Uma das maiores religiões do mundo, o ISLAMISMO tem, segundo estimativas, mais de 1,5 milhão de adeptos no Brasil.
Segundo historiadores, os primeiros registros de árabes na região da amazônia, se dão na segunda metade do século XIX.
Grande parte dos muçulmanos atuais são descendentes de imigrantes Sírios e Libaneses, que fixaram residência no país durante a Primeira Grande Mundial.
No final do século XIX tem início a imigração árabe para o Estado do Amazonas. A maioria deles veio da Síria e do Líbano onde embarcavam em navios no porto de Beirute em busca do eldorado na Amazônia, atraídos pelo ciclo da borracha.
No Amazonas grande parte deles se instalou na capital Manaus, passando a residir e abrir seus comércios nas ruas Barão de São Domingos, Andradas, Miranda Leão, Barés, Mundurucus, Leovegildo Coelho e Floriano Peixoto.
Na capital amazonense os árabes passaram a ser chamados de “turcos”, e se dedicaram ao comércio de armarinhos e estivas.
Outros passaram a trabalhar de vendedores ambulantes (conhecidos como “teco-teco”) carregando suas mercadorias nas costas, em sacolas e malas onde eles batiam entre si duas varas que traziam nas mãos (daí o nome) anunciando assim a seus fregueses sua passagem pelas ruas.
Já outros árabes se dedicaram ao comércio de regatão (concorrendo com os judeus), levando seus produtos em batelões e navegando pelos rios até os seringais mais distantes onde vendiam seus produtos aos seringueiros.
No ano de 1915 o jornal “Abu-Nuas”, editado em Manaus e dedicado à colônia árabe do Amazonas publica imagens de anúncio da “Casa Libanesa”, estabelecimento comercial de árabes situado em Manaus.
Não se pode falar sobre a história de Manaus deste século sem citar os sírios-libaneses, os “árabes‟ das ruas dos Bares, Barão de São Domingos, Rocha dos Santos e das Travessa Tabelião Lessa, de que surgem sobrenomes como MUSSA, SALEM, NADAF, BULBOL, AZIZE, OSSANI, NASSER, AUACHE e muitos outros.
A falta de documentos, aqui e acolá, vale-se do depoimento oral, do relato da história testemunhada por gente de expressão como a ex-deputada Elizabeth Azize, autora de “E Deus Chorou Sobre o Rio”.
Natural de Manacapuru, a pouco mais de 100 km de Manaus, Beth é filha de Rafael Azize Abrahim e neta de Azize Dibo Mussa, regatão sírio, que fez nome e fortuna mascateando pelos rios, de maneira especial na região da Manacapuru.
Gaitano conta a saga dos Azize, como de tantos outros regatões “batrícios”, cujos filhos e netos, hoje são brasileiros plenamente integrados na comunidade nacional a ponto de termos deputados, senadores e ministros de origem árabe, como o caso de Adib Jatene, nascido no Acre.
Muitos se casaram com brasileiras, como nos mostra Gaitano.
Azize Sahdo, por exemplo, apaixonou-se pela bela Francisca de Queiroz, de Tefé, da mesma forma que Maria Salém, herdeira de Salem José viria a casar-se com o português João Lopes de Britto, fundando o clã dos Salém de Brito.
Fortes comerciantes na área do livro (Livraria Britto) em Manaus.
Ao traçar o perfil das famílias árabe-manauaras, Hauache, Abrahim, Bichara, Bulbol, Chamma, Tuma, Mussa, Fraiji, Fadul, Assi, Said, Salem, Seffair, Bazi, Makarem, Sahdo, Daou, Tadros, dentre outras, no amazonas, Gaitano Laertes Pereira Antonaccio resgata, parcialmente, uma divida cultural para com os “turcos”, “batrícios”, “sírios-libaneses”, “regatões batrícios”, “teco-tecos” ou como o queiram chamar esses comerciantes que singravam os rios da Amazônia, comprando dos caboclos “pélas” de borracha, pirarucu, mantas de peixe-boi, redes, esteiras, paneiros de farinha, frutas, peixe salgado, manteiga de tartaruga, mandioca, cachos de banana, cachos de pupunha, castanha, sorva, balata, peles de todos os tipos, e lhes vendendo armarinhos, ferragens, terçado, machado, foice, anzóis, miudezas, perfumarias, querosene, remédios e ilusão. Oxalá, Gaitano convoque o fotógrafo manauara Jacques Menassa para ilustrar com fotos de seu arquivo a presença árabe no Amazonas, possibilitando, assim, a todos nós um capítulo da antropologia visual do Amazonas.
