
Fundada em 1888 pela antiga confraria de São Sebastião, já existente desde a segunda metade do século XIX, a missão franciscana ergueu o templo centenário em honra a São Sebastião com o auxílio do frei Gesualdo Machetti, no centro de Manaus.
Construída no estilo ‘Eclético’, com simetria e formas regulares, cada metro quadrado do prédio histórico se mantém perfeitamente conservado. Suas paredes são grossas e janelas laterais pequenas, características neo-românicas, os altares são em estilo greco-romano, padrão neoclássico, a cúpula em estilo neo-renascentista e vitrais e pináculo com elementos neogótico.
Sua única torre de sinos desperta curiosidades até hoje.
No imaginário popular, a história contada mais conhecida é de que a segunda torre que viria da Europa afundou no mar.
Contudo, de acordo com o livro do tombo (1912 – 1932), a não construção da segunda torre foi que, devido ao excesso de chuvas na região, a igreja precisou novamente passar por reformas e o dinheiro que iria ser empregado na construção da segunda edificação foi adiado. (Fonte: Livro do Tombo da Igreja da Fraternidade de São Sebastião 1912 – 1932. Arquivo histórico dos Frades Menores Capuchinhos do Amazonas e Roraima).
Ao adentrar na igreja, o Museu dos Frades Menores Capuchinhos corresponde a todo templo. Ela possui painéis e vitrais europeus que apresentam o estilo da época no começo do Ciclo da Borracha no estado.
Em 1988 , foi tombada como Patrimônio Histórico pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas.
Devido ao grande acervo histórico guardado ao longo dos anos, lançaram a proposta ao frei superior para iniciar o processo de catalogação e inventariação das peças para abertura do museu relacionado aos bens culturais: “Ao desenvolver desse triênio nós conseguimos reunir equipes e um corpo de voluntários e já começamos a fazer esse cadastro. Nós conseguimos, até então, catalogar cerca de 2.500 peças, que vão desde fotografias, arquivos e materiais tridimensionais. E ainda não parou, tem muito trabalho ainda. Agora nós temos a parceria com o Arquivo Público do Amazonas que está fazendo o trabalho do ‘Arquivo Histórico’ e nós já temos um trabalho sendo realizado no museu que é a catalogação dos objetos, das obras de arte e da documentação que não está no arquivo histórico do acervo do museu e também dentro da igreja de São Sebastião. Esse é o trabalho de inventariação e pesquisa”, explicou Frei Raul Gustavo, da ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMCap).
Pinturas Sacras: O ponto de partida para os visitantes são as pinturas espalhadas em diversas paredes e afrescos. Todas possuem documentação da ordem de serviço, o que valoriza ainda mais sua importância religiosa e histórica para capital.
No altar-mor da igreja pelo lado esquerdo estão: São Francisco de Assis recebendo as Chagas e Nossa Senhora Divina Pastora. Já pelo lado direito estão: São Fidélis de Sigmaringa, protomártir Capuchinho e São Lourenço Brindisi na Batalha de Alba Real.
As obras são do artista Francesco Campanella (s.d) que era amigo dos Capuchinhos em Roma, na Itália e foram colocadas nas paredes de São Sebastião em 1930.
São representações que indicam devoções ligadas aos frades capuchinhos. As pinturas foram benzidas no dia 6 de janeiro pelo Bispo Dom Basílio Olympio Pereira.
O museu possui a documentação desde a época da compra, assim como da chegada das imagens na cidade de Manaus, o que prova sua autenticidade:
“Nos altares laterais da Sagrada Família e do Sagrado Coração de Jesus chegaram na igreja de São Sebastião em 1904, na sua reabertura após a reforma. Tivemos a bênção históricas dessas imagens. Sabemos que elas vieram de uma fábrica francesa chamada ‘Mesoralph Paris’ e a de Santo Antônio, veio diretamente de Portugal. Nossa Senhora das Graças e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foram doadas ainda pela família Perdigão e pela família do Adopho Miranda Lisboa.
