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Tartaruga da Amazônia

Por Paulo Almeida Filho

5 de dezembro de 2022 às 15:43 Compartilhe

A TARTARUGA-DA-AMAZÔNIA (Podocnemis expansa) é uma tartaruga fluvial (Morfologicamente, é um cágado), da família Podocnemididae, encontrada no rio Amazonas e seus afluentes.

É uma espécie de grande porte, sendo que os maiores exemplares chegam a alcançar 90 cm de comprimento ou mais.

Possui casco preto acinzentado no dorso, e amarelo com manchas escuras na parte ventral. A carne e os ovos são bastante apreciados, constituindo a base de diversos pratos da culinária amazônica. Também é conhecida pelos nomes de araú e jurará-açu.

Todas as tartarugas do gênero Podocnemis se encontram atualmente no Anexo II da Convenção CITES, assinada por mais de 100 países em todo o mundo, pelo que o seu comércio e utilização obedece a regras muito restritas.

O termo “jurará-açu” advém do dialeto tupi antigo, em que “jurará” é derivado da “iurará”, que significa cágado ou quelônio; e o termo “açu”, tido como adjetivo para algo grande, originando o nome “jurará-açu” ou “cagado grande”.

No mais, a origem desse nome ainda remete à Deusa da mitologia tupi-guarani, Juraráaçu, que foi transformada em Tartaruga por Tupã, como punição por ter libertado Anhangá da prisão.

O projeto Tartarugas da Amazônia visa a proteção de tartarugas e de cágados da região. Sua principal missão é conservar cinco principais espécies que estão ameaçadas devido ao alto interesse comercial.

São elas: Tartaruga-da-amazônia, Iaçá, Irapuca, Cabeçudo e o Tracajá.

 

Já Podocnemis, do grego antigo, é uma junção de “podós”, que significa pé, e “knemís” originário de greva (componente de armaduras antigas que cobria a perna), em razão das grandes escamas presentes no animal. E expansa advém de expansão, exprimindo a sua característica mais marcante, o grande tamanho de sua carapaça.

A Tartaruga-da-amazônia se enquadra na ordem dos Testudines, na subordem Pleurodira. Apesar do nome tartaruga, é na realidade um cágado. As espécies que compõem a ordem Testudine teriam desenvolvido seu modo de vida há 240 milhões de anos, no Triássico, tendo o casco com seu trunfo.

De acordo com levantamentos arqueológicos, sabe-se que o gênero Podocnemis é presente na América do Sul pelo menos desde o cenozoico, e hoje ainda existem 6 espécies do gênero  escritas, incluindo a Pondocnemis expansa.

O descritor da Tartaruga-da-amazônia foi Schweigger, no ano de 1812, a quem se atribui a nomeação oficial do animal. Ainda assim, pode-se encontrar sinônimos como: Emys amazônica, Hydraspis bitentaculata, Testudo Arrau.

 

A Tartaruga-da-Amazônia é endêmica da América do Sul e apresenta distribuição ampla nos afluentes do rio Essequibo, Orinoco e por toda a Bacia Amazônica, com presença nos rios do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Suriname, Peru e Venezuela.

Seu habitat é majoritariamente aquático, vivendo essencialmente em ambientes de águas claras, e podem ser encontradas em menor número em águas escuras e até mesmo em lagoas localizadas em florestas. Essa espécie pode exibir grande variação de habitat, principalmente em resposta às alterações na precipitação, com deslocamento para florestas alagadas durante as estações chuvosas, consumindo os frutos e sementes que caem na água. Já nos períodos de seca, deslocam-se para rios em busca de praias para reproduzirem-se.

A Tartaruga-da-Amazônia é considerada a maior espécie do gênero Podocnemis e a maior espécie de tartaruga de água doce da América do Sul. As fêmeas podem ser conhecidas como “TARTARUGA”, os machos como “CAPITARI”.

Seu peso pode chegar a 90 kg, apesar de ser cada vez mais raro encontrar indivíduos muito grandes e pesados no Brasil, mesmo em áreas de desova. Uma de suas principais características é a estrutura do seu casco. O casco ósseo é coberto por placas córneas, compreende a carapaça achatada, com manchas escuras (pretas, laranjas, marfim), formada por 37 escudos, e a região do plastrão com 13 escudos, especializados para natação em correntes moderadas nos rios. A cor do casco pode variar de marrom, cinza e verde oliva, e possuem um longo pescoço.

