CAMILLE MARIA MONFORT, foi uma suposta vampira real na amazônia.
Historia – Em 1864, numa Belém enriquecida com a venda da borracha amazônica para o mundo, enriquecendo fazendeiros da noite para o dia, que construíam seus ricos palacetes com materiais vindos da Europa.
O Theatro da Paz era o centro da vida cultural da Amazônia. A riqueza proporcionada pela venda da borracha trazia grandes artistas europeus para os teatros da Amazônia, com concertos de artistas europeus. Entre eles, um chamou atenção do público, o da bela e enigmática cantora lírica francesa Camille Monfort, (1869 – 1896) que causou desejos desenfreados nos ricos senhores da região, e ciúmes atrozes nas esposas, por sua grande beleza. que escandalizou a conservadora sociedade de Belém com seu comportamento livre das convenções sociais de sua época, dando origem a uma acusação de vampirismo, uma morte misteriosa e uma sombria lenda urbana.
Mais tarde, Camille Monfort também causou indignação por seu comportamento livre das convenções sociais de seu tempo, ela era vista semi nua, dançando pelas ruas de Belém, enquanto se refrescava sob a chuva da tarde.
Era vista em solitários passeios noturnos, com seus longos vestidos negros esvoaçantes, à beira do Rio Guajará.
Logo os boatos se criaram e deram vida a invenções maldosas sobre sua pessoa.
Dizia-se que era amante de Francisco Bolonha, que a trouxera da Europa e que este lhe dava banhos com caríssimos champanhes importadas da França, na banheira de seu palacete; dizia-se também que ela fora atacada por vampiros em Londres, devido sua palidez e aspecto doentio.
E que trouxera este grande mal para Belém, possuindo misteriosa necessidade de beber sangue humano a ponto de hipnotizar jovens moças e rapazes com sua voz, nos seus concertos, estes eram adormecidos no camarim onde seus pescoços eram sugados pela misteriosa dama.
Isto misteriosamente coincidiu com relatos de desmaio nas dependências do teatro durante seus concertos. Explicados como o efeito da forte emoção produzida por sua música aos ouvidos do público.
Passou a dizer-se também que ela possuiria o poder de se comunicar com os mortos, de materializar seus espíritos em densas brumas etéreas de materiais ectoplásmicos, expelidos de seu próprio corpo, em sessões mediúnicas no Palacete Pinho.
No final de 1864, um terrível surto de cólera devastou a cidade de Belém, fazendo uma das vítimas Camille Monfort , que faleceu, sendo sepultada no Cemitério da Soledade aos 27 anos de idade.
Hoje, sua sepultura continua lá, coberta de limo, musgo e de folhas secas, debaixo de uma enorme mangueira que o faz mergulhar na escuridão de sua sombra, apenas clareada por alguns raios de sol que se projetam por entre suas folhas verdes.
É um mausoléu de linhas neoclássicas com um portão fechado por um velho cadeado enferrujado.
Daí pode-se ver um busto feminino em mármore branco sobre a ampla tampa do túmulo abandonado e, fixado à parede, uma pequena imagem emoldurada de uma mulher vestida de preto.
“Após a Chuva da Tarde” é mais do que apenas um romance de vampiro, é um verdadeiro estudo sobre o que são e de como surgem as lendas. “Após a Chuva da Tarde”: A Lenda de Camille Monfort, “A Vampira da Amazônia”: Um Romance Gótico Amazônico.
Em meio a experiências alucinógenas com o chá da ayahuasca e entidades do Folclore e Lendas Amazônicas, o romance convida o leitor a conhecer um pouco da Amazônia e a história dessa misteriosa e desconhecida personagem de nossa história, contada aqui por meio de matérias de jornais da época e do testemunho daqueles que a conheceram.
Camille era humana até que foi compelida a cortar sua própria garganta por Aurora De-Martel.
No entanto, Camille não permaneceu morta, ela voltou a vida em transição para vampira, pois tinha morrido com o sangue de Aurora em seu organismo.
A encantaria Marajoara é um conjunto de crenças religiosas de origem africana e indígena da ilha de Marajó/Pa, profundamente relacionada com a natureza, composta de lendas e narrativas orais, que tem como ideia principal a crença de que, ao lado do mundo em que vivemos, existem mundos paralelos habitados por seres mágicos.
Para essa crença a morte não existe para alguns indivíduos, que se tornam “encantados”, tornando-se seres lendários: curupiras, botos, sereias. Ou seres da natureza: animais, plantas ou objetos inanimados, que passam a viver entre o mundo dos humanos e dos seres encantados.