Todas são imagens em tamanho real, folheadas em dourado, pintadas a mão, feitas de material de argila e gesso e os olhos são de vidro, uma técnica própria delas. A imagem de Santo Antônio chegou por volta de 1910 a 1912 ainda em São Sebastião e é uma das mais delicadas porque vem de uma construção portuguesa vinda de uma própria casa especialista em construção de imagens sacras. Nós também tivemos a confirmação de que a imagem de Nossa Senhora de Fátima que também veio da mesma casa portuguesa e pertence, também, ao nosso acervo capuchinho. Ela chegou em média no ano de 1920, após a Primeira Guerra Mundial”, destacou Frei Raul Gustavo.
Cálices Históricos: Na sala de reserva técnica ficam guardados os acervos tanto da igreja de São Sebastião quanto das missões dos frades capuchinhos. Nela, encontram-se dezenas de cálices que foram recebidos pelos frades como presentes de ordenação ou data histórica da igreja: “A ideia do museu é dar importância para o objeto histórico, estético e também litúrgico que é o museu eclesiástico. O objeto não perde a sua função e o seu valor. Esse cálice histórico ainda conserva sua composição original com aspecto de ouro e foi feito por um frade que já morreu no seu aniversário de ordenação. A maioria dos cálices são pintados a mão’’ explicou Frei Raul Gustavo.
Fotografias pintadas a mão: Datadas de 1920, época em que os registros fotográficos eram em preto e branco, apresentam a missão dos capuchinhos pela região do Alto Solimões: “E o interessante delas é que essas fotografias são raras. É uma fotografia normal só que ela foi colocada dentro de duas placas de vidro, feito em nitrato de prata e todas elas são pintadas a mão. Essa é a placa mais rara que nós temos porque foi o primeiro registro de fotografia entre os indígenas do Alto Solimões. Aqui é a primeira missa realizada em 1911 na Tríplice Fronteira com indígenas Perovianes.
Os Frades Capuchinhos desempenharam um papel crucial na evangelização e desenvolvimento do Amazonas e Roraima, especialmente no início do século XX. Eles chegaram à região em 1909, liderados por quatro frades da Úmbria. Desde então, a presença capuchinha na Amazônia tem sido marcante, com atividades que vão desde a evangelização de comunidades indígenas e ribeirinhas até a promoção de serviços sociais e a preservação da cultura local.
SOMOS IRMÃOS! Em nossa Ordem chamado a viver sua missão e vocação de menor junto aos mais simples. Dentro desse carisma, o pode exercer diversas atividades para o bem do povo.
Entre eles é possível encontrar alguns que são Professores, Psicólogos, Artistas, Poetas, Escritores, Padres, Assistentes Sociais, Enfermeiros e tantas outras possibilidades. Sendo assim, nem todo Frei é Padre, cada um exerce sua função a partir de sua vocação específica. Nosso fundador, São Francisco de Assis, fundou a Primeira Ordem em 1209. Ele desejava viver uma vida de simplicidade, conforme ouvira do evangelho que diz: “não levem ouro ou prata, nem sacola ou alforje, nem pão, nem bastão, nem tenham duas túnicas” (Mt 10,9-10).
O Fundador, imbuído desse espírito missionário, após ouvir essas palavras do evangelho e entendendo-as mais claramente, enfatiza sua nova opção de vida: “é isso que eu desejo realizar com todas as minhas forças” (LTC 25).
Inspirados por São Francisco de Assis, vivemos em fraternidade, na qual cada irmão, com o seu jeito peculiar de ser, colabora na construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna. A Regra e vida dos Frades Menores é esta: Observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade. E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho. São Francisco de Assis (cf. Regra Bulada e Testamento de São Francisco).
Aqui, todos são irmãos. Acreditamos no poder da fraternidade como a melhor ferramenta para movimentar montanhas, transformar o ódio em amor e tornar o mundo um lugar melhor. Nosso jeito de ser e viver nos conduz a uma vida modesta e simples, para que possamos estar ao lado dos mais pobres, promovendo a paz e o bem. Somos missionários desde a nossa origem. A vida em missão perpassa pelo despojamento e pela entrega diária de nossa vida a Deus e aos irmãos. Segundo as nossas constituições somos “educados para o dom generoso e total da própria vida e para desenvolver em si mesmos a disponibilidade missionária” (Constituição OFMCap 26).
