus, degolando brutalmente pessoas e animais noite adentro com suas investidas rasantes, desferindo uma forte pancada na cabeça daqueles que ousavam aproximar-se do seu território.

Os Cupendiepes quando voavam pelo céu formavam um espetáculo de sombras e luzes geradas pelo reflexo da luz do sol na lua e da luz no machado de meia lua que carregavam consigo.

Certa vez, um menino e dois caçadores Apinajés ousaram participar justamente nas redondezas do inóspito território da tribo morcego.

O perigo não demorou a surgir.

Nos primeiros minutos após o pôr do sol já era possível ouvir o estridulo gargantear dos Cupendiepes.

Com medo o garoto indígena foi logo esconder-se pelas matas, de onde viu o triste fim dos dois descuidados caçadores, que permaneceram estáticos ao lado da fogueira que haviam acendido, e literalmente perderam a cabeça.

O menino foi bastante ágil e conseguiu fugir de volta para sua aldeia.

Ofegante de tanto correr, e todo apavorado, contou aos lideres sobre o terrível ocorrido.

Foi quando os índios Apinajés reuniram guerreiros de todas as suas aldeias para confrontar os monstros.

Decidiram agir na alvorada, subindo bravamente a serra em busca da lendária gruta, antes que anoitecesse.

Ao descobrirem o local, os guerreiros obstruíram as entradas da caverna com palhas secas e folhas verdes, incendiando-as.

Ainda assim, alguns poucos Cupendiepes conseguiram escapar por uma fenda, voando desesperadamente, mesmo a luz do dia, na tentativa de sobreviver. Resistindo até mesmo as flechadas disparadas pelos Índios Apinajés.

Entretanto, esses alados notívagos que teoricamente remanesceram, nunca mais foram vistos.

Neste ataque, a maioria dos cupendiepes morreu e um bebê-cupendiepes ficou preso na caverna em chamas, pois, sendo ainda um bebê, não possuía suas asas completamente formadas, não podendo fugir.

Era uma criança encontrada de braços cruzados e levemente encolhida, dormindo de cabeça para baixo num canto, em meio as pilhas de corpos incinerados, como um legitimo morcego, mas que de tão nova ainda não tinha asas.

Os guerreiros indigenas queriam matá-la, mas um deles teve piedade e resolveu levá-la para ser criada em sua aldeia – os outros angariaram enfeites e machados semilunares para a tribo.

O pequeno Cupendiepes adotado, não conseguia adaptar-se aos novos costumes, estava sempre chorando e recusando qualquer alimentação que não fosse milho.

Sua maior dificuldade era para dormir, pois não queria ficar deitado. Encontrava-se sempre procurando algo no ar.

Os guerreiros então se lembraram da posição fetal de cabeça para baixo que o encontraram na caverna, buscaram na mata um grande tronco de pau o colocaram sobre duas forquilhas que seguravam o tronco.

E somente pendurado pelos pés é que o bebe-morcego conseguia dormir.

Todavia, alguns dias depois de ter sido levado para a aldeia, o bebê-morcego morreu, não suportando o ambiente fora da caverna.

Sua memória, no entanto não foi esquecida, pois os índios Apinajés continuaram a entoar cantigas dos Cupendiepes, que foram brevemente ensinados pelo pequeno.

A entidade da morte no Brasil é chamada de cupendiepes, e é uma nação de índios alados que carregam machados de meia lua consigo e vivem a ceifar as vidas das plantas, dos animais e dos homens no lugar, mantendo o equilíbrio entre a vida e a morte.

No alto do Tocantins, no centro do Brasil, um antropólogo foi em busca de verificar a veracidade de uma antiga lenda indígena que dizia que naquela região, existia uma nação de índios alados, e só se mostravam durante a noite, voando como morcego: enquanto que, durante o dia, se escondiam numa caverna no alto de um morro.

Entre as histórias sobre os Cupendiepes, destaca-se a figura de Andiraporanga ou Andira Poranga, um ser descrito como amaldiçoado com beleza e bondade. É um cupendiepe que aparece em alguns contos.

Ele é citado em diversos contos, como aquele que nunca fez mal a ninguém sendo digno de viver entre eles e os índios sem sangue cupendiepes.

Diferente de seus semelhantes, ele é retratado como pacífico e digno de coexistir com os seres humanos.

Relatos afirmam que Andiraporanga nunca fez mal a ninguém e viveu entre os indígenas, um contraste com a natureza predatória de seus congêneres.

CUPENDIEPES – São criaturas enigmáticas das tribos indígenas Apinajés do Tocantins descritas como seres humanoides com asas de morcego. Estas criaturas habitariam uma gruta amaldiçoada e, segundo a tradição, emergiam durante a noite para caçar membros de tribos rivais. Algumas versões da lenda afirmam que os Cupendiepes têm a capacidade de se transformar em morcegos, de forma semelhante aos lobisomens, mas assumindo a figura de morcego.

Esses seres são considerados a personificação da morte no folclore brasileiro, uma entidade alada que carrega consigo o machado de meia-lua, símbolo de morte e equilíbrio entre vida e fim.

Este fenômeno reforçou seu misticismo, associando-os ao ciclo da vida e da morte.

Além disso, o machado de meia-lua representava um poder implacável, usado para ceifar vidas de plantas, animais e seres humanos, simbolizando o equilíbrio natural.

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