Curiosamente, lendas amazônicas possuem muitos pontos em comum com lendas europeias, apesar de toda a distância e diferença cultural entre seus povos. Seria por que as lendas trazem em si uma gramática universal dos anseios humanos, como acreditava o antropólogo Lévi-Strauss? Ou porque trazem símbolos elementares de um inconsciente coletivo presente em todos os indivíduos, produto de nossa evolução, que conta nossa história evolutiva, como pensava o psicólogo Carl Jung? eis algumas delas:
Encantados – Assim como na encantaria amazônica, em que os “encantados” são transportados para outro mundo sem passar pelo advento da morte, o mesmo pode ser encontrado em lendas europeias, na lenda portuguesa do rei Dom Sebastião (1554 – 1578) que, dizem, teria se “encantado” em plena batalha contra os muçulmanos no ano de 1579, no Marrocos, e transportado para um mundo encantado — lenda que deu origem ao Sebastianismo, movimento messiânico que professa a crença de que um dia Dom Sebastião voltará para tomar para si o trono de Portugal.
Portais Mágicos – Na Amazônia há toda uma mística oriunda dos povos originários que comporta portais mágicos, em que gigantescas árvores de samaúma são tidas como passagens místicas para seres encantados da floresta; portais que uniria o mundo dos humanos ao mundo dos seres encantados — nada tão diferente da crença europeia de que velhos carvalhos seriam moradas de duendes.
Para povos originários da Amazônia, rios e igarapés também são considerados portais mágicos para cidades submersas dos caraúnas — seres espirituais, mediadores entre os pajés e os poderes da floresta.
Por seu poder de reflexo e brilho, rios e lagos também podem ser associados a espelhos (espelhos d’água), cujas lendas europeias os concebem como portais mágicos capazes de tornar cativos espíritos dos mortos — daí o antigo costume inglês de cobrir com tecido os espelhos da casa após a morte de um familiar.
Vampiros – Entidades vampíricas estão presentes em quase todas as culturas. E nesse imenso caldeirão de lendas e mitos, que é a Amazônia, não poderia faltar um de seus representantes: O BOTO.
A característica vampiresca do boto, em geral, é pouca conhecida da maioria, porém está presente nos relatos de ribeirinhos, que afirmam que botos são atraídos pelo sangue menstrual de passageiras em pequenas embarcações, ao ponto de vir até o barco para virá lo.
O que gerou a tradição que ensina a amassar dentes de alho e a jogar no rio, a fim de afugentar botos e impedi-los de que, transformados em um belo rapaz, entrem nas casas de ribeirinhos, seduza mulheres presentes e as leve para o fundo do rio, como se pode ver pelo relato retirado da tese de mestrado “Cosmologias da Encantaria da Ilha de Marajó”, de Dione Leão:
“Quando eu era criança e a gente morava no interior, meu pai viajou e ficou eu, minha mãe e meus três irmãos. Uma noite a gente estava dormindo e a mamãe assustada acordou a gente, pois ela sentia que tinha gente dentro da casa, no corredor. Quando ela fez o barulho, a coisa correu pela cozinha, desceu ao redor da casa e pulou na água. No outro dia, minha mãe amanheceu com muita dor de cabeça, febre, vômito e, em frente a casa um monte de boto boiando. Foi preciso bater um monte de dente de alho dentro de uma cuia e meu irmão mais velho foi jogar lá no meio do rio pra espantar os bichos e, nós fomos pra cassa da vovó pra ela cuidar da minha mãe.”
O livro é narrado, tendo em vista as diferentes formas que a artista assumiu para os mais diferentes segmentos da sociedade amazônica: uma grande artista, para os jornais da época; uma mulher à frente de seu tempo, para os influentes membros da sociedade; uma matinta perera, para membros do povo; e uma vampira, para excêntricos.
Comentários
-
29 set 2026
A LENDA DA CAMILLE MONFORT – A VAMPIRA DA AMAZÔNIA
-
28 set 2026
ACA prestigia comemoração pelos 7 anos do Amazonas Cluster de Turismo
-
Evento
25 set 2026
ACA prestigia palestra promovida pelo Sindifisco-AM sobre equilíbrio fiscal e desenvolvimento econômico
-
Café da Manhã
24 set 2026
ACA recebe David Almeida em Café Institucional e promove diálogo sobre propostas para o desenvolvimento do Amazonas