Atuamos nas áreas de educação, atendimento espiritual, assistência a clínicas terapêuticas, visita aos cárceres, assistência a famílias carentes, projetos de arte e cultura, pastoral nas paróquias e tantas outras coisas de acordo com a realidade onde estamos. Nossos trabalhos visam a formação cultural, espiritual e humana, sendo a promoção humana parte fundante da nossa ação como religiosos franciscanos capuchinhos.
SANDALIAS: Desde dos mais remotos períodos da história humana, a criatividade do homem é uma ascendente característica de vida em evolução, a ideia de proteger seus pés com folhas e fibras vegetais surgiu, e a partir dessas proteções rudimentares, foram feitas as primeiras sandálias como conhecemos hoje. Tal qual as sandálias tecidas de folhas de papiro dos egípcios, 4.000 anos antes de Jesus Cristo. Ou as feitas com uma sola de couro e correias para prender ao pé, criadas pelos gregos e também em Roma. Ou mesmo, na Idade Média, quando se usava sapatos fechados, pois a ideia de mostrar os pés era ridicularizada, sendo assim, cada civilização e povo criou e inovou a mesma ideia, proteger os pés. Mas esse calçado recebeu um novo significado quando passa a fazer parte da veste dos frades.
TERÇO: Terço ou coroa franciscana é um símbolo utilizado por diversos frades pendurado ao cordão do hábito. Diversos elementos contribuíram para que o terço ou coroa fosse integrado à vestimenta dos frades, todavia é importante dizer que esse não é um elemento que faz parte originalmente do hábito franciscano; e também não é de uso obrigatório atualmente.
CORDÃO FRANCISCANO: O cordão presente no hábito franciscano é também chamado de cíngulo. Cingir é um verbo, que pode significar: cercar, circundar ou limitar, fazer parte de algo ou permanecer em seu interior. Esses significados ajudam a entender a função desse símbolo. Vale a pena conhecer um pouco mais sobre a riqueza desse símbolo da nossa igreja.
HABITO CAPUCHINHO: A escolha do hábito marrom castanho está diretamente relacionada com a modéstia e discrição, roupa muito usada pelas pessoas simples. A escolha da cor, tecido e cordão manifesta de forma visível qual é a forma de vida dos frades que se revestem dessa roupa. Esse símbolo tão bonito merece ser conhecido com atenção e cuidado.
SAUDAÇÃO: Francisco de Assis não transformou a saudação “Paz e Bem” num simples cumprimento religioso, mas sim num programa de vida. Desejar a paz e o bem a tudo e a todos é ter as melhores palavras e a melhor presença, é bem-dizer, é desejar o melhor; não é só dizer, mas fazer o bem, levar a saúde da alma, do corpo e das relações. Ter nos lábios o que pulsa no coração.
Os Frades Menores Capuchinhos (também conhecidos como Capuchinhos) desempenharam um papel importante na missão religiosa e social no ALTO SOLIMÕES, na Amazônia, ao longo de mais de um século.
Para os padres reunidos no Vaticano na terça-feira 15 de outubro, para o Sínodo Especial sobre a Amazônia, foi exibido um vídeo ilustrando o trabalho realizado pelo barco-hospital Papa Francisco a serviço das populações ribeirinhas do estado brasileiro do Pará, ao longo de um trecho de 1000 quilômetros do rio Amazonas. Mas nem todo mundo conhece um precedente ilustre dessa iniciativa, que se deve aos frades capuchinhos, que na década de 1970 equiparam um barco-hospital, o Maria Cristina, que levava à bordo o médico missionário Padre Pio Conti da Pieve Torina. O religioso percorria ininterruptamente para cima e para baixo o rio para distribuir remédios aos doentes, incluindo os portadores de hanseníase.
De fato, entre os primeiros missionários engajados na Amazônia brasileira, estavam justamente os capuchinhos que chegaram da Úmbria em 1909, ou seja, cento e dez anos atrás. Eles chegaram quando as pessoas estavam saindo: o boom do ciclo de borracha havia terminado e os nordestinos estavam retornando ao seu árido sertão, mais pobre do que quando haviam saído.
