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Comunidade Italiana no Amazonas

Por Paulo Almeida Filho

16 de junho de 2025 às 15:13 Compartilhe

 

A comunidade italiana no Amazonas, embora menor em comparação com outras regiões do Brasil, possui uma história e um legado significativo. A imigração italiana para a Amazônia, especialmente para o estado do Amazonas e o Pará, foi tipicamente urbana, com os imigrantes se concentrando em cidades como Manaus. Eles desempenharam um papel importante em diversas áreas, incluindo a produção de guaraná, a indústria de calçados, a construção naval e o setor de beneficiamento de plantas oleaginosas.

A presença italiana na Amazônia: Manaus é uma das cidades mais miscigenadas do Brasil. Desde o ápice da economia cafeeira no País até os dias atuais, a capital amazonense foi bombardeada – no melhor sentido da palavra – pela chegada de imigrantes dos mais distintos cantos do globo.

Neste grupo, os Italianos foram um dos que desempenharam importante função na construção, tanto física quanto cultural, da nossa “terrinha”.

No entanto, poucos eram os registros da história desses estrangeiros por aqui.

Até agora. Visando preencher essa brecha, o aposentado Luiz Geraldo Demasi lançou o livro “Italianos em Manaus”, editado pelo Conselho Municipal de Política Cultural de Manaus.

A obra consiste num punhado de relatos históricos e pessoais do autor sobre a chegada dos italianos à cidade. “Fui motivado a escrever esse livro principalmente pela minha mulher, Doralice, meus filhos e netos, que sempre me perguntavam sobre nossas origens. Eles queriamsaber o porquê dos seus antepassados terem deixado a Itália”, revela Demasi, em entrevista ao BV GENTE. “Meus pais e tios vieram para Manaus e, conversando com minha mulher, comecei a articular uma forma de resgatar a memória desses ilustres italianos”.

Segundo o autor, “Italianos em Manaus” mostra a chegada desses primeiros imigrantes à capital. “Inicialmente, muitas famílias foram para São Paulo trabalhar nas fazendas de café. Com a abolição da escravatura, o Brasil estava carente de mão de obra”, explica ele. “Porém minha família optou por morar em outro canto do País, e escolheu Manaus. Aqui, ela se juntou a outro grupo de italianos, que passaram a trabalhar como alfaiates, pedreiros e sapateiros. Na obra, tem até os anúncios das empresas deles”, acrescenta.

Pesquisa – Para concluir o livro, Demasi levou mais de dez anos, divididos entre visitas a Biblioteca Pública do Amazonas e São Paulo, como também análises de registros de nascimento e óbito na cidade. Além disso, voou até a Itália, mais precisamente à comuna de Castelluccio Inferiore, localizada na região da Basilicata, província de Potenza – o município, inclusive, estampa a capa de “Italianos em Manaus”.

“É a cidade do meu pai e está conservada há mais de 100 anos. Está do mesmo jeito”, confessa o autor. “Dá para se ter uma ideia de como esses italianos se encontravam ali. Encontramos coisas que ainda funcionavam, como pequenas mercearias e sapatarias”.

Homenagem – De acordo com Doralice dos Santos Demasi, a obra pode ser divida em duas partes. “A primeira delas é a chegada dos italianos, que vieram a Manaus em busca de melhores condições de vida. Nós não temos noção de quanto trabalho foi feito por eles. Já na segunda, ele (Luiz) faz uma homenagem ao pai”, pontua.

Domingos Demasi, forma aportuguesada para Domenico Demasi, veio com a família para a capital amazonense ainda jovem, sendo convocado, aos 17 anos, para lutar pelo seu país na Primeira Guerra Mundial. “Como filho único, ele tinha a opção de não ir, mas fez questão de lutar pela sua pátria”, reforça Luiz.

Felizmente, o italiano retornou a Manaus sem nenhum arranhão para, 50 anos depois, ser condecorado como herói pelo cônsul italiano, que fez questão de vir à cidade para homenageálo com uma medalha. “Depois de ter lutado e salvo várias vidas, meu pai passou a fazer fardamento para o exército, aeronáutica e marinha, além de uniformes para escolas como o Dom Bosco.

Ele era um alfaiate muito bem treinado e bastante requisitado. Até para o governador já prestou seus serviços”.

Imagens – Grande parte do livro “Italianos em Manaus” é ilustrada, tanto pelo acervo pessoal de Luiz Geraldo Demasi quanto por fotografias antigas e de domínio público.

A imigração italiana nas regiões Norte e Nordeste do Brasil diz respeito ao movimento imigratório de italianos para o Norte-Nordeste do país.

A presença italiana no Norte-Nordeste do Brasil remonta ao século XVI. Na então Capitania de Pernambuco, centro da economia canavieira, o senhor de engenho Filippo Cavalcanti, um nobre oriundo da cidade de Florença, casou-se com Catarina de Albuquerque, filha do governador Jerônimo de Albuquerque com a índia Maria do Espírito Santo Arcoverde, dando origem ao clã dos Cavalcantis (ou Cavalcantes, na variante aportuguesada), reconhecido como a maior família do país.

