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A LENDA DO URUTAU – MÃE DA LUA

Por Paulo Almeida Filho

26 de outubro de 2026 às 16:09 Compartilhe

A LENDA DO URUTAU, segundo o povo Guarani

Diz a lenda que houve, em tempos muito distantes, uma linda moça Guarani, chamada Nheambiú, filha de um importante cacique do povo Guarani…

Certo dia, Nheambiú se apaixonou por um prisioneiro político dos Guarani, o bravo guerreiro Tupi chamado Cuimbaé.

Nheambiú implorou a seu pai que a deixasse casar com Cuimbaé, mas o pedido foi negado, porque o moço era do povo Tupi, inimigo histórico dos Guarani.

Desesperada, Nheambiú fugiu para o meio da floresta.

O Cacique então mobilizou todos os homens da aldeia para procurar sua filha.

Quando, depois de muito tempo, a encontraram, Nheambiú estava totalmente paralisada e muda, como se fosse uma estátua de pedra.

Como Nheambiú não reagia a nenhum estímulo, o cacique chamou o pajé, que informou seu pai que a moça havia perdido a fala para sempre e que só uma grande dor a faria recuperá-la.

Todo mundo então passou a contar histórias tristes para Nheambiú, que continuava muda.

Então chegou uma hora em o pajé disse: Cuimbaé acaba de ser morto!

Naquele mesmo momento, o corpo de Nheambiú tremeu todo e ela começou a chorar.

A força dos lamentos da jovem indígena transformou todo mundo que estava ao seu redor em árvores secas, enquanto ela se tornou um Urutau, que saiu voando.

Desde então, noite após noite, o Urutau vai pousando nos galhos secos das árvores da floresta, soltando seus tristes lamentos de dor.

O Urutau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver.

Este pássaro habita na região norte e nordeste da Argentina, nas matas do Paraguai, no Norte do Uruguai e do Brasil, onde lhe são atribuídos vários nomes:

JURUTAUI na região amazónica;

IBIJOUGUAÇU entre os Tupis, e,

MÃE-DA-LUA entre os mineiros.

Estas designações correspondem a diversas regiões linguísticas: à dos Tupis e Guaranis e à do Idioma Quichua.

Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite um canto bruxuleante que mais parece um lamento humano.

Tem uma cabeça chata, olhos grandes e muito vivos, a boca rasgada de tal forma que os seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos.

A sua cor parda em tons de canela com riscas transversais e escuras permite-lhe adaptar-se perfeitamente ao galho da árvore, passando completamente despercebida.

Este seu disfarce associado a uma perfeita imobilidade protege-a dos seus predadores e permitem-lhe caçar as suas presas (besouros e borboletas) com uma grande facilidade.

O seu grito é, provavelmente, o mais pavoroso de quantos se conhecem no mundo das aves.

Em forma de “hu-hu-hu”, que se faz ouvir após o anoitecer, procura, a solidão mais espessa dos bosques, de onde faz desprender a sua voz cheia de lamentos.

Para muitos, a sua voz é semelhante ao clamoroso lamento de uma mulher que termina com amortecidos “ais”.

O seu canto provoca, portanto, espanto e piedade aos que possam ouvilo e é também fantasmagórico. “Meu filho foi, foi, foi” – interpreta o povo.

A par da voz queixosa e plangente, uma quase invisibilidade, conferelhe o carácter de um ente misterioso.

Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, mas sim por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, o preservar das seduções e a pureza das jovens moças.

Conta-se que antigamente, matavam para esse fim uma dessas aves e tirava-se a pele que era, posteriormente, seca ao sol. Esta servia para os pais sentarem as suas filhas, nos três primeiros dias a partir do início da puberdade. Nos términos desse tempo, as jovens saíam “curadas”, isto é, invulneráveis às tentações das paixões desonestas que as pudessem atrair. As qualidades sobrenaturais deste pássaro destacam-se nas crendices populares. As penas e a pele do urutau são para muitas pessoas bastante milagrosas. Assim, se para muitos o Urutau é, muitas vezes, associado a maus presságios, para outros e, segundo a mitologia Tupi-Guarani, trata-se de uma ave benfeitora (abençoada).

Dizem que foi dessa lenda que se originaram algumas superstições populares relativamente ao Urutau.

Segundo uma outra versão, o Urutau é um menino, órfão de pai e mãe, que passa a vida muito triste, chorando a perda dos seus progenitores.

Fita o Sol e a Lua e, quando os astros desaparecem, não faz mais do que lamentar-se.

Contava uma lenda também, que o Urutau foi uma pessoa que não quis visitar o Menino Jesus, e por isso hoje chora arrependido de Novembro a Janeiro.

Outra lenda diz que “carta de amor escrita com pena de Urutau tem sempre resposta favorável”.

Já outra diz que a pele dessa ave preserva as donzelas dos deslizes e as protege contra os alheios de intenções menos honestas.

Há também quem diga que, na Amazónia, há o costume de varrer o chão, sob o véu das noivas, com as penas da cauda do Jurutaui (designação pela qual o Urutau é conhecido nesta região), a fim de se garantir para as futuras esposas todas as virtudes do mundo.

Espero que tenham gostado.

Paulo Almeida Filho – Aposentado/Am

FONTE: Wikipédia, Google, Por Zezé Weiss,

 

 

 

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