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Histórias e Lendas do Amazonas

Histórias e Lendas

Lenda do Boto

Por Paulo Almeida Filho

11 de agosto de 2025 às 19:29 Compartilhe

A lenda do BOTO é uma história popular do folclore brasileiro, especialmente forte na região amazônica.

Ela conta que os botos, um BOTO TUCUXI e BOTO VERMELHO, tem a habilidade de se transformar em um homem atraente, que durante as noites de festa, especialmente nas festas juninas, sai da água para seduzir mulheres, engravidá-las e depois retornar ao rio em sua forma original, abandonando-as.

A lenda do boto tem origem indígena e é frequentemente usada para explicar gravidez indesejada ou casos de mulheres que têm filhos de pais desconhecidos.

O BOTO, na forma humana, é descrito como um homem charmoso, bem vestido, geralmente de branco e usando um chapéu para esconder o buraco em sua cabeça, que é a característica de sua forma animal.

A lenda também reflete a relação das comunidades ribeirinhas com o rio e a natureza, e o boto é visto como uma figura mítica que habita as águas e pode tanto proteger quanto enganar as pessoas.

Transformação – Os botos, tucuxi e vermelho, tem o poder de se transformar em homem.

Na forma humana, ele seduz mulheres em festas e bailes.

Engravida e abandona as mulheres,

O boto retorna ao rio, abandonando a mulher.

Simbolismo: A lenda representa a relação com a natureza e o mistério das águas da Amazônia.

A lenda dos botos, é Região Norte do Brasil.

Os botos são animais carnívoros cetáceos que vivem nos rios amazônicos, que segundo a lenda, durante as festas juninas os botos vermelho e tucuxi, aparece no festejo transformado em um rapaz elegantemente vestido de branco e, sempre com um chapéu para cobrir a grande narina que não desaparece de sua cabeça com a transformação, seduzindo as jovens solteiras.

Esse rapaz seduz as moças desacompanhadas, levando-as para o fundo do rio e, em alguns casos, as engravidando. Por essa razão, quando um rapaz desconhecido aparece em uma festa usando chapéu, pede-se que ele o tire para garantir que não seja um boto.

Daí deriva o costume de dizer, quando uma mulher tem um filho de um pai desconhecido, que ele é “filho do boto”.

Essa lenda foi contada no cinema no filme Ele, o Boto (1987) com Carlos Alberto Riccelli, no papel principal.

Na telenovela A Força do Querer, a protagonista Ritinha (Isis Valverde) era, segundo sua mãe Edinalva (Zezé Polessa), filha do Boto (João Sabiá).

Em 2021, Victor Sparapane atuou como o boto vermelho na primeira temporada da série Cidade Invisível.

De acordo com a lenda, um boto vermelho sai dos rios nas primeiras horas das noites de festa e com um poder especial, transforma-se em um lindo jovem vestido com roupas brancas.

Ele usa um chapéu branco para encobrir o rosto e disfarçar o nariz grande.

Nas festas, com seu jeito galanteador e falante, o boto dança, bebe, se comporta como um rapaz normal e aproxima-se das jovens solteiras, seduzindo-as.

Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las.

Na manhã seguinte volta a se transformar no boto, pois o seu encantamento só acontece à noite.

“O boto, como mencionado, transforma-se em um homem muito bonito, com boa conversa e galanteador”.

Durante a transformação, ele passa a usar roupas e sapatos brancos, além de um chapéu que tampa o topo de sua cabeça.

Esse chapéu seria um disfarce, pois a transformação não é completa: no topo da cabeça estariam as narinas do boto.

Sendo assim, o chapéu esconde a grande evidência de que aquele homem é, na verdade, o boto.

Existem versões da lenda que falam que o boto procura a mulher mais bonita da festa para seduzi-la, e outras, que ele não procura necessariamente a mais bonita, mas sim uma mulher virgem.

Depois de seduzir a mulher, o boto deita-se com ela e, antes do fim da noite, ele a abandona.

“O antropólogo Luís da Câmara Cascudo aponta que a ligação da lenda de cetáceos com atos carnais é antiga e remonta à Grécia Antiga”.

Câmara Cascudo aponta para o fato de que o golfinho (espécie que se assemelha ao boto) era um símbolo de luxúria para gregos e romanos, que o associavam com o culto de Afrodite (Vênus, para os romanos), a Deusa do amor.

Além disso, existia literatura que narrava a paixão de golfinhos por homens e mostrava o animal como parte de um fetiche ictiofálico, isto é, a visão do peixe como um falo.

“Pode ser ressaltado também que os movimentos do golfinho na água eram assemelhados aos do ato sexual.

” “Essa associação do golfinho com a luxúria permaneceu e foi aplicada, no Brasil, ao botos-tucuxis e vermelhos”.

No entanto, a lenda do boto vermelho não estava presente na cultura indígena até o século XVII, e o boto encarado como animal sedutor só se estabeleceu na cultura popular em meados do século XIX.

A visão grega do boto como um animal afrodisíaco, símbolo da luxúria, repercutiu em determinadas práticas populares no Brasil.

Luís da Câmara Cascudo aponta que partes do corpo dos botos vermelhos eram tidas como portadoras de poderes mágicos.

O olho seco de um boto, por exemplo, era tido como um poderoso amuleto amoroso.

“Por fim, lendas parecidas com a do boto estão presentes em outros locais da América do Sul, como a Argentina e o Chile, e também em determinados locais da Europa.”

Espero que tenham gostado.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista*

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