O engenheiro Malvezzi, de Vicenza, encontrando-se um dia com o missionário que residia em Benjamin Constant, disse: “Padre, esses povos progredirão quando a miséria puder ser empacotada e mandada para a Europa”. Ele estava certo porque a Amazônia era um imenso prado verde suspenso e “sempre verde” porque povoada por pessoas imersas na pobreza endêmica.
Os primeiros capuchinhos que chegaram ali foram quatro, como pontos cardeais que deveriam estabelecer referências certas para as pessoas desapontadas e desorientadas pelo colapso do comércio de borracha. Eles eram muito jovens e é preciso lembrá-los: padre Domenico Anderlini de Gualdo Tadino, padre Ermenegildo padre Agatangelo Mirti de Spoleto e frei Martino Galetta de Ceglie Messapico.
Ponti de Foligno, O território que lhes foi confiado possuía as fronteiras do horizonte: 140.000 quilômetros quadrados (17 vezes a Úmbria de onde vieram) e cerca de 20.000 habitantes, dispersos nos canto mais recônditos, e mais pobres que os índios que nasceram ali e se refugiaram perto da nascente do rio.
Os capuchinhos trabalhavam – e trabalham – ao longo do Solimões (como é chamado o rio Amazonas na entrada do Brasil), um curso de água ao qual a palavra rio é muito próxima: portanto, os nativos o chamam mais simplesmente Rio Mar.
Alguns meses para a aclimatação, então a primeira e óbvia decisão: abrir escolas, dado que sem educação não há progresso em nenhum campo. Fazendeiros e madeireiros sabiam disso e por isso criaram obstáculos à iniciativa, vendo no missionário um homem que teria impedido a exploração dos pobres.
Começou o governo central ao qual o superior escreveu pedindo ajuda para a residência mais insalubre: Remate de Males – hoje Benjamin Constant, (um vilarejo perto da atual Atalaia do Norte, tradução de “sentinela do norte”). Ele não teve resposta.
Uma segunda carta foi respondida dizendo que não havia fundos disponíveis e, enquanto isso eram concedidos 4.000 contos (14 milhões de liras em 1920) para a catequese laica e positivista entre os indígenas.
No dia seguinte à chegada a São Paulo de Olivença, o município votou uma lei que proibia a venda de terras aos estrangeiros; sempre em Remate de Males aos missionários foi oposto um sacerdote suspenso a divinis, acompanhado para batizar aqui e ali pelos rios; em Amaturá, a canoa chamada pelo recreio, quando soube que um missionário deveria ser transportado, desapareceu na noite. Os seringueiros não fizeram oposição aberta, mas tiveram muita dificuldade em entender que certos costumes não poderiam ser mantidos após o batismo que todos reivindicavam. O padre Evangelista escreveu: “Se alguém desse ouvido às graves dificuldades que se encontram a cada passo, nunca faria nada”. E novamente: “Há um ano e meio, tartarugas, peixes de rio, feijões, farinha de mandioca e água têm sido nosso alimento cotidiano”. Havia motivos para se desencorajar, se o desânimo fosse filho da preguiça.
Os missionários, além da oração, recorreram à astúcia: quiseram parecer maiores do que eram e começaram a construção de um colégio que (na opinião deles) “incutisse respeito”. Não foi fácil, porque não há pedras no Alto Solimões; um tijolo estava há dez dias de navegação rápida e, levado ao local, custava quatro liras (1921); o carpinteiro tinha que vir de Manaus (1.300 quilômetros). No entanto, era necessário ter sucesso. E mesmo quando o infortúnio entrou em campo (uma mina explodida fora de tempo quebrou o braço de um trabalhador e cegou outro, assustando todo o grupo que abandonou o emprego), o próprio Prefeito Apostólico embrenhou-se na floresta para encontrar a madeira necessária para a construção que foi aos poucos concluída.
Enquanto alguns lecionavam nos colégios abertos em São Paulo de Olivença, em Amaturá (aonde chegaram pedidos de matrícula até de Manaus) e até na ilha de Urutuba, outros, como o padre Diego da Ferentillo, encontraram tempo para ensinar o cultivo racional do café e da cana de açúcar; outros, como o padre Ludovico da Leonessa, indicavam a área mais adequada para a construção da maior cidade da então prelazia, Benjamin Constant; e outros (non nomina ut adsint numina) administravam duas estações meteorológicas, tratavam dos doentes nos pequenos dispensários da missão, introduziam as abelhas italianas e um deles foi nomeado presidente dos apicultores da Amazônia.