A espécie apresenta acentuado dimorfismo sexual, sendo a fêmea maior que o macho. No macho adulto, a carapaça é mais estreita, apresenta entre 40 e 50 cm de comprimento e entre 30 e 38 cm de largura, além de apresentar cauda maior. Em contraste, na fêmea adulta, o comprimento da carapaça é de aproximadamente 64-71 cm, com largura de 43-55 cm. Além disso, nos machos a placa anal se apresenta em formato “U”, e nas fêmeas se apresenta em formato “V”.

Ainda, nos indivíduos mais jovens pode-se observar a presença de manchas amarelas na região da cabeça, assim como nas fêmeas, que, em contrapartida, perdem a coloração da cabeça de amarelo para marrom ao longo dos anos. Suas patas anteriores possuem cinco unhas, enquanto as patas posteriores possuem quatro unhas. Na cabeça de cada indivíduo pode-se observar padrões, únicos para cada um e análogos a impressões digitais.

Possui hábitos diurnos, incluindo forrageamento, todavia a postura de ovos ocorre no período noturno.

A Tartaruga-da-Amazônia é generalista e teoricamente onívora, mas sua alimentação é muito diversificada e alimenta-se predominantemente de forma herbívora (especialmente na fase adulta). Sua alimentação difere em função da sazonalidade e disponibilidade dos recursos.

Nas épocas de cheias dos rios, alimenta-se principalmente da vegetação em lagos ou lagoas e partes inundadas de mata, frutas, sementes, legumes, folhas; sua alimentação pode incluir também esponjas de água doce, ovos, peixes mortos e outros restos animais. Nas épocas de seca dos rios, a alimentação pode incluir folhas, troncos, talos, sedimentos, detritos, ou cascas de árvores.

Por outro lado, a fêmea, durante a época de reprodução, quase não se alimenta ou não se alimenta, deixando seu estômago vazio ou com algas filamentosas, enquanto os filhotes recém-nascidos se alimentam de vegetação e de peixes, apesar de apresentarem enzimas típicas de animais de dieta herbívora.

Já foi, ainda, observada diferenciação entre a alimentação de machos e fêmeas – em análises estomacais, as fêmeas possuíam maior quantidade de frutos, enquanto machos apresentavam maior quantidade de sementes.

A estimativa de vida em cativeiro é de aproximadamente 25 anos, enquanto em vida livre excedem os 20 anos. Indica-se que para serem considerados indivíduos adultos, as fêmeas devem apresentar comprimento linear da carapaça por volta de 500mm, e machos devem apresentar um valor de 350mm.

 

São animais ovíparos, as fêmeas chegam à idade reprodutiva em 4 ou 5 anos, ou, em até 8 anos (há indicações de que a maturidade sexual esteja mais ligada ao tamanho corporal do que à idade), e podem depositar entre 100 e 150 ovos por ano. Normalmente, o tamanho corporal da mãe, o peso dos ovos e tamanho da ninhada são diretamente proporcionais – quanto maior a mãe, maior o peso dos ovos e maior a ninhada.

Os indivíduos saem do ambiente alagado e vão para as praias de nidificação durante a noite, conhecidas como “tabuleiros”. Chegando lá, aproximadamente um mês antes de colocar os ovos, as fêmeas posicionam-se frente à praia, fora da água, para ficarem sob o sol, em um processo de termorregulação. Esse processo permite que a atividade de ovulação seja potencializada com o aumento no metabolismo causado pelo calor. Frente a qualquer potencial distúrbio no ambiente durante esse processo de reprodução fora da água, o principal comportamento da espécie é voltar para a água. Por conta disso, é imprescindível a vigilância e proteção desses locais na época de reprodução da espécie, desde a postura dos ovos até o fim do período de incubação. No caso de estresse e insegurança, com maior movimentação de embarcações na água, luzes artificiais nas praias e pressão de captura, a fêmea pode alterar seu local de desova, como foi percebido em estudo no ano de 2003, em que um grupo de fêmeas de P. expansa passou a desovar em uma praia diferente da qual havia desovado nos 20 anos anteriores.