Ainda no Brasil Colônia, foram numerosos os sacerdotes italianos enviados ao país, para trabalhar no processo de evangelização dos povos indígenas. Dois jesuítas italianos, Andreoni e Benci, se destacaram por haver escrito livros sobre o Brasil, no século XVIII.

Outros religiosos que se estabeleceram no Nordeste brasileiro foram os capuchinhos, que desbravaram os sertões.

Além deles, muitos costureiros, alfaiates, sapateiros, funileiros, caldeireiros e mecânicos se fixaram tanto nas capitais como no interior do Nordeste, a fim de trabalhar.

Em 1837, chega à Bahia um grupo de 62 exilados políticos oriundos da península Itálica, que foram presos devido às agitações políticas que ocorriam no período que antecedeu à unificação da Itália. Estes exilados sensibilizaram-se e aderiram ao movimento revolucionário que ocorria em Salvador, a Sabinada. Alguns foram presos, outros retornaram para a Itália e houve aqueles que mudaram-se para o Rio de Janeiro. Este envolvimento político dos imigrantes fez com que uma nova leva de exilados, oriundos da região de Nápoles, fosse cancelada.

No período imperial havia uma preocupação com a ocupação de posições consideradas importantes para o governo brasileiro e o desejo de “embranquecer” a população.

Por isto, o governo passou a desenvolver uma política de colonização, com mais intensidade no sul do país, não só com os italianos, como com outras nacionalidades europeias. Eles se instalaram no país e passaram a se mobilizar por outras províncias do Império.

Os italianos que vieram para Manaus não queriam trabalhar nos seringais. Seu interesse era ganhar o dinheiro que circulava na cidade enriquecida pelo comércio da borracha. Aqui trabalharam como pedreiros, sapateiros e alfaiates. Possivelmente se interessaram em vir para a região a partir de 1897 quando a empresa de navegação ‘Ligure Brasiliana’, de Gênova, inaugurou uma linha com três vapores que, saindo dessa cidade, passava por Belém e Manaus, seu último destino. Alguns dos sobrenomes que até hoje indicam a ascendência italiana no Amazonas são Demasi, Russo, Biase, Pascarelli, Calderaro, Limongi, Figliuolo, entre outros. Nota de Evaldo Ferreira, repórter do Jornal do Commercio.

“Não sabemos exatamente quando o primeiro, ou os primeiros italianos, vieram para a Amazônia e para o Amazonas”. Essa data se refere a documentos de 1898, que mostram famílias chegando à região, mas não temos como comprovar que foram as primeiras.

“Quem sabe se por volta de 1870, quando o comércio da borracha começou a se expandir para os Estados Unidos e Europa, e muitos europeus vieram para cá, se também não vieram italianos”.

Estima-se que cerca de sete milhões de italianos vieram para o Brasil entre 1870 e 1920.

“Naquela época a Europa era um continente pobre, tanto que muitos italianos viajavam para os Estados Unidos e o Brasil em busca do enriquecimento, e alguns conseguiram, como Matarazzo, Martinelli, Bauducco, em São Paulo”.

A imigração – Já entre os anos de 1898 e 1902, foi publicada em Gênova uma revista quinzenal, a L’Amazzonia, que tecia elogios sobre os estados do Pará e do Amazonas, com o intuito de persuadir italianos para lá imigrarem. Mas a pobreza local na época e o clima quente da região dificultaram a adaptação dos imigrantes.

O estado do Pará foi aquele que mais insistentemente tentou implantar núcleos italianos no seu território.

A primeira tentativa data de 1899 e o estado oferecia aos imigrantes terra de 25 hectares, ferramentas, salários durante três dias da semana para desmatar a área, além de alimentação gratuita nos primeiros seis meses.

Porém, após alguns meses, das doze famílias assentadas, nove desistiram. Outras duas tentativas foram feitas no mesmo ano de 1899, sem nenhum sucesso. Não era apenas o clima quente da região que acarretava no fracasso das colônias, mas o próprio despreparo dos italianos ao terem que lidar com cultivos que desconheciam (algodão, fumo, açúcar, cacau), produtos que só davam lucro quando produzidos em grande escala, com base num comércio que já deveria estar anteriormente estabelecido.

Por essas razões, a imigração italiana para o Norte e Nordeste não foi agrícola, mas temporária, espontânea e essencialmente urbana. Durante o auge da exploração da borracha no final do século XIX, houve um certo fluxo de imigração italiana para a região amazônica. A movimentação econômica atraiu um subproletariado italiano oriundo, sobretudo de outros estados brasileiros, que se dedicava principalmente ao comércio ambulante ao longo do rio Amazonas ou se ocupava nos misteres urbanos (engraxate, sapateiro, carregador etc).