Há todo um universo de pesquisa aberto sobre o regatão árabe na Amazônia.
São tantos os aspectos que Gaitano Antonaccio apenas escreveu o exódio desse livro. Ainda não foi escrito o grande livro da presença e da saga dos sírios-libaneses no Brasil, apesar de existir muita coisa esparsa já publicada.
Contribuintes históricos com o desenvolvimento econômico do Estado, os árabes são responsáveis por um percentual da geração de emprego e renda no Amazonas, com atuação expressiva nos segmentos da indústria e do comércio.
O processo da imigração, que no Brasil, ganhou força no início do século 20, foi marcado pelas superações e conquistas de um mercado até então desconhecido para os estrangeiros. Hoje, a comunidade árabe comemora o retorno dos investimentos feitos e a consequente colaboração com o progresso da economia amazonense. O proprietário do Grupo Sovel da Amazônia Ltda., o palestino, Ali Lacub, 77anos, chegou à capital em 1974, aos 19 anos de idade, em busca de melhores condições de vida.
Ele relata que trabalhou por algum tempo como camelô na rua Marechal Deodoro, no centro da cidade. Após alguns anos, conseguiu certa estabilidade financeira o que lhe permitiu investir em um desafio que foi a compra da empresa Sovel, que na época, estava fechada por motivo de falência.
O palestino comprou a empresa em sociedade com alguns amigos. A sociedade foi desfeita e hoje, Lacub é o proprietário da indústria, que é o Grupo Sovel.
Ele ainda conta com a colaboração administrativa de dois filhos. “A situação na Palestina estava muito difícil. Precisava buscar melhorias. Por isso, decidi vir para o Brasil e buscar trabalho no Amazonas. Trabalhei bastante e depois de alguns anos consegui comprar a empresaque já seguia o ramo da reciclagem. Era um segmento promissor, mas hoje, passamos por problemas por conta da concorrência com a importação dos produtos chineses”, relatou.
A empresa conta atualmente com aproximadamente 400 funcionários. “Manaus é um bom lugar para viver e trabalhar. Não penso em sair da cidade. Fizemos fortes investimentos em maquinário e equipamentos”, disse. A empresa atua na reciclagem de papéis e na fabricação de embalagens. Apesar da expansão e consolidação dos negócios ao longo das décadas, Iacub afirma que as atuais dificuldades econômicas que atingem o país, somadas ao elevado índice de importação de embalagens provenientes da China, tem impactado negativamente os negócios. “Estamos perdendo mercado para a importação.
Descendente de árabe, Khaled Ismail, auxilia o pai, que chegou ao Amazonas em 1980 em busca de oportunidades de trabalho.
A família administra a rede de lojas Max Moll. Ismail relata que seu pai desembarcou em Tabatinga, onde iniciou os trabalhos com confecções em uma loja de pequeno porte.
Após algum tempo, o empresário firmou residência em Manaus, onde investiu em uma loja no bairro Educandos, zona Sul. Novas lojas ainda foram abertas nas ruas Marquês de Santa Cruz e Marechal Deodoro. O empresário chegou a administrar seis lojas. Porém, devido à instabilidade econômica nacional, uma loja fechou as portas. Ismail chegou a Manaus em 2009 com o intuito de auxiliar a família nos negócios.
Ele considera a capital um local bom para trabalhar. “O Amazonas tem um comércio em crescimento. É um bom local para trabalhar e crescer. Ficamos felizes em poder contribuir com a geração de emprego e com a economia do Estado”, avalia.