Dos quatro missionários que chegaram em 1909, o primeiro a ceder foi o padre Agatangelo, que morreu de febre amarela aos 27 anos. Nos primeiros 76 anos da missão, houve sete mortes e quatro foram repatriados por doenças graves. O padre Evangelista Galea, de Cefalonia, recebido em audiência pelo papa Pio XI em 18 de novembro de 1925, disse: “O clima em que vivemos incapacita dois missionários por ano”. O único remédio era refugiar-se periodicamente nos hospitais de Manaus, definida pelo padre Giuseppe da Leonessa como “valetudinário dos missionários”. Mas ninguém cedeu fiel ao que se costuma dizer, ou seja, que os capuchinhos vão aonde outros não quer ir.
Do ensino e da promoção humana, passou-se uma intensa evangelização, graças à chegada de novos e jovens missionários que aproveitaram principalmente o trabalho realizado com os índios, chegando até a descobrir uma nova tribo, os Caribus, com o padre Venceslao da Spoleto: um evento do qual a imprensa mundial falou. As preferências, no entanto, foram – e são – para os índios Tikuna (a maior tribo de todo o Brasil), entre os quais o padre Fedele Schiaroli, de Alviano, havia trabalhado, que se ligou tanto a eles e ponto de ser incluído em uma das “nações” em que a tribo é dividida.
Não é fácil trabalhar com os índios, principalmente com os jovens. Os missionários quebraram a cabeça e, no final, decidiram envolvê-los em algo novo, já que o novo agrada aos jovens. E o que seria? Pensou-se em várias novidades, mas foram escolhidasduas: organizar um festival e colocar a catequese em suas mãos. Há dez anos em Belém dos Solimões, capital espiritual da tribo, organiza-se um festival da cultura e das atividades dos índios, incluindo os de etnias vizinhas: pesca, caça, música, artesanato, tiro com arco e tiro com zarabatana, remo, atletismo, coletânea de provérbios, lendas e assim por diante. Durante uma semana, Belém é uma pequena-grande academia ao ar livre; as estradas se tornam pistas para corridas e desfiles; as cabanas pequenas, os hotéis para as degustação; a maloca (cabana comunitária), um caleidoscópio de luzes e cores. A preparação, que dura mais de um ano, está nas mãos de jovens que passam de cabana em cabana para entrevistar os idosos e redescobrir, assim, usos, rituais e atividades que desapareceram, mas ressuscitadas pelo relato que os aproxima e embeleza. Desde que o festival começou, diminuíram os suicídios entre os jovens, uma praga generalizada junto com o alcoolismo na Amazônia. E isso não é pouco! Ao festival somou-se a catequese semanal nos vilarejos vizinhos, realizada no idioma local. Parte-se em uma canoa cantando e respingados pelos salpicos da água que voam de um barco para outro; chega-se ao vilarejo reunido à sombra de uma mangueira e se discute como uma parábola evangélica possa ser aplicada à vida da tribo. “É muito bom – escreveu um catequista – viver juntos momentos de cantos, orações e danças ao sol e acompanhados pelo canto dos pássaros”.
As mais ativas, como sempre e em toda parte, são as mulheres jovens, com as quais os missionários estão tentando iniciar uma forma de vida consagrada “estilo tikuna”. As perspectivas são boas; duas já vivem em comunidades sem sinais particulares: vestem-se, vivem, pescam como as amigas do Vilarejo, mas por dentro têm algo que arde e ilumina.
Seria um milagre se amanhã chegassem à consagração religiosa, dado que até agora não houve nenhuma vocação na tribo. O único sucesso, se assim pode ser chamado, é a ordenação de um diácono. “Pensando no passado – disse um missionário – pode-se falar de milagre. Que esperamos, dado o acolhimento das aspirantes da tribo, orgulhosa de que algumas de suas mulheres trabalhem como os missionários na casa de Tupana (Deus)”.

São Paulo de Olivença

Benjamin Constant


Espero que tenham gostado.
FONTE: Wikipédia, Google.
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista*
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