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Maioria dos lojistas com alta nas vendas

Balanço de vendas do comércio no Dia das Mães mostra crescimento moderado neste ano, segundo levantamento do IFPEAM

30 de maio de 2025 às 14:54 Compartilhe

Segunda data mais importante do calendário varejista, o Dia das Mães gerou crescimento para apenas 54% dos comerciantes de Manaus neste ano. Dentro desse grupo, no entanto, 53% tiveram taxas de expansão de dois dígitos nas vendas. Os dados são da pesquisa devolutiva para a data, realizada pelo IFPEAM (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas). O levantamento confirma que, em levantamento confirma que, em um ambiente de inflação em alta, os principais atrativos para as vendas foram as promoções e ofertas oferecidas pelo setor. Mas, vai na contramão da sondagem de intenção de compras, ao apontar que o consumidor continuou confiando no crédito, apesar da escalada dos juros.

O mesmo levantamento revela que o percentual de empresas que ofereceram empregos temporários para a data comemorativa mais importante do varejo no primeiro semestre continuou pequeno, tendo caído de 83% para 82%. Outro dado negativo que reflete a piora do ambiente macroeconômico brasileiro, é que o valor médio de compras por consumidor, conforme o Ifpeam, foi de R$ 259,18. Houve uma queda de 14% em relação a 2024 (R$ 301,88). Em paralelo, o índice de ocorrências de furtos em estabelecimentos comerciais aumentou de 3% para 7%, na mesma comparação de períodos. Até o fechamento desta edição, a CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) ainda não havia divulga do seu balanço de vendas para o Dia das Mães. Na pesquisa de intenção de compras para a data, a entidade havia calculado que as vendas seriam 2,9% mais fortes do que no ano passado, com receita bruta de R$ 157 milhões e ticket médio de R$ 170. Os números são melhores do que os projetados em 2024 (R$ 167 e +2,8%), em uma conjuntura de 5,53% de inflação acumulada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor-Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos 12 meses encerrados em abril.

 Valor médio de compras por consumidor, conforme o Ifpeam, foi de R$ 259,18

Foto: divulgação

Preços e atrativos

A pesquisa devolutiva do Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas mostra que o crescimento se restringiu a 54% dos empresários, em resultado performance pouco abaixo da registrada no Dia das Mães do ano passado (54,2%). A fatia de lojistas com vendas estagnadas caiu de 18% para 17%. Em contrapartida, a parcela de comerciantes com resultados abaixo de 2024 subiu de 26,9% para 29%. Vale notar que uma pesquisa conduzida pela Fecomércio de São Paulo já havia revelado que a valorização do ouro, a alta do cacau e o impacto do dólar já havia elevado o preço dos presentes em 5,3% neste ano, como chocolates (+21,77%), perfumes (8,44%), computadores (+5,14%), entre outros.

Para 47% dos lojistas que sinalizaram aumento nas vendas, o crescimento das vendas no Dia das Mães não passou dos 10%, pouco menos do registro do ano passado (45%). Uma parcela pouco menor de empresas (44%) relata desempenho superior, com acréscimos de 11% a 35%. As vendas escalaram entre 36% e 49% para apenas 3% dos entrevistados, mas uma fatia dos entrevistados com o dobro desse tamanho (6%) relatou decolagens superiores a essa margem. O Ifpeam não informou quais segmentos se destacaram. Na pesquisa de intenção de compras, a predileção do consumidor era por roupas, calçados e acessórios (29%), perfumes (19%) e cosméticos (11%).

Em um ambiente de inflação oscilante e com viés de alta, escalada nos juros e endividamento crescente, 87% dos comerciantes lançou mão de estratégias para atrair o consumidor. As mais em pregadas foram as “promoções e ofertas”, atrativos utilizados por 44% das empresas sonda das contra os 53% de 2024. Para driblar a erosão nos orçamentos das famílias e fazer o consumidor ir além das compras básicas, as lojas também ofereceram brindes e sorteios (24%), “facilidades de pagamento” (19%) e “condições especiais de frete” (1%) também integraram o arsenal dos lojistas.

Crédito, emprego e segurança

Entre as formas de pagamento, o cartão de crédito (50%) foi o meio mais utilizado pelos clientes para comprar no Dia das Mães deste ano, em percentual abaixo do capturado em 2024 (58%). Em sintonia com o medo dos juros e da inadimplência, 45% dos consumidores preferiram as diversas modalidades de pagamento à vista (Pix, dinheiro, cartão de débito, transferência bancária, etc) -contra os 38% do ano passado.

Em seguida estão o crediário/ carnê da loja (5%). Dessa forma, diferente do apontado nas pesquisas das entidades para a intenção, o consumidor preferiu pagar depois. O levantamento não aponta números, mas as mesmas sondagens já haviam antecipado que os shoppings seriam os locais preferenciais de compras.

Somente 18% das empresas entrevistadas confirmaram que precisaram aumentar os quadros para atender o fluxo de demanda. A maioria (13%) restringiu as contratações a 3 funcionários e somente 5% admitiu entre 4 e 10 funcionários. No outro extremo, 82% dos estabelecimentos consultados pelo Ifpeam preferiram trabalhar com os colaboradores com que já contavam. O estudo também informa que 93% dos empresários não tiveram ocorrências de furtos em seus estabelecimentos, embora 7% tenham dito que tiveram conhecimento de registros do gênero em áreas próximas.

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, assinalou que a recuperação do setor vem se dando a conta-gotas, com o “consumidor ainda com balido pelo endividamento e juros”. Mas, sempre reiterou que a aproximação do Dia das Mães e do segundo semestre costuma ser o ponto de virada para as vendas do varejo dependendo da conjuntura econômica. “Costumamos ver uma melhora [nas vendas] a partir de maio, com o Dia das Mães. A expectativa é de uma retomada, a partir do segundo semestre, até porque o crescimento do emprego ainda é uma realidade”, encerrou.

Fonte: Jornal do Commercio

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