No início do século 20 o fluxo migratório cresceu e ganhou expressão. Boa parte da população estrangeira é de origem libanesa, enquanto o restante é predominantemente de origem síria, além de palestinos e jordanianos. Algumas cidades da região Norte chegaram a ser fundadas por imigrantes árabes como por exemplo, Marabá, no sudeste do Pará, que teria sido colonizada inicialmente por imigrantes transjordanianos.
Outros Estados que receberam população significativa de árabes foram o Amazonas, o Acre, Rondônia e Tocantins.
Um dado curioso: a primeira pessoa a ter uma emissora de televisão na história do Amazonas é uma mulher árabe e muçulmana chamada Sadie Hauache, que foi proprietária da extinta TV Ajuricaba.
Um dos maiores expoentes da literatura amazonense e brasileira da atualidade, reconhecido internacionalmente e ganhador do prêmio Jabuti, o escritor Milton Hatoun, faz parte desta comunidade vibrante.
O lutador e empresário do Jungle Fight, Walid Ismail, também veio do seio desta nação de muçulmanos amazonenses.
A maior parte dos muçulmanos trabalha no comércio e na indústria. Dentro da comunidade há vários profissionais liberais, que atuam como médicos, advogados, jornalistas, professores e engenheiros.
É bom salientar que a comunidade muçulmana tem papel de destaque na economia do Estado, em particular no comércio.
É comum notarmos a presença de descendentes dos muçulmanos em posições de destaque da sociedade amazonense. São pessoas que não seguem a fé islâmica, mas que têm um pai, mãe, avô ou uma avó oriundos desta comunidade religiosa. O atual Senador do Amazonas, Omar Aziz, é uma destas personalidades.
Atualmente, há duas entidades muçulmanas no Estado, ambas criadas há pouco tempo: o Centro Islâmico do Amazonas e a Associação Muçulmana do Amazonas.
Embora os muçulmanos possuam uma história de mais de cem anos no Estado, eles jamais conseguiram construir uma mesquita ou um centro social que pudesse servir de referência para a comunidade. O máximo que conseguiram foi manter salas de orações, onde mantêm vivas as preces de sexta-feira.
Porém, recentemente, os membros da comunidade conseguiram comprar um terreno no centro de Manaus e, em breve, construirão uma mesquita que vai servir de base espiritual para os muçulmanos “barés”.
A falta de um templo nunca foi empecilho para que a comunidade desenvolvesse suas obrigações religiosas.
Os muçulmanos praticam sua fé com liberdade no Amazonas.
Rezam, jejuam e comemoram as datas festivas como o „Id Al-Adha‟ (que marca o fim da peregrinação a Meca) e o „Id Al- Fitr‟ (que marca o fim do jejum no mês do Ramadã) a exemplo de seus irmãos em outras partes do mundo, com a diferença que são abençoados com as riquezas da Amazônia.
Dados da Pesquisa Nacional Exclusiva sobre Árabes no Brasil apontam que, até 2020, o número de árabes e descentes passavam de 11,61 milhões, o que até este período representa, pelo menos, 6% da população brasileira. Deste total, 6% residem na região Norte e deste número, estimasse que pelo menos 50 mil dessas pessoas vivam atualmente no Amazonas.
São indivíduos com diversas vivências e histórias, que ajudaram na construção deste Estado, destacando-se alguns nomes dentro das mais diversas áreas – indo do esporte à literatura, e à comunicação.
Foi pensando na contribuição destas pessoas que o dia 25 de março é celebrado – desde 2004 – como o Dia Nacional da Comunidade Árabe. De acordo com o jornalista e membro da comunidade árabe do Amazonas, Anwar Assi, tal data serve para ressaltar a importância que tal grupo teve nos últimos 150 anos do Estado, sendo pioneiros em várias áreas.
“A maioria dos árabes veio para o Brasil quase que a convite do imperador Dom Pedro II, que disse para essas comunidades virem e investirem aqui. E como muitas delas não estavam satisfeitas com a ocupação turca, resolveram migrar para cá, onde montaram seus negócios e prosperaram em todos os âmbitos. A maioria começou trabalhando no comércio, mas também se destacaram na economia, política, literatura e entretenimento”, afirma o jornalista.