Os ovos são postos em bancos de areia (nos tabuleiros), especificamente quando os níveis de água estão baixos. O número de ovos por ninhada é em torno de 78-132, dependendo do tamanho corporal da fêmea, em ninhos entre 60 e 80 cm de profundidade. Cada ovo pesa aproximadamente 40g, e suas cascas possuem propriedades elásticas. O tempo de encubação é entre 45-48 dias, e a eclosão dos ovos ocorre com o aumento no nível da água e chuvas. Naturalmente são produzidos maiores números de fêmeas em relação a machos, e aproximadamente 95% dos ovos são viáveis.

Os animais adultos permanecem na praia enquanto esperam pela eclosão dos ovos, por aproximadamente 45-60 dias. O índice de eclosão é de 80-90%. Os ovos eclodem com a chegada das chuvas e o aumento no nível dos rios, os filhotes possuem 5cm de comprimento, aproximadamente, e vão diretamente em direção à água. As mães conseguem produzir sons únicos enquanto esperam que seus ovos eclodam, e acompanham seus filhotes de volta para a mata inundada.

A temperatura influencia no tempo de incubação e, principalmente, no sexo dos filhotes. Temperaturas altas geram indivíduos fêmeas, enquanto temperaturas mais baixas geram
indivíduos machos.

Os indivíduos da espécie são muito sociais, e migram em grupos durante a época de nidificação das matas inundadas para as praias de desova (tabuleiros). Ambos macho e fêmea permanecem na praia, no sol, até que os ovos eclodam, e depois voltam para o ambiente alagado. Esse comportamento de migração em grupo favorece os indivíduos contra predação.

A maior parte da comunicação registrada para a espécie tem a ver com o processo reprodutivo. Durante a migração e espera pela eclosão dos ovos, em que os indivíduos adultos permanecem nas praias tomando sol, esses animais conseguem produzir sons de baixa frequência (hipotetiza-se que essas frequências mais baixas sejam utilizadas para comunicação de migração para as praias de desova, com indivíduos em outras localidades).

Por outro lado, durante a nidificação em si, os indivíduos produzem sons de alta frequência enquanto as fêmeas da espécie se encontram posicionadas nas águas rasas da praia de desova. Ainda, os embriões de P. expansa vocalizam entre 3 e 36 horas antes da eclosão.

Deusa indígena Jururá-Açu.

Segundo lendas indígenas tupi-guarani, no passado existia uma deusa denominada como Jururá-Açu, a Deusa das chuvas. Era muito poderosa, pois transitava entre o mundo dos deuses e o submundo. Em contrapartida, um dos deuses mais poderosos era Tupã, também chamado de Espírito do Trovão, e era também reconhecido como o Criador de tudo que conhecemos na terra.

Jururá-Açu utilizou seu dom de entrar no submundo para libertar Anhangá, o deus inimigo de Tupã, que diferente de Tupã, ele era o deus do submundo e protetor dos caçadores e dos animais. Com essa tomada de atitude por Jururá-Açu, Tupã se revoltou e a transformou em uma tartaruga, um animal lento. Ela, porém, utilizou dessa punição para andar pelos mundos silenciosamente e assim saber de tudo que se passava, cedendo a ela o poder de negociação, pois era capaz de adquirir informações e passar despercebida dos locais.

Uso na medicina – Em um estudo realizado o uso medicinal se faz presente nos povos da Amazônia, sendo que é utilizado da banha da Tartaruga-da-Amazônia para tratamento estético como varizes e cicatriz. Também citaram o uso para tratamento de gripe, bronquite e cãibra. Outro utilitário para a banha é para a hidratação dos cabelos e alisamento de maneira natural.

Culinária – A tartaruga por si é consumida em amostras urbanas, pois é onde o comércio se encontra mais lucrativo para os produtores, caçadores e coletores. Também existe um incentivo  local na produção em cativeiro para o consumo de espécies de tartaruga, sendo uma delas a Tartaruga-da-Amazônia. Banha de tartaruga, é utilizado da banha para fabricação de óleo.

Arte – Com a carcaça da tartaruga é fabricado o reco-reco e reco-animais, um instrumento de origem indígena da centro-americana onde existem dois tipos, o ayote ou ayoti. Ele é fabricado com o casco da tartaruga, onde você pode fazer o som com auxílio de uma baqueta na parte inferior ou superior do casco do animal, onde é utilizado como música de diferentes formas dependendo da comunidade.

Como houve a proibição da caça, foram adaptadas com madeira esculpidas.

Espero que tenham gostado.
Paulo Almeida Filho – Inativo/Am
FONTE: Wikipédia, Google.

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