A imigração italiana para a Amazônia foi predominantemente urbana, com os imigrantes se fixando nas cidades e capitais dos estados. Os italianos tiveram um impacto significativo em diversas áreas econômicas, como a produção de guaraná, a indústria de calçados, a construção naval e o beneficiamento de plantas oleaginosas. Além do impacto econômico, os italianos também deixaram um legado cultural, com a presença de artistas, arquitetos e outros profissionais que contribuíram para o desenvolvimento das cidades amazônicas.

A presença da comunidade italiana em Manaus é estimada em mais de mil cidadãos com passaporte italiano, o que representa uma base sólida para o fortalecimento das relações entre o Brasil e a Itália. Especialmente no início do século XX, foi uma alternativa à mão de obra escrava que existia no Brasil. Trouxeram consigo novas técnicas agrícolas, hábitos e costumesque influenciaram a cultura e a economia de diversas regiões do Brasil, incluindo a Amazônia.

Os descendentes de italianos no Brasil formam uma comunidade numerosa e significativa, com uma história rica e um legado que continua a ser preservado e transmitido de geração em geração.

A culinária italiana, com suas pizzas, pães, massas e vinhos é admirada em todo o planeta, por isso a importância de um Chef, admirador do país da bota, pertencer à Federazione Italiana Cuochi, que em Manaus ainda tem acrescido a palavra Nord (Norte, em italiano), por ser a sede da Federação no Norte.

“Temos diretorias da Federazione em todo o país. O único Estado do Norte que ainda aguarda a nossa presença é Roraima”, informou o chef Márcio Dutra da Gama Pitillo, Diretor da FIC Nord. “Sou filho e neto de italianos. Meu avô Giovanni Pitillo chegou a Manaus fugindo da pobreza, na Itália, em 1910, trazendo meu pai Antônio ainda bebê. Em Manaus, meu pai casou com uma cabocla de Barreirinha, Otília, e nasci dessa mistura”. Márcio é Chef há 25 anos. Já morou em Campinas/SP, fez cursos de gastronomia na Itália, onde se tornou Mestre Chocolatier e em cozinha italiana.

O Chocolatier é um profissional que estuda o chocolate do cacau até como preparar os chocolates mais finos. Em 2004 Márcio voltou a morar em Manaus. Teve um restaurante, fechado na época da pandemia, e agora está montando uma cafeteria. “Faço consultorias e dou aulas sobre culinária italiana, cozinha contemporânea clássica e produção de massas frescas e caseiras”.

Em 2020 Márcio conseguiu trazer a Federazione para Manaus e desde então tem trabalhado para atrair mais federados e tornar a Federação atuante no cenário local.“Na Itália, a FIC é uma instituição muito respeitada e de grande prestígio. Existe desde 1968 e é a única instituição certificada pelo governo italiano para representar a culinária do país pelo mundo”, contou. (reportagem do Jornal A Crítica – 03/11/2014).

Márcio fez cursos na Itália, se tornando mestre Chocolatier e em cozinha italiana.

No Brasil, a FIC existe desde 2006 e, atualmente, reúne mais de 800 chefs. Em Manaus, com apenas três anos de atuação, a FIC Nord tem doze federados. “Para fazer parte da Federazione não necessariamente precisa ser Chef. Pode ser um sommelier, um estudante de gastronomia, uma empresa que trabalhe com alimentos. O importante é querer ter uma afinidade com a cozinha italiana. O foco principal é o aperfeiçoamento profissional através de cursos, que o federado poderá fazer em todo o Brasil, e até no exterior, sem pagar nada, porque esses custos já estarão incluídos na anuidade que o federado paga”.

“Outro dos objetivos, de acordo com as regiões do país, é fazer a fusão da culinária italiana com a culinária de cada região, como no nosso caso, com a amazônica, que é tão rica quanto a deles”, relatou. Para se tornar um federado da FIC, a avaliação prévia começa por Manaus. Depois o currículo do interessado, com essa avaliação, será enviado para a sede central da FIC no Brasil, em São Paulo.

“O estatuto da FIC italiana é o mesmo adotado em todas as sedes e diretorias, existentes pelo mundo. Lá estão descritas as regras que devem ser seguidas pelos federados como, por exemplo, usar o dólmã padrão em todos os eventos que o federado for representando a instituição”, avisou.

“Quando o federado completa 25 anos na FIC, recebe um colar de honraria e um diploma de reconhecimento pela sua dedicação e profissionalismo, além de ganhar o título de Máster Chef, que lhe imputa respeito em qualquer ambiente gastronômico que frequente no mundo”, disse.

Vinhos também alegram as reuniões dos chefs da Federazione

PARICATUBA/AM

Espero que tenham gostado.

FONTE: Wikipédia, Google, livro “Italianos em Manaus” Luiz Geraldo Demasi.

 

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