A “Pesquisa Nacional Exclusiva sobre Árabes no Brasil”, realizada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, revela que dos quase 12 milhões de árabes no Brasil, 39% deles estão localizados na região Sudeste e 32% no Nordeste. O Sul do Brasil aparece com 11%, Norte com 6% e Centro-Oeste com 5%.
Uma das histórias que comprovam a afirmação de Anwar é a história do lutador de jiu jitsu, MMA e empresário, Wallid Ismail, um manauara que revolucionou o mundo das artes marciais. Ele é um dos principais responsáveis pela capitalização do mundo das lutas, sendo o primeiro atleta brasileiro a ter patrocínios estampados em seu quimono. Ele também é o idealizador do Jungle Fight Champiochip, um dos principais eventos de MMA da América Latina que já conta com mais de 114ª edição, em Manaus. Segundo Wallid, sua descendência árabe o moldou e lhe ajudar a conseguir alcançar o sucesso dentro do mundo das artes marciais.
“Fui para o Rio de Janeiro quando tinha 15 anos, para treinar, mas meu pai queria que eu cuidasse das lojas, mas quando ele viu que não tinha jeito de ficar na loja ele disse ‘então vai. Seja o melhor no que for fazer, mas saiba vender. Pois se você não souber vender o que faz, você não chega a nenhum lugar’. Isso me impactou e o esporte no Brasil, porque o filho de um árabe foi o primeiro a ver profissionalmente da luta, sempre precisar dar aula. Com a minha cultura árabe, aprendi a negociar desde criança e me ensinou a ser um vencedor na vida”, afirma Wallid.

Outro dos grandes nomes que comprovam a importância e influência da população árabe no Amazonas é o escritor, tradutor e professor Milton Hatoum, tido como um dos principais escritores da literatura Brasileira, sendo autor de grandes obras como “Dois Irmãos” e “Órfãos do Eldorado”, além de contos como “O Adeus do Comandante”, que serviu de base para o filme “O Rio do Desejo”, lançado nacionalmente.

PRÁTICAS E COSTUMES – As práticas do Islã é baseada nos cinco pilares, que um muçulmano deve colocar em prática e tornar sua fé completa.
São eles: SHAHADA, que é a declaração de fé, seguido do SALAT, que são as orações diárias, depois o ZKAT que é praticar a caridade aos mais necessitados, o quarto é o SAUM, jejum durante o Ramadan, e o HAJI que é a peregrinação para a cidade sagrada de Meca. Normalmente, a mesquita é aberta cinco vezes ao dia para a prática do “Salat”.
Para os muçulmanos que seguem à risca os princípios do islamismo, devendo ser cumprido, ao amanhecer, ao meio dia, no meio e final da tarde e à noite, como forma de professar a fé em ALLAH e delinear o tom do dia.
Como a mesquita é a casa sagrada dos muçulmanos, no qual eles recriam a presença divina na terra, é importante que o visitante ofereça à mesquita o mesmo nível de reverência que daria em qualquer outro lugar de adoração, mas adicione os comportamentos necessários e o estilo da roupa ao adentrar ao espaço.

Inaugurada em 2012, a mesquita do Amazonas é também a primeira mesquita da região Norte, construída com doações da comunidade islâmica de Manaus. Além de funcionar para a realização das cinco orações diárias obrigatórias, a mesquita também fica aberta ao público para visitações.
Seguindo a arquitetura tradicional islâmica que dá vazão aos espaços interiores, a estrutura da mesquita, onde também funciona o Centro Islâmico do Amazonas, recebe o mesmo estilo das demais obras muçulmanas. Suas duas torres brancas com cúpulas nas pontas se destacam, à distância, no Centro da cidade.
A Mesquita fica localizada na rua Ramos Ferreira, 789, no Centro de Manaus.
SEDE DO CLUBE SÍRIO LIBANÊS DO AMAZONAS

Matéria sobre a demolição do antigo prédio da então sede da Colônia Sírio Libanesa em Manaus e depois foi a sede do Atlético Barés Clube. O prédio daria lugar a nova sede social do Clube Sírio Libanês com linhas mais modernas